Após 17 horas de agonia sobre uma maca do Pronto-socorro “Doutor Janjão”, a dona de casa Maria das Graças Vieira de Souza, 47, não resistiu e morreu por volta das 3h30 da madrugada de ontem. Ela tinha problemas de hipertensão e aguardava autorização para ser transferida para a Santa Casa. A vaga não foi liberada.
Inconformado com a situação, o marido, o motorista José Natalício Souza, residente na Rua Pedro Peres, na Vila Santa Terezinha, apoiado pelos filhos, procurou a polícia para denunciar o caso. “Eles (médicos) deveriam arrumar a transferência e nada fizeram”, disse o motorista que acompanhou pessoalmente o drama da mulher. Na visão do marido e familiares, houve omissão de socorro.
O drama do casal começou pouco depois das 9 horas da manhã de terça-feira, quando a dona de casa passou a sentir falta de ar. O marido, sabendo do histórico de saúde da mulher, a levou para o pronto-socorro, onde ela foi atendida e colocada em uma maca. “Ela tinha problemas de saúde, mas estava bem quando chegou. Com o passar das horas, eu percebi que o estado dela estava se agravando”, revelou Souza, que insistia para que a mulher fosse transferida.
O atendimento à vítima foi feito por três médicos durante o período em que permaneceu no local. O marido alertou, ao longo do dia, que o estado de saúde da mulher estava piorando. “Perguntaram como eu poderia saber disso e falei que ela teve uma crise igual há seis meses, ficou internada vários dias e a mesma crise estava se repetindo, mas ninguém me ouviu”. O motorista disse que por volta da meia-noite foi comunicado que a Santa Casa havia informado a falta de vaga para a internação da mulher. Pouco depois das 3 horas da madrugada de ontem, Souza começou a gritar desesperadamente que a mulher estava morrendo. Médicos e enfermeiros tentaram reanimá-la, mas sem sucesso.
Com a morte da mulher, o motorista resolveu levar o caso ao conhecimento da polícia. “Houve descaso. Pronto-socorro não é lugar de internar ninguém. Ali deveria prestar socorro. Não deu conta, manda para outro lugar. E vou querer justiça, não por minha causa, mas para não que este absurdo não aconteça com mais ninguém”, desabafou Souza, logo após o sepultamento da mulher, ocorrido no final da tarde de ontem, no Cemitério Santo Agostinho.
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