Assistir ao horário eleitoral gratuito na TV é tido, muitas vezes, como um grande momento humorístico. E, infelizmente, ele dá realmente uma mostra de que há muita gente que leva sem a menor seriedade esse que é um processo democrático de suma importância: a eleição. Dezenas de candidatos se dispõem a aparecer para milhões de pessoas com discursos ridículos ou impossíveis de se tornarem realidade. Todos, sem exceção, prometem ‘defender o povo’ - o que é usado como muleta na falta de um discurso consistente e plausível e mesmo propostas viáveis - e ‘lutar pela saúde, pela educação e pela segurança’ - como se a frase fosse um gatilho capaz de transformar qualquer um em político eficiente. Ao lado de artistas sem nenhuma consciência política, que apenas buscam se resgatar junto ao público depois de amargar merecido ostracismo, há quem ainda não conseguiu entender que política é coisa séria e cargo eletivo deve ser encarado como missão, trabalho em favor do País e dos cidadãos. Infelizmente, vemos atualmente no horário eleitoral que um número muito grande de candidatos não confere qualquer seriedade ao que fala.
Centenas levam a situação na brincadeira e há eleitores que, ainda sem a verdadeira noção do que seu voto pode determinar, acabam embarcando. Há os que fazem promessas impossíveis de serem cumpridas como salário mínimo de R$ 2.500,00 e redução de todos os impostos, e outros que investem em discursos praticamente iguais na inconsistência. Bem poucos dizem realmente o que o eleitor precisaria ouvir: propostas capazes de impedir que a eleição acabe descambando para a galhofa e o humor. Embora o eleitor brasileiro esteja a cada dia mais atento às ações que afetam a sua vida diretamente - e eleger presidente, senadores, governadores, deputados (federal e estadual), prefeitos e vereadores é uma delas -, há ainda os milhares que se deixam seduzir pelas figuras folclóricas e que estão buscando uma forma de se dar bem na vida.
Como já foi por várias vezes sugerido, o eleitor brasileiro precisa assistir ao horário eleitoral gratuito com olhar bastante crítico, procurando reconhecer os que realmente estão interessados em emprestar sua experiência e competência em favor de um país mais moderno e mais justo. A estes, o voto deve ser direcionado. Aos demais, que buscam se manter em evidência ou que pretendem ‘amarrar o burro na sombra’, uma derrota acachapante será capaz de sinalizar que a política brasileira já não os comporta, desestimulando assim outros que pretendem conseguir uma ‘boquinha’ no Legislativo. O povo brasileiro não merece continuar sendo vítima de aproveitadores que veem no mandato eletivo apenas uma fonte de renda. O contribuinte paga os impostos que garantem os salários de seus representantes e merece contar com legisladores capazes de atuar para atender aos anseios dos eleitores aos quais pediu votos.
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