Terra arrasada


| Tempo de leitura: 2 min

A Prefeitura de Franca, depois que extinguiu a Fundação Mário de Andrade, pouco fez em relação à cultura. A maior parte do orçamento da Feac (Fundação para Esporte, Arte e Cultura) é majoritariamente gasto no esporte. O resultado da junção de esporte com cultura imposto pelo governo Sidnei foi desastroso para ambos, sua divulgação vive nas páginas policiais. Ocorreu um completo abandono do setor cultural pela prefeitura, que amontoou a Pinacoteca, o MIS (Museu da Imagem e do Som) e seus burocratas numa casa antiga e sem condições técnicas de receber seus acervos e expô-los adequadamente.


O Museu do Calçado foi fechado e nada foi feito pela prefeitura ou pelo empresariado calçadista, numa inacreditável omissão quanto à história local. É inaceitável que uma cidade do porte de Franca não se preocupe em manter um local permanente para preservar a trajetória do artefato do qual se intitula a capital.


Basta ver o que acontece na região para perceber como a cidade está regredindo em termos culturais, por falta de ideias e de prioridade do governo Sidnei. Ao invés de criar a Casa da Cultura na AEC, preferiu ver descaracterizado aquele patrimônio histórico. Gastou muito dinheiro público para desapropriar pequenos imóveis centrais e sabe-se lá quando sediar um projeto “secreto” (provavelmente inexistente, pois nada foi divulgado oficialmente sobre o mesmo), supostamente para homenagear uma atriz identificada com seu partido político, a mesma que dizia na TV ter medo do governo Lula.


Em Sertãozinho, uma carta de intenções assinada entre o empresário Luiz Biagi e a prefeitura prevê a doação ao poder público de uma área de 13 alqueires para sediar o Museu Nacional da Cana-de-Açúcar, no antigo Engenho Central. O Ministério da Cultura aprovou a captação de R$ 10 milhões para o empreendimento via Lei Rouanet.
 

Em Ribeirão Preto, um atuante Ministério Público firmou um Termo de Ajustamento de Conduta com a prefeitura da cidade para ocupar os antigos galpões da Cianê, que pertencia ao Grupo Matarazzo, com equipamentos culturais que incluem o MIS, biblioteca e a Casa da Cultura, com investimento previsto de R$ 23 milhões. Ainda em Ribeirão, o Museu de Arte Moderna - MARP recebe patrocínios e a doação de obras para seu acervo de colecionadores privados.


Em Brodowski, a prefeitura luta para não perder a construção de um novo Museu Cândido Portinari, projetado pelo principal arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer. Ou seja, outros prefeitos e o empresariado de suas cidades estão agindo para ampliar os setores culturais locais e o acesso democrático da população à cultura, percebendo inclusive o potencial econômico que a arte pode ter no desenvolvimento regional.
 

Infelizmente, em Franca, o apoio do empresariado ainda é pequeno e insuficiente para a área cultural, contam-se nos dedos das mãos os empresários que apóiam iniciativas culturais. Mas isto é agravado, sobretudo, pelo despreparo e a completa ausência de visão de futuro do governo de Sidnei, relegando a cultura a um plano distante de preocupações. Em 2013, o novo prefeito vai encontrar terra arrasada na cultura.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários