Um mal necessário


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Comerciantes instalados nas proximidades das obras de combate às enchentes que estão sendo erguidas no complexo Bagres/Cubatão têm reclamado da queda brutal no movimento, por conta do fechamento do tráfego em diversas ruas. As reclamações não partem apenas de quem trabalha nas Avenidas Antônio Barbosa Filho e Ismael Alonso y Alonso (que tiveram o trânsito total ou parcialmente fechado), mas chegam aos lojistas da Avenida Rio Amazonas, onde a circulação de veículos foi prejudicada de forma drástica e as lojas acabaram ficando às moscas (leia a respeito na Página A-10). As obras, que começaram no dia 21 de junho e só devem ser encerradas em meados de outubro, quando (se não houver atrasos) o tráfego deverá ser retomado plenamente em todas as ruas da região, seguem em ritmo acelerado para cumprir o objetivo de acabar com o maior transtorno vivido na região do Galo Branco: as enchentes que inundam lojas, arrastam veículos e colocam vidas em risco.


Embora os comerciantes tenham razão de reclamar contra a obra, cujas restrições ao trânsito deixaram suas lojas vazias, também demonstram ter consciência de que a realização é imprescindível para que sejam evitados problemas maiores. Espera-se que todo o trabalho consiga de fato colocar um fim definitivo ao caos verificado naquela região a cada chuva mais forte. O governo Sidnei Rocha demonstra perspicácia e coragem ao decidir fazer a obra nesse momento. Perspicácia por ter escolhido um período que não poderia lhe trazer quaisquer prejuízos político-eleitorais (embora estejamos vivendo plena campanha para eleições proporcionais, o prefeito não é candidato), conferindo-lhe a tranquilidade necessária para a conclusão do trabalho. A coragem decorre do fato de encarar o desgaste decorrente dos transtornos causados pelo fechamento das pistas. A curto prazo, porém, o prefeito ainda poderá colher dividendos, se for reconhecido como aquele que acabou com as enchentes na região do Galo Branco.
 

Além disso, deve-se destacar que Sidnei Rocha tem sorte. O tempo seco, sem chuvas, que vem sendo registrado em Franca e região, está colaborando para que o trabalho (previsto para durar até cinco meses) siga com mais celeridade, podendo até ter reduzido o prazo de conclusão. Até lá, resta aos comerciantes torcerem para que não chova, mantendo as ações de marketing que estão realizando para recuperar clientes. Do jeito que estava não poderia ficar. O transtorno de agora busca evitar outros percalços maiores como os verificados em anos anteriores. A obra é necessária para grande parcela dos comerciantes que se sentem prejudicados e como não existem paliativos que permitam amenizar os problemas atuais, o remédio é esperar. A primeira chuva forte após o término dos trabalhos é que definirá se o esforço e o desgaste deste momento terão valido a pena.

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