Por dentro da pesquisa eleitoral


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Terezinha Vasconcelos, supervisora de pesquisas do Datalink
Terezinha Vasconcelos, supervisora de pesquisas do Datalink

A última pesquisa eleitoral realizada em Franca, no início de agosto, revelou que 43% da população da cidade pretendia votar em José Serra (PSDB) para presidente da República; 28,7% em Dilma Rousseff (PT); 4,7% em Marina Silva (PV) e 0,2% em Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). O restante disse que votaria em branco, nulo ou ainda não havia se decidido. 

Mas aí você, caro leitor, se pergunta: O que a pesquisa de intenção de votos tem a ver com o Se Liga? Tudo! Nós desvendamos o passo a passo de como ela é feita, desde a escolha dos locais onde são aplicadas, até a porcentagem de margem de erro e os entrevistados para você saber exatamente como ela foi feita.
 
Uma pesquisa é sempre encomendada por um órgão, instituição ou pessoa. No caso das pesquisas publicadas pelo GCN elas são contratadas pelo grupo e custeadas com recursos próprios, provenientes do orçamento da redação. O primeiro passo, depois de definido o que se quer pesquisar, é escolher quem fará a pesquisa. A empresa precisa necessariamente, além de ter um profissional estatístico responsável, ser credenciada no Conselho Regional de Estatística. Escolhida, é hora de definir as perguntas que serão feitas. Se o tema for política, por exemplo, as perguntas normalmente são sobre intenção de voto e rejeição dos candidatos, se os entrevistados assistem ao horário eleitoral, se votam em candidatos com base em Franca etc. É preciso escolher também se o questionário será aplicado nas ruas ou em residências.
No caso da pesquisa de política realizada pelo Datalink, cada entrevistado, ao responder as perguntas - sobre sua intenção de votos, por exemplo -, recebe um disco com o nome de todos os candidatos, para que o pesquisador não o influencie ao falar por ordem o nome dos políticos.
 
Outro ponto importante é definir a margem de erro da análise - quanto mais pessoas entrevistadas, menor é a possibilidade de erro. Segundo Raphael Ferreira de Barros Filho, coordenador técnico da Datalink Pesquisas de Mercado e Opinião, 5% para mais ou para menos é um número padrão aceitável em pesquisas eleitorais. 
 
Estatisticamente, um cálculo é realizado para saber quantas pessoas precisarão responder o questionário para que o resultado final tenha 95% de confiabilidade. No caso de Franca, são 400 entrevistados. Este número é definido,  através de um programa de computador, de acordo com o universo da pesquisa - número de eleito-res -, margem de erro e probabilidade de acerto. Quanto menor a margem de erro pretendida, maior deve ser o número de entrevistados. “Sendo estatística e não números absolutos é normal ter essa margem de erro. Ela acontece porque não entrevistamos todos os eleitores, mas uma parte que os representa. Assim, existe um erro amostral e calculado especificamente para cada pesquisa. O nosso é de 5%”, garante Raphael. 
 
Em seguida, de acordo com o número de eleitores divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral por cidade, a empresa define quantos homens, quantas mulheres, a faixa etária e a escolaridade de quem responderá a pergunta. A classe social também é pré-estabelecida, segundo dados do Índice de Potencial de Consumo. A expectativa é de que as 400 pessoas que respondam ao questionário representem o mais próximo possível o universo total de eleitores da cidade. Após a aplicação das perguntas, 20% delas são rechecadas pela supervisão de pesquisa, para garantir que os dados estejam corretos.
 
Os bairros que respondem às questões são definidos por sorteio, sendo dois de cada região da cidade: centro, norte, sul, leste e oeste. Em cada questionário é preciso constar todas as informações sobre o entrevistado, mas somente uma autoridade, como um juiz, por exemplo, pode ter acesso a esses documentos. No caso do Datalink, para aplicar o questionário (que leva de sete a 12 minutos para ser respondido) seis pesquisadores, um supervisor e um motorista trabalham, em média, durante sete dias. 
 
Ao final do trabalho, o resultado, que é tabulado percentualmente, precisa ser registrado no Tribunal Superior Eleitoral, se for para eleições federais, e no Tribunal Regional Eleitoral, se forem disputas municipais ou estaduais. Os resultados ficam à disposição de quem quiser consultá-los.
 
Para publicar os dados de uma pesquisa eleitoral, o veículo de informação é obrigado a fornecer todos os dados dela. No caso do levantamento que abriu essa matéria, ela foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número 23180/ 2010, ouviu 400 eleitores em Franca com 16 anos ou mais, em dez bairros das regiões norte, sul, leste, oeste e centro, entre os dias 6 e 11 de agosto. A margem de erro é de 4,9% para cima ou para baixo.

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