Depois de 13 anos dedicada à recuperação de dependentes químicos, a Associação Proreavi (Projeto de Restauração de Vidas) resolveu mudar seu foco e trabalhar na prevenção do uso de drogas e álcool. A ideia é chegar antes que o problema se instale. A instituição está prestes a iniciar os trabalhos do projeto Angeluz. O público-alvo são crianças e adolescentes entre 12 e 16 anos que estejam envolvidos com drogas ou tenham casos de vício na família. O projeto funcionará numa casa alugada no Centro da cidade com oficinas diversas e gratuitas. A expectativa é iniciar as aulas em setembro.
Seis funcionários, entre terapeuta ocupacional, psicóloga e professores, ministrarão as oficinas de inglês, espanhol, informática e terapia ocupacional. O colombiano Ivan Castilho, que está fazendo intercâmbio em Franca, será o professor de idiomas e das oficinas motivacionais. A princípio serão oferecidas 60 vagas para atender adolescentes encaminhados pelo Conselho Tutelar e Ministério Público. “As oficinas serão motivacionais, com objetivo de mostrar para esses meninos que eles não precisam ficar nas ruas usando drogas, ociosos, que eles têm um local onde podem aprender, ser valorizados, se sentirem importantes. Se a gente não fizer algo agora, não oferecer um apoio aos jovens, eles não terão volta mais”, disse Eliana Justino, presidente da Proreavi.
Além das oficinas, será oferecido atendimento psicológico para adolescentes e familiares. A psicóloga Patrícia Giovanella avaliará a situação de cada um e fará os encaminhamentos dentro da instituição. Será um espaço para desabafarem e falarem de seus conflitos. “Vamos trabalhar a questão da agressividade, dos sentimentos, da relação com os parentes e reestruturar a família para que consiga dar suporte necessário para o adolescente viver bem”, disse Patrícia.
Segundo Eliana Justino, o projeto Angeluz será mantido com recursos do telemarketing da Associação Proreavi e outras receitas, como as obtidas com a participação na Feira da Fraternidade, bazares e jantares. “Os recursos arrecadados para manter o atendimento aos dependentes químicos na fazenda da Proreavi agora serão aplicados neste novo projeto”.
FECHADA
A Proreavi mantinha uma fazenda na região de Franca para oferecer tratamento a homens viciados em drogas e álcool. A unidade foi fechada em maio e o trabalho de recuperação extinto por falta de recursos para manter dois projetos -esse e o Angeluz. “É claro que existe uma deficiência de comunidades terapêuticas e a Proreavi com certeza irá fazer falta, mas a carência na parte de prevenção é maior. Se nada for feito, chegará um ponto em que as comunidades terapêuticas não conseguirão atender todos”, disse Eliana.