O candidato a deputado estadual pelo PV, Cristiano Rodrigues, o Crico, foi sabatinado pelo GCN ontem. Com um discurso áspero, pautado pelas questões ambientais e muito marcado por suas convicções religiosas, disse que seu programa eco-consciente será sua marca caso eleito. A construção de ciclovias, o plantio de árvores e ações para reduzir as queimadas serão prioridades. Crico afirmou ser contra a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a progressão continuada e a ocupação de terra. Defendeu a lei que proíbe fumar em ambientes fechados. Crítico das tarifas de pedágio, foi contraditório ao falar sobre o tema.
Muito ácido desde o começo da entrevista, já na primeira pergunta, atribuiu a um erro do jornal em 2008 sua baixa votação nas urnas para prefeito. Na oportunidade, parte da edição do Comércio da Franca circulou, por um único dia, com seu número errado. Durante toda sua programação, a Rádio Difusora informou os eleitores sobre a falha de edição e o número correto do candidato. Crico recebeu nas urnas praticamente o mesmo número de votos que as pesquisas lhe atribuiam, dentro da margem de erro.
Crico disputa pela primeira vez uma eleição para deputado. Já tentou a Câmara Municipal por duas vezes e a Prefeitura há dois anos. A votação mais expressiva que obteve foi 7,1 mil votos. Apesar de reconhecer as limitações do partido, o candidato afirmou que agora as circunstâncias são diferentes. “O Partido Verde está mais divulgado no cenário nacional com a Marina Silva. Acredito muito que esta é a nossa eleição”.
Sem nunca ter ocupado um cargo eletivo, o candidato disse que a falta de experiência não será obstáculo para representar Franca. “Tenho experiência de ter sido assessor de vereador e de ter trabalhado dentro do gabinete do deputado José Paulo Tóffano”.
O candidato disse que, como deputado, espera ampliar o programa Eco-consciente, que desenvolve há dez anos com o objetivo de promover a educação ambiental. “Pretendemos levar informações, como a separação do lixo, o porque da preservação do meio ambiente e da conservação de nossas matas. É preciso discutir o meio ambiente onde nós vivemos”.
Crico defendeu a necessidade de investimento em transportes alternativos e afirmou ter ajudado na liberação de uma verba de R$ 98 mil para construir uma ciclovia entre Franca e Restinga. Disse que lutará para reduzir as queimadas no Estado e defendeu a mecanização da lavoura de cana. “A queimada deve ser abolida. É preciso o governo financiar mais equipamentos para a mecanização e investir no treinamento das pessoas para elas não ficarem sem empregos. Os usineiros ganham muito dinheiro e têm que dar a contrapartida social”.
A mesma firmeza com que defendeu as questões ambientais não foi vista ao abordar temas polêmicos. Crico derrapou quando perguntado sobre sua proposta para manter as boas condições das pistas estaduais com tarifas de pedágios mais acessíveis à população. “Precisamos rever os custos destas rodovias. Não adianta uma rodovia pintada de ouro e prata que ninguém possa trafegar. Prefiro a estrada velhinha, mais simples para a gente andar numa menor velocidade, do que ter um rodovia maravilhosa em que a gente não possa transitar”.
Crico não sentiu-se confortável ao falar sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Perguntado se mantinha a mesma opinião emitida na sabatina de 2008, quando recomendou psicólogos aos homossexuais, perdeu o controle e tentou atribuir a afirmação ao jornalista Corrêa Neves Júnior, que o rebateu na hora. Gravações da referida entrevista guardadas pela Difusora comprovam que o candidato fez as afirmações que, agora, tenta negar (leia matéria nesta página). Inquirido sobre o tema, ele disse ser contra a união civil de homossexuais por convicções religiosas.
Filiado ao PV há cinco anos, o candidato não apontou ninguém do partido como referência. Seus ídolos políticos são Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Torquato Caleiro e Hélio Palermo. Questionado sobre seu partido, ele citou a candidata à presidência, Marina Silva. “Ela me atrai muito”.