A agonia e morte da dona de casa Maria das Graças Vieira de Souza, 47, narrada pelo Comércio em sua edição de anteontem, é um triste exemplo da situação da saúde pública no País que, infelizmente, deve continuar da mesma forma por vários anos. A paciente ficou 17 horas aguardando por uma internação na Santa Casa. Sobre uma maca no Pronto-Socorro ‘Dr. Janjão’, não resistiu e acabou morrendo sem que a vaga fosse liberada. Ela tinha problemas de hipertensão.
Marido e filho de Maria das Graças não se conformaram com a situação e procuraram a polícia para denunciar o caso. Conforme contaram, a mulher e mãe foi levada para consulta porque não se sentia bem. Durante as horas em que permaneceu no pronto-socorro, teve seu estado de saúde agravado. Foi atendida por três médicos no local. Precisaria ser transferida para a Santa Casa; tal não acontecendo, morreu ali. Para os familiares, houve omissão de socorro.
O secretário Municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, por seu turno, garantiu que o Pronto-Socorro ‘Dr. Janjão’ tentou internar Maria das Graças por três vezes (às 17h30, 19h e 23h) e em todas elas houve negativa. Ou seja, ele creditou à Crue (Central de Regulação Única do Estado) - responsável pela liberação de vagas em todos os hospitais conveniados ao SUS - todo o ônus desta verdadeira tragédia que, mais uma vez, é provocada por um perverso sistema que sempre penaliza os menos afortunados. Já a Santa Casa, por meio de nota, disse que as internações são feitas de duas formas - por encaminhamento do Crue ou então do médico plantonista que deve acompanhar o paciente até o hospital na ambulância - e que nenhum dos dois procedimentos foram tomados. A falta de senso prático e de humanidade de todos os profissionais envolvidos no caso perturba. A providência não adotada, e que poderia fazer a diferença para a paciente e para os familiares, custou uma vida. Não houve ninguém com discernimento para buscar outra alternativa? Para agir em defesa da paciente? Por que os médicos e outros profissionais de saúde não perceberam que o estado da paciente se agravava? Por que não se quebrou um protocolo burocrático para se salvar uma vida? Como se vê, a história está cheia de interrogações (ainda há muitas outras) e, pelo menos até agora, não existe qualquer resposta às indagações dos familiares. Em que pese não haver resposta que justifique deixar um paciente ficar 17 horas numa maca à espera de uma vaga em hospital e morrer.
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