Não é palavra masculina que aprendeu a dizer e lhe fez muito bem para a saúde.
Foram muitas as sabedorias depois deste duro aprendizado. Viu de frente as diferentes cores (e intensidades) do seu Medo, o que a curou da ideia de que podia tudo, ou deveria tudo, ou precisava enfrentar tudo.
Os sustos do que não controla, nem controlou ou controlará, continuaram assombrando-a, e vêm/vieram (virão?) de cantos variados, de dentro e de fora de si mesma.
Até que, um dia, ela começou a se deixar levar pelos acontecimentos, para depois pensar. Quer dizer, permitiu-se sentir cada pedacinho de sensação, cada delicado processo do seu sentimento, para, somente depois, pensar.
Quero dizer, ela aprendeu a dar nomes aos sentimentos e às sensações, como se fossem avisos a lembrá-la desta estrada aqui, daquele caminho da roça acolá, deste desvio que a seduz/seduziu (seduzirá?), tantas e tantas vezes, à sua revelia.
Depois de dizer um exagero impensado - de Sim, palavra feminina, devotou esforço contínuo a trabalhar a sua natureza complexa, de quando em vez desfocada do Essencial, do seu Norte.
Hoje, entre uns sim e outros não, ela é. Intensa nos altos e baixos, na melodia e no silêncio, ela é. Dona de dor íntima e invisível, de um sorriso público pra quem quiser ver, ela é.
Aprendeu a dizer - bela e sabiamente - não sei. Diz não sei de um jeito sussurrante, sem grito ou lamento, de um jeito firme e macio, sem qualquer violência, surpreendendo quem esperava dela um Sim... ou um Não.
Às vezes lhe dói a solidão, às vezes a solidão tem um sabor doce e de refrescante alívio.
Aos pingos vai sabendo a cor, o cheiro e o sabor do que gosta e o amargor da incompreensão, o desespero da dúvida, a incerteza do que vai fazer, quando experimenta do que não gosta.
(O pior de tudo é quando ela não sabe do que gosta e se confunde por não saber sofrer o que sofre, este é um infinito aprendizado, sem fim)
Cabe nela, porque permite (o que não deveria permitir), sem que ela mesma perceba, o que ela definitivamente não é (e aí mora todo o perigo!).
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