‘Sou a favor de uma ampla reforma no Estado’


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FIRME E DIRETO - Durante mais de uma hora, o candidato ao governo do Estado pelo PSOL, Paulo Bufalo, defendeu suas propostas no GCN Comunicação
FIRME E DIRETO - Durante mais de uma hora, o candidato ao governo do Estado pelo PSOL, Paulo Bufalo, defendeu suas propostas no GCN Comunicação

O candidato do PSOL ao governo do Estado, Paulo Bufalo, foi sabatinado pelo GCN Comunicação na última quarta-feira, 25 de agosto. Durante aproximadamente uma hora e meia, Bufalo teve a oportunidade de expor suas principais propostas e não poupou críticas às políticas públicas adotadas pelo governo tucano. Bufalo foi incisivo ao defender a reforma agrária e urbana, a instauração de um novo modelo de educação para o estado e o fim da política de privatizações. Apesar de ser católico, o candidato não titubeou ao defender o união civil de homossexuais com a possibilidade, inclusive, de adoção de crianças por parte dos casais homossexuais.

*Clique aqui para assistir à sabatina.


Na tarde de quinta-feira, uma decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) indeferiu o pedido de registro feito por Aldo Josias dos Santos, candidato a vice-governador junto com Bufalo. Como a chapa é indivísivel, Bufalo também acabou inelegível, mesmo não pesando nada contra ele. Da decisão ainda cabe recurso.



PRIMEIRO BLOCO

GCN Comunicação - Por que o senhor quer ser governador de São Paulo?
Paulo Bufalo -
Eu represento um projeto coletivo do PSOL. Nós temos procurado, nas nossas andanças, nos nossos debates com os pequenos, médios e grandes meios de comunicação levar o programa do PSOL e essencialmente falar do combate às desigualdades sociais que, para nós, atingem toda a vida da população. Quero ser governador de São Paulo justamente para combater essas desigualdades nas políticas onde elas se manifestam.
 

GCN - Em sua vida pública, o senhor participou de cinco eleições. Foram duas para vereador, uma para prefeito em Campinas e duas eleições para deputado. Sua votação mais expressiva foi 17 mil votos. Como o senhor espera alcançar os votos necessários para se eleger governador?
Paulo Bufalo -
Em todas essas eleições, nós participamos a partir de uma construção coletiva, não foi uma decisão pessoal do Paulo Bufalo que se apresentou, mas foi uma decisão coletiva. Nesse momento, nós entendemos que o projeto do PSOL constitui a novidade e a diferença nesse processo eleitoral. Diante da mesmice dos demais candidatos, o PSOL se apresenta com cara própria, sem financiamento privado de campanha, com a própria iniciativa dos seus militantes, de forma generosa, estando nas ruas e se apresentando. Trazendo para a população a real dificuldade, que é o muro que separa aqueles que são muito ricos daqueles que não têm nada no nosso Estado.
 

GCN - Até o dia 3 de agosto, segundo a prestação de contas apresentada à justiça eleitoral, sua campanha contava apenas com R$ 5,5 mil em doações. Dá para construir uma candidatura vitoriosa com tão poucos recursos?
Paulo Bufalo -
É justamente por isso que nós estamos chamando o povo de São Paulo, quem vive no cotidiano as condições de precariedade das políticas públicas, a marchar conosco. É por isso que nós chamamos as pessoas de maneira generosa a vir fazer parte da nossa campanha.
 

GCN - O senhor foi vereador por dois mandatos em Campinas, sua única experiência pública em cargos eletivos. O senhor acredita que é suficiente para governar São Paulo?
Paulo Bufalo -
Sem sombra de dúvidas. Além disso, eu sou um profissional de outra área, sou engenheiro, sou professor, sou mestre em educação, sinto na pele aquilo que está acontecendo na educação pública do Estado. Considero que essa experiência no Legislativo e minha experiência profissional, de vida e de militância, me respaldam a governar este Estado.
 

GCN - O senhor disse recentemente que é o único que representa “o novo”. Que diferença substancial existe entre o senhor e os outros candidatos ao governo?
Paulo Bufalo -
Eu sou mais jovem, sou de esquerda, a única candidatura de esquerda, e os outros estão todos envolvidos no campo institucional.



SEGUNDO BLOCO

GCN - O senhor é professor de escola pública e um dos críticos à progressão continuada que mais de uma década é o sistema vigente nas escolas paulistas. Se eleito, o senhor pretende reavaliar este sistema? Vai mudar?
Paulo Bufalo -
Só quero voltar à questão do bloco anterior e comentar que tenho feito debate com os seis candidatos que a lei permite que estejam nos debates. O PV, o PSB e PP de São Paulo compõem uma base de sustentação do PSDB. Em nível nacional, compõem uma base de sustentação do PT. Ao mesmo tempo, PT e PSDB, nas últimas eleições, fizeram coligações em 1000 cidades. Isso significa que é um verdadeiro balaio de gato, isso nos diferencia dos demais.
Com relação a essa questão da educação, eu, que sou professor de escola pública, quero comentar a progressão continuada, porque lamentavelmente se apropriaram de um conceito lá do Paulo Freire para colocar em São Paulo a aprovação automática. E a aprovação automática significa o que? Reduzir aquilo que para eles é custo, porque empurrar o aluno para frente significa impedir, por exemplo, que esse aluno tivesse uma repetência e ficasse mais um ano gerando isso que eles consideram custo. Como nós achamos que educação é investimento, nós vamos superar e eliminar a aprovação automática. Nós queremos voltar a um método pedagógico que permita a avaliação contínua, para isso nós precisamos de professor bem pago, professor com capacitação continuada, com carreira e salas que não estejam superlotadas.
 

GCN - O senhor, como especialista em educação, acredita que a prova ainda é um método de avaliação necessário e que a reprovação para aquele que não aprendeu é um alternativa possível?
Paulo Bufalo -
É uma alternativa possível, porém a prova não pode ser o mediador do sucesso ou do insucesso, porque isso expulsa alunos da escola também. Nós precisamos de um método pedagógico de avaliação contínua.
 

GCN - Qual é a proposta que o senhor apresenta?
Paulo Bufalo -
A proposta é que nós tenhamos um método pedagógico com um número de alunos suficientes para que o professor vá avaliando, vá construindo conhecimentos a partir da realidade dos alunos e que permita que eles sejam avaliados progressivamente no seu desempenho. Evidente que, se chegar ao final desse processo e esse aluno não tiver condições de seguir para uma série seguinte, a escola precisa estar preparada com um método pedagógico para acolher esse aluno.
 

GCN - Em Franca, há 3 anos nós denunciamos a história do TJB, um garoto que chegava aos 14 anos completamente analfabeto, sem conseguir ler, nem escrever ou se expressar. Como barrar esse tipo de coisa?
Paulo Bufalo -
Tem que haver um método pedagógico que possa acolher esse aluno e que possa supri-lo daquilo que ele necessita para poder progredir, não só na educação, mas também na sua vida. Então, essa é que é a ideia.
 

GCN - Hoje, em tese, é feito isso. Em tese, o aluno segue para o próximo ano e deveria ter supridas as deficiências que ele trouxe, mas isso não acontece. O senhor propõe que seja feito o contrário, ele fica retido até suprir as deficiências?
Paulo Bufalo -
Se necessário sim. Esse é um divisor de águas. Quando eu falei das desigualdades sociais, existe uma distinção da escola para filhos e filhas da classe trabalhadora e a escola para os filhos dos ricos. Nós precisamos recuperar a educação pública e, como especialista na área, quero dizer que vou priorizar.
 

GCN - O senhor é contra ou a favor da política de bônus financeiro oferecidos pelo governo do estado aos professores como medida de incentivo?
Paulo Bufalo -
O equívoco é a gente achar que é medida de incentivo, porque o bônus é punição, lamentavelmente. O que nós precisamos? Trabalhador motivado. É preciso que ele tenha salário, carreira, formação continuada e eu quero lembrar que nós tínhamos uma escola de excelência no Estado de São Paulo de formação do magistério, que eram os Cefams. Em 2001, o candidato que hoje concorre comigo, então governador Geraldo Alckmin, anunciou o fechamento dos Cefams. Fecharam e deixaram São Paulo sem essa estrutura de formação para o magistério. A bonificação não motiva. Como o bônus é dado para a escola que tem o melhor desempenho, agora já tem escola de formação de educadores que vai formar seus alunos para participar das provas, porque se a escola tiver melhor desempenho o valor do bônus cresce. Isso é um crime com a educação.
 

GCN - Como se distingue sem o bônus um professor mais dedicado de um menos dedicado?
Paulo Bufalo -
Os professores são dedicados. Qualquer profissional, se ele for bem remunerado, se tiver uma carreira, se ele conseguir enxergar que vai progredir e vai ter uma aposentadoria digna, esse trabalhador vai estar dedicado e vai fazer seu trabalho da melhor maneira possível. O servidor público precisa de formação continuada, precisa de carreira, precisa de salário digno, precisa de um vale-alimentação digno.
 

GCN - Ao longo de sua campanha, o senhor tem falado muito sobre educação e saúde. Mas muito pouco sobre segurança pública, reconhecidamente um dos problemas mais graves de São Paulo. Segurança pública não é uma prioridade para o senhor?
Paulo Bufalo -
De maneira nenhuma. Nós olhamos para a segurança pública e vemos, sem sombra de dúvidas, a necessidade da valorização do trabalhador da segurança pública, então melhores salários para que ele não tenha que fazer bico, para que ele não fique vulnerável a ser abordado por outros meios, pelo crime organizado inclusive. É preciso pagar melhor os trabalhadores do sistema prisional, para que eles sejam mais humanos inclusive no tratamento nos presídios, mas nós não olhamos para a segurança pública com a ideia de aumentar a violência e a repressão. Nós olhamos para a segurança pública pensando que é preciso ampliar direitos e ampliar a cidadania através da educação dos jovens para evitar que amanhã ele seja abordado e aliciado pelo crime.
 

GCN - Essa medida do senhor é para efeito de médio ou longo prazo, não gera resultados instantâneos. Imediatamente, o que o senhor faria em relação à segurança?
Paulo Bufalo -
Possivelmente a gente precise pagar melhor os trabalhadores da segurança e do sistema prisional e quero defender também a questão das defensorias no próximo bloco.



TERCEIRO BLOCO

GCN - Policiais civis e militares reclamam constantemente dos baixos salários e o senhor mesmo estava criticando as deficiências de remuneração. Qual a sua proposta para essa área? E eu gostaria que o senhor concluísse seu raciocínio sobre defensorias públicas.
Paulo Bufalo -
Em relação aos policiais, nós temos uma das piores situações do país. Naturalmente, esse trabalhador para sustentar sua família acaba buscando outras alternativas. Para evitar que isso aconteça, nossa bancada tem feito inclusive um esforço para debater isso no Congresso Nacional, buscando articular votação para que tenhamos um piso da segurança pública. No Estado de São Paulo nós precisamos assumir a responsabilidade. Com relação ao tema anterior, fiz questão inclusive de passar hoje pela manhã na cadeia do Jardim Guanabara e acompanhar um pouco o que tem sido tratado ainda naquela cadeia. Fomos informados que os presos estão sendo transferidos para um CDP, inaugurado em abril. Eu quero dizer para a população que a média de superlotação em São Paulo é da ordem de 120% a 150% a mais. Além disso, cerca de 50% das pessoas que estão detidas elas não foram sequer julgadas, algumas já cumpriram pena e não foram julgadas. O Estado de São Paulo não implantou a defensoria pública em todo o Estado, levou 12 anos para criar as primeiras. É preciso criar a defensoria porque ela pode defender essa pessoa e pode também garantir o direito social na luta por moradia, para melhorar as condições.
 

GCN - Paulo Skaf e Aloizio Mercadante, também candidatos ao governo, reclamam do alto valor pago nos pedágios e apresentam propostas para reduzir as tarifas ou devolver parte do valor pago ao contribuinte por meio do IPVA. Qual a opinião do senhor sobre esse assunto?
Paulo Bufalo -
O candidato Skaf constata que as concessionárias ganharam muito mais do que os bancos e diz que vai compensar devolvendo um pouco pelo IPVA. O candidato Mercadante defende outro modelo, diz que o modelo federal é bacana. O problema é que em São Paulo paga-se caro nos pedágios. Então nenhum dos dois modelos serve. Nós defendemos revisão de contratos, defendemos que o Estado vá progressivamente assumindo a gestão pública das rodovias e do transporte. O custo do pedágio encarece a vida daqueles que têm carro e daqueles que não têm, é o alimento, a produção, tudo encarece, tudo é onerado pelos custos do pedágio. Por isso, nós vamos mudar, retomando para o Estado o papel de gestão das rodovias e de gestão das taxas também.
 

GCN - Guias especializados apontam as rodovias paulistas como as melhores do país. Oito das 10 melhores estão localizadas em São Paulo. O pedágio não é o preço da boa estrada?
Paulo Bufalo -
O método de privatização para rodovia, para saúde, para energia foi como? Sucateia, oferece um serviço de péssima qualidade para a população e aí no lugar disso oferece o que? A privatização, a entrega ao mercado. Isso é uma combinação de má gestão e de compromisso com o mercado e não com o cidadão. Por isso, nós queremos qualidade. Agora, só o valor das outorgas seria suficiente para gerir bem, ter qualidade nas estradas e atender bem a população com baixo custo.
 

GCN - Se fosse fácil, por que esse sistema não funciona em nenhum outro estado do Brasil? São estados administrados pelos mais diferentes governadores, mas o fato é que em nenhum estado há boa estrada, com exceção de São Paulo e uma ou outra no sul do Brasil. O que acontece?
Paulo Bufalo -
Eu acabei de falar anteriormente que há um alinhamento de projeto no Brasil e consequentemente nos estados. É por isso que nós somos a diferença, por isso que nós estamos apontando a raiz do problema, às vezes nos chamam de radicais, mas nós estamos apontando a raiz do problema. Sem mudar essa situação, sem mudar essa forma de gestão, se não tirar o foco do mercado e voltar a ser no direito do cidadão nós não temos condição de enfrentar isso.
 

GCN - Uma das maiores reivindicações do SindiFranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) é a redução gradativa do ICMS de 12% para 7%. O senhor acredita que seja possível essa desoneração?
Paulo Bufalo -
Eu acredito que é possível uma desoneração do setor produtivo, acredito que essas medidas em relação aos pedágios já desonera diretamente. Agora, do ponto de vista de reforma fiscal, nós olhamos um dado concreto. Primeiro lugar, um cidadão que ganha até três salários mínimos compromete até 43% da sua renda com impostos. Um cidadão que ganha mais de 30 salários mínimos compromete 23% da sua renda. Isso não é possível. Nós temos uma estrutura tributária que faz com que eu compre uma dúzia de ovos pague igualmente o mesmo imposto de um grande empresário. Nós temos que mudar esse sistema tributário, por isso nós pensamos em uma reforma tributária que seja progressiva. Nesse sentido, nós vamos pensar em desonerar, em gerar empregos, mas não entrando em guerra fiscal.
 

GCN - O presidente Lula declarou recentemente em uma entrevista que considera a carga tributária brasileira adequada. O senhor concorda? O senhor aumentaria os impostos ou o senhor reduziria os impostos sobre a produção e o salário?
Paulo Bufalo -
Volto a dizer, os impostos precisam ser progressivos sobre grandes fortunas, nós não podemos entrar nessa lógica de fazermos essa crítica, mas na hora de tomar a decisão do que é prioridade, por exemplo na questão da dívida pública, o governo federal destinar 35% daquilo que ele arrecada com impostos para pagar serviços de uma dívida ilegal e 2,88% para educação. Estou fazendo essa constatação para dizer o seguinte: esse tema de desonerar produção, precisa ver se é de fato a questão tributária que está onerando essa produção ou se são os lucros exorbitantes de alguns setores do nosso país.



QUARTO BLOCO

GCN - Sempre que crimes hediondos abalam o país, como os casos que envolvem Eliza e Mércia, supostamente mortas por seus namorados, ganha força a questão da adequação das penas no Brasil. O senhor é contra ou a favor da pena de morte?
Paulo Bufalo -
Sou totalmente contrário à pena de morte, embora reconheça que o nosso sistema prisional já signifique uma pena de morte sem estar institucionalizada. Somos contrários à pena de morte e queremos combater toda violação de direitos humanos contra todas pessoas.
 

GCN - O senhor acredita que mesmo um autor de crime hediondo pode se recuperar?
Paulo Bufalo -
Sem dúvida. Nós precisamos acreditar nisso, porque como socialistas e libertários, nós somos por princípio humanistas.
 

GCN - No caso da Eliza, ela foi morta a pancada, depois foi desossada, seus restos foram jogados para cachorros comerem e provavelmente o que sobrou disso tudo foi acimentado em uma parede qualquer. O senhor acha que quem fez isso é um ser humano capaz de ser recuperado?
Paulo Bufalo -
Como princípio humanista, nós acreditamos que as pessoas não nascem más, elas nascem boas. Há uma sociedade que trabalha valores, que faz com que as pessoas formem-se. Justamente por isso nós defendemos uma sociedade com base em outros valores. E dizer também em relação ao crime hediondo que há um outro aspecto que precisa ser avaliado nesses crimes, que é o machismo por exemplo que impera na nossa sociedade e que o próprio estado não faz esforço para atender a mulher quando ela faz uma denúncia. Por isso nós falamos em combater o machismo como iniciativa do Estado.
 

GCN - O senhor defendeu que o homem nasce bom e que é um conjunto de valores eventualmente deturpados que o transformam em outra coisa ao longo da vida. Mas países socialistas como Cuba e Coréia do Norte mantêm sistemas prisionais por longo prazo e também penas de morte. O que deu errado nesses lugares se o homem nasce bom e o sistema é socialista?
Paulo Bufalo -
Não há modelo socialista que seja transplantado para outra situação. Nós somos defensores, assim como Florestan Fernandes, Paulo Freire, somos defensores da “revolução brasileira”. Nós avaliamos que a partir da nossa cultura, a partir dos valores impostos a nossa sociedade, nós precisamos fazer esse processo e conduzir para uma construção societária que aponte para o socialismo. Se eu tivesse que apontar aqui qual modelo então nós adotaríamos, o modelo que durou pouco tempo, mas foi na Comuna de Paris. Agora, o que eu tenho a dizer é que não é possível a gente olhar para o capitalismo e achar que ele deu certo nesse aspecto, que é justamente ele que prega esse valor da intolerância, prega o valor da concorrência a qualquer custo e acaba levando a isso.
 

GCN - O debate sobre o avanço das drogas ilícitas, como a maconha e a cocaína e especialmente o crack, é intenso. Há quem defenda a liberação do consumo de algumas drogas como meio de combater e enfraquecer o tráfico. Qual a sua opinião sobre o tema?
Paulo Bufalo -
O processo de criminalização do usuário de drogas não está sendo eficaz para que a gente reduza o consumo de drogas ou as novas tecnologias que geram outras drogas. Primeiro lugar, é preciso combater o fabricante dessas drogas e é preciso combater o grande traficante que vive com os recursos dessa comercialização e para isso nós precisamos de inteligência na polícia e precisamos enfrentar essa situação. O usuário dessas drogas precisa ser tratado como um caso de saúde pública, dar o atendimento para que ele possa buscar a desintoxicação, a superação desse vício.
 

GCN - Mas no Brasil ninguém pode ser obrigado a ser tratado contra a sua vontade. O senhor acha que só no convencimento é suficiente? O senhor consegue convencer um dependente químico a se tratar?
Paulo Bufalo -
Não se trata só de um convencimento. É preciso ter um tratamento inter-setorial, que envolve a questão da saúde mental dessa pessoa. E nós avançamos demais, nós somos referência no tratamento de saúde mental internacionalmente, avançamos, saímos dos manicômios, então há capacidade na saúde mental, há métodos na educação desenvolvido para acolher, há então tecnologia desenvolvida para poder levar esse jovem, esse adolescente, esse adulto até a superação.
 

GCN - O Plínio de Arruda Sampaio, candidato à presidência pelo PSOL, disse que não vê mal nenhum em um baseado. O senhor concorda com ele?
Paulo Bufalo -
Plínio de Arruda fala exatamente isso porque ele defende a descriminalização desse processo e o tratamento dessas pessoas. Então, é nesse sentido que o Plínio fala na questão do baseado.
 

GCN - Qual é a opinião do senhor sobre o projeto de lei que proíbe palmadas, beliscões e castigos físicos em crianças e adolescentes?
Paulo Bufalo -
Eu tive a militância desde o princípio, antes de ser vereador na cidade de Campinas, sempre ligada à questão da infância. Ajudei a formular, ainda muito jovem, idéias que foram remetidas e acabaram consolidadas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Avalio que esse projeto de lei precisa ser implementado, porque na verdade o princípio fundamental desse projeto é a cultura da tolerância, da educação, da acolhida em detrimento da cultura da violência, do adulto que impõe a sua posição. Eu sou um defensor desse projeto.

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