A satisfação de ser voluntário


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Integrantes do grupo Esparadrapalhaços
Integrantes do grupo Esparadrapalhaços

Todo mundo diz que a juventude tem pressa. Pressa de viver, de conhecer lugares, pessoas e principalmente de se divertir... Verdade ou não, cada vez mais eles têm dedicado seu tempo ao trabalho voluntário e às pessoas com menos oportunidades. Em Franca, segundo pesquisa informal do Se Liga nas ONGs, os jovens representam quase 45% do total e já começam a fazer a diferença na vida de muita gente.

 
O fotógrafo Levi Pridico Fanan, 24, tem compromisso fixo todos os domingos à tarde. Há sete anos, ele é voluntário do grupo Andarilhos da Luz que, através do projeto Esparadra-palhaços, visita pacientes da pediatria e da geriatria da Santa Casa de Franca. Vestidos de palhaços da saúde, o grupo leva alegria e magia aos doentes. Levi não sabe dizer ao certo como o trabalho surgiu na sua vida, a única certeza é de que ele não conseguiria mais ficar longe do voluntariado. “Chega uma hora em que você não sabe se está ajudando ou sendo ajudado em maior grau. Saber que, mesmo que por poucos momentos, você foi a diferença na vida de alguém e ajudou a diminuir uma dor física é a melhor recompensa”, conta. 
 
O grupo do qual ele faz parte tem sete anos e muitas histórias emocionantes na bagagem. Uma delas é a de um paciente que mora no CTI (Centro de Terapia Intensiva) do hospital e que espera a visita dos Andarilhos todos os domingos. “Nos tornamos próximos e aprendemos com ele que o valor da vida está simplesmente em ser feliz em qualquer circunstância. Essa é a maior recompensa”, contou.
 
Levi conta que a partir do momento em que troca de roupa e se veste de “doutor da alegria”, deixa para trás todo e qualquer problema que possa o afligir para apenas se dedicar ao outro. “O tempo em que nos doamos para alguém, sem esperar nada em troca, é o melhor possível. A inocência e a magia do palhaço transformam qualquer ambiente. Quando deixamos o quarto e percebemos que atingimos nosso objetivo é o melhor pagamento do mundo”, garante. 
Hoje, quem deseja fazer parte do grupo precisa passar por uma série de oficinas que ensinam desde biossegurança e psicologia com os pacientes, até a improvisação e o poder do riso na cura de doenças. Além disso, os Andarilhos da Luz têm a cada dois meses o que chamam de “Doida” (Dias de Oficinas Integradas do Andarilhos da Luz), uma espécie de reciclagem pelo qual passam. 

SÓ PARA FAZER O BEM
A auxiliar de coordenação Ilda Nastazi Xavier Bieli, do Grupo Educacional Veredas, mantido pelo GCN Comunicação, conta que o público jovem é cada vez mais presente no voluntariado da instituição. São eles que estão à frente de boa parte das oficinas oferecidas aos mais de 200 alunos que passam pelo local todos os meses. “Nosso público é, na maioria, como os professores - jovens - e isso os ajuda a se aproximarem ainda mais”, contou.
 
Mesmo sem conhecer o fotógrafo do Andarilhos da Luz, ela reitera o que ele diz sobre o bem de fazer a diferença na vida de alguém. “Quando você percebe que o pouco que doa é importante para o próximo, passa a prestar mais atenção ao seu redor e a querer ajudar mais e mais”. 
O professor de matemática Cleberson Marques, 23, do Veredas, conheceu a instituição quando o irmão, Anderson Marques, 27, começou a dar aulas de inglês no Grupo. Incentivado por ele, conheceu o trabalho e as crianças que fazem parte do projeto e há um ano e meio tem a mesma rotina: pelo menos duas horas da sua semana são doadas a quem, mesmo não pagando em dinheiro, retribui com o que, segundo ele, tem o maior valor: amor, carinho, amizade e gratidão. “O mundo está carente disso, mas eu acredito que, se as pessoas conhecessem o voluntariado e o quanto uma simples presença ou mesmo um sorriso podem fazer a diferença na vida das outras pessoas, elas também se doariam mais ao outro”, concluiu.
 
O Veredas tem mais de 25 oficinas, como as de matemática, português, inglês, italiano, judô, taekwondo, pintura em tela, informática, flauta, violão, massagem para terceira idade, orquestra de violão, coral e roda de leitura. Hoje, a instituição conta com 23 voluntários.

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