Antonio Gramsci ao estudar Maquiavel, principalmente a obra O Príncipe, propôs um “novo príncipe”, o estado totalitário. Sem levar em conta que no mundo de Maquiavel não existe Maquiavel – e isso não é conclusão da articulista (ela não é tão boa assim), mas de pesquisadores muito inteligentes, filósofos muito competentes, dentre eles, Olavo de Carvalho, que afirma: “Contrariando o louvor geral que consagra Maquiavel como o primeiro observador ‘realista’ da política, o Príncipe é um modelo idealizado que só pode ser descrito em literatura precisamente na medida em que nenhum contemporâneo logre encarná-lo na realidade. A alienação chega ao cúmulo quando Maquiavel diz que todos os males do Estado vêm dos intelectuais contemplativos que, não podendo atuar na política, teorizam sobre ela – o que é precisamente o que ele está fazendo. Aliás, Otto Maria Carpeaux já havia assinalado que a visão que Maquiavel tem da política não é política: é estética”.
E não é só ele. Olavo de Carvalho menciona outro exemplo de “contemplação externa e estética”: “Karl Marx assegura que só o proletariado, por ser a última e extrema vítima da alienação, pode apreender realisticamente o curso inteiro do processo alienante e, por isso, libertar-se dele. Só o proletariado, em suma, tem adequada consciência histórica. Mas não é mesmo uma coisa extraordinária que o primeiro, logo o primeiro a personificar essa consciência proletária seja um burguês?” Marx era burguês. Pode? E você não sabia? Mas isso é fácil de constatar. Para os proletários, Bolsa Família, para os neomarxistas, bolsa Louis Vuitton.
Vamos em frente. Passemos a discorrer sobre o “Velho Príncipe”, aquele que Jesus fala no Evangelho que é o “príncipe deste mundo”, Lúcifer, o engodador. Por falar nisto, mentira é tão mais sedutora quando apresenta aspectos da verdade. Acreditem ou não, o “pai da mentira”, retro mencionado, esperto e escorregadio, jamais se vale do artifício da mentira plena para enganar as pessoas. Ele sabe que isso não funciona. Uma mentira real e completa não engana ninguém. O que precisa ser feito para ter um impacto real e profundo na mente humana é mesclar a verdade com a mentira. A força persuasiva disso é incalculável.
Quando algum candidato ou candidata à Presidência da República afirma que é pessoalmente contra alguma coisa, por exemplo, o aborto, mas que “O Estado” tem de se preocupar com a saúde pública, prestem atenção e tenham cuidado com essa fala.
Por detrás dessas falas que contém meias verdades, existem programas governamentais homicidas em andamento. Essa semana começou a ser imposto o uso da cadeirinha no banco traseiro dos veículos. Será que quem defende a prática do aborto está preocupado com a integridade das crianças? Será que essas mesmas pessoas, estão preocupadas com a saúde mental das crianças e jovens brasileiros disponibilizando o tipo de escola pública que disponibilizam? Estão “comendo a papa pelas beiradas”. Aos poucos nossas liberdades individuais estão sendo minadas e nem percebemos. O discurso, nesse caso, é a segurança. De um lado, tem-se o “construtor de alienações elegantes”, de outro, um “porta-voz de impressões autênticas”. Isso é confiável?
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.