Capitão Lídio mostra firmeza e promete trabalhar contra as drogas


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FIRME - Bom orador e bem preparado, Capitão Lidio defendeu suas propostas de forma clara e objetiva durante a sabatina do GCN Comunicação
FIRME - Bom orador e bem preparado, Capitão Lidio defendeu suas propostas de forma clara e objetiva durante a sabatina do GCN Comunicação

O candidato a deputado estadual Lídio Guariglia Costa Júnior, o Capitão Lídio, (PSC), mostrou firmeza em suas repostas durante a sabatina no auditório do GCN Comunicação realizada na última terça-feira, dia 24. O capitão defendeu a lei antifumo, a progressão continuada na educação e ainda se declarou absolutamente contrário à liberação ou descriminalização do uso da maconha. Lídio afirmou que quer melhorar as condições de vida dos policiais e também das camadas mais pobres da população que vivem na periferia. Uma de suas principais bandeiras é a construção de um centro de reabilitação em Franca para jovens dependentes. Como especialista em segurança, o candidato considera que é fundamental a recuperação dos jovens que se perdem nas drogas. No final de sua sabatina, Lídio, que tem uma filha que já foi dependente química, fez um desabafo e pediu para que Aguinaldo Pereira, pai de um rapaz também viciado cujo drama foi noticiado pelo Comércio em agosto, não desista de seu filho.

*Clique aqui e assista à sabatina.

PRIMEIRO BLOCO

GCN Comunicação - Por que o senhor quer ser deputado estadual?
Capitão Lídio -
Nós nos colocamos como uma alternativa. Escolhemos Franca principalmente porque tínhamos aqui um grande amigo, que é o nosso comandante, o tenente coronel Brandão. Quando tive a oportunidade de escolher entre as diversas unidades da Polícia Militar, eu não hesitei em vir para Franca. Não conhecia a cidade, mas acabei bebendo da água (da careta) e hoje estou aqui, humildemente, me colocando como uma opção dentre tantos bons candidatos que a cidade e a região possuem.
 
GCN - Até essas eleições, o senhor nunca havia se filiado a um partido político e também nunca concorreu a um cargo eletivo. Não é prematuro começar por uma disputa para a Assembleia Legislativa?
Capitão Lídio -
Eu entendo que não. Na verdade, a vida é feita de oportunidades. Talvez se tivéssemos recebido esse convite (para disputar as eleições) há 15 ou 20 anos, não teríamos a maturidade suficiente para tratarmos de assuntos tão importantes. Entendo que hoje estamos preparados, mais conscientes e com uma visão mais tranquila da vida.
 
GCN - O senhor se diz um candidato de Franca. Mas nos 22 dias de campanha eleitoral, em apenas um  esteve na cidade. Como espera conquistar a confiança do eleitorado francano?
Capitão Lídio -
É verdade, esse é um problema que temos enfrentado e faço aqui um mea culpa. A nossa campanha não recebeu até agora um único centavo de donativos. Gostaria de lembrar que a estrutura que eu tinha à disposição aqui em Franca me foi retirada pela Polícia Militar. A partir do momento que houve a descompatibilização das minhas funções como policial militar, acabei me desligando temporariamente da cidade de Franca, mas apenas o tempo suficiente para criarmos uma estrutura, para podermos voltar.
 
GCN - Qual é a base eleitoral do senhor: Franca, Araraquara ou a Polícia Militar?
Capitão Lídio -
Nenhuma em particular. A Polícia Militar não vem sendo tão bem representada quanto deveria. Então, a Polícia de uma maneira geral é sim o nosso objetivo, mas não especificamente. A cidade de Araraquara é onde estão hoje os meus filhos e onde posso contar com um mínimo de estrutura. Eu gostaria de ter uma estrutura minimamente razoável para poder estar em Franca, eu peço desculpas.
 
GCN - O senhor morou em Franca menos de um ano. O senhor acredita que conhece a fundo as prioridades do município? Tem condições de defendê-las na Assembleia?
Capitão Lídio -
Não acho que tenho todas as condições, mas também não pretendo trabalhar na Assembleia e representar a cidade e região sozinho. Conto com amigos que têm uma história muito bonita aqui nesta cidade e é com eles que espero construir as propostas que atendam aos anseios da população.
 
 
 
SEGUNDO BLOCO
GCN - Um tema sempre debatido, principalmente em épocas de campanha eleitoral, é o sistema de progressão continuada instalado no Estado de São Paulo pelo governo do PSDB. Como o senhor avalia este sistema?
Capitão Lídio -
Primeiramente eu gostaria de fazer uma correção. O sistema de progressão continuada não é do PSDB. Esse programa foi colocado em experiência e depois permaneceu na rede pública municipal em São Paulo na época do governo de Luiza Erundina (à época, integrante do PT) com ajuda de Paulo Freire. Quando a Marta Suplicy (também do PT) assumiu, esse sistema permaneceu e o PSDB, aí sim, por meio da Secretaria Estadual de Educação, manteve o sistema buscando sobretudo evitar o abandono escolar. E  sabemos que hoje, no sistema de estudo, se houver uma repetência, você tira o pouco de incentivo que o jovem tem de estar dentro da escola. Então, se a progressão continuada significa manter o aluno e o interesse dele dentro da escola, evitando que ele se afaste por ser reprovado, eu prefiro que ele esteja dentro da escola. Então, não me parece justo que agora se condene a questão da progressão continuada nas escolas.
 
GCN - O senhor tem razão quando diz que a origem pode não ser o PSDB, mas o fato é que a progressão continuada foi consagrada pela secretária Rose Neubauer durante seus muitos anos à frente da Secretaria da Educação em São Paulo. E aí vem essa questão. Aliás, isso acontece muito no Brasil, essa premissa de que tudo funciona, de que tudo é lindo. Isso não é um equívoco? Por exemplo, o método do Paulo Freire é bonito na teoria, mas na prática crianças semi-analfabetas estão sendo aprovadas e muitas delas chegando à universidade. Não é esse o problema?
Capitão Lídio -
Concordo com você, há alunos chegando à universidade sem condições e se formando sem saber nada. Me parece que o que devemos fazer é promover menos as universidades e investirmos mais na formação técnica. É isso que precisamos. Menos tempo de universidade, mais formação técnica. Defendemos escolas técnicas em abundância dentro da realidade e necessidade de cada cidade e de cada região.
 
GCN - O senhor  disse que prefere um aluno dentro da escola ainda que ele seja continuamente progredido sem saber, que é melhor do que ele estar na rua. Mas não é melhor trocar o nome de escola para depósito já que a escola é onde o aluno deveria aprender e não é o que a gente vê hoje?
Capitão Lídio -
Se você quiser colocar esse nome, você tem toda liberdade, eu não colocaria. Eu acho que a escola é um local maravilhoso, pelo menos deveria ser.
 
GCN - Mas é maravilhoso hoje?
Capitão Lídio -
Em alguns lugares sim, talvez em outros não. Porque nós não podemos debitar na conta da escola os problemas que nós temos enfrentado. Eu verifiquei que o jovem que causa problema na escola é o jovem que vem de um lar desestruturado, que não tem atenção do pai nem da mãe. A escola é o local onde esses conflitos afloram, mas a escola não é a única responsável pelo problema da falta de aptidão ou da falta de identificação do aluno com o professor. Os professores também são responsáveis.
 
GCN - Mas não é exatamente esse o problema? A realidade não é muito dife-rente da teoria? Como um professor vai enfrentar um aluno? Ele vai apanhar!
Capitão Lídio -
Toda realidade é diferente da teoria, mas nós temos que fazer esse esforço, porque,  na medida que você resgata um aluno que todos pensavam que não tinha mais condições, você evita que amanhã com uma arma ele cause uma desgraça. Então, prefiro que ele esteja em um ambiente escolar, que ele seja identificado, acompanhado. É isso que defendemos.
 
GCN - Nós gostaríamos que o senhor falasse também sobre as recentes leis que foram criadas em São Paulo com a justificativa de proteger ou incentivar a saúde pública, como a lei antifumo que proíbe o cidadão de fumar em locais de aglomeração. Qual a posição do senhor a respeito?
Capitão Lídio -
A saúde é um direito de todos e um dever do Estado. O Estado pode interferir e deve. Os números falam por si só. No mundo, 4,9 milhões de pessoas morrem por ano vítima dos efeitos do uso do tabaco. Eu não defenderia uma lei que proibisse todas as pessoas de fumar, cada um tem o direito de fazer o que quer com o corpo, inclusive destruí-lo. Mas eu não acho que as pessoas têm direito de destruir a vida dos outros.
 
GCN - Paulo Skaf e Aloizio Mercadante, candidatos da oposição, reclamam do alto valor dos pedágios e apresentam propostas para reduzir as tarifas. Uma delas é devolver parte do valor ao contribuinte por meio do IPVA. Qual a opinião do senhor a respeito da tarifa dos pedágios nas estradas paulistas?
Capitão Lídio -
Depois que se coloca o ovo em pé fica mais fácil de nós criticarmos. Todos aqui, pelo menos aqueles que têm mais de 40 anos, pegaram as estradas de São Paulo em péssimas condições. Eu sou a favor de cumprimento de contratos. Se o contrato assinado entre o governo do Estado e concessionárias prevê a revisão de custos, inclusive baixar esses valores, sou a favor. Se não tiver uma cláusula que permita,  recomendo que se faça uma análise jurídica porque isso incorre em diversas responsabilidades.
 
 
 
TERCEIRO BLOCO
GCN - O senhor declarou em uma entrevista que acha Franca uma cidade segura e que isto é fruto da atuação dos homens públicos da cidade. Se os políticos que representam a cidade estão trabalhando adequadamente, por que então mudá-los?
Capitão Lídio -
Nós sempre podemos mudar e para melhor. Essa pelo menos deveria ser a nossa visão. A questão da segurança pública não é só responsabilidade dos órgãos de segurança, mas é fruto de um contexto. Nem tudo envolvendo segurança pública é apenas atribuição das polícias. É sobretudo participação da classe política. Nós temos que estar preocupados com o que está acontecendo nos bairros, temos que dar opção de lazer para essa molecada. Não é possível que esses jovens fiquem nas ruas sem ter onde ir.
 
GCN - Então Franca é segura ou não é segura para o senhor?
Capitão Lídio -
É segura, mas poderia ser melhor. Franca, que ainda não está em uma situação ideal, está muito melhor do que muitos lugares. Mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido.
 
GCN - O senhor foi um dos maiores apoiadores do Proerd, o programa da Polícia Militar que pretende diminuir o uso de drogas. O senhor acredita na eficácia desse tipo de iniciativa?
Capitão Lídio -
Acredito em qualquer iniciativa. O Proerd é uma tentativa que a Polícia Militar colocou à disposição da comunidade, é um pedido, um anseio, a exemplo do que acontece em outros países, sobretudo nos Estados Unidos. Nós temos que defender a família, não é normal que as pessoas fumem maconha, não é normal que as pessoas se embriaguem, jovens se embriaguem, nós estamos comprometendo nosso futuro.
 
GCN - O senhor citou o exemplo americano. Cabe lembrar também que lá as punições são severas inclusive para menores de idade. Lá não tem conversa, transgrediu a lei vai para a cadeia, dirigiu embriagado vai para a cadeia, matou alguém - na maioria dos estados - é condenado à morte. São valores com os quais o senhor compactua?
Capitão Lídio -
Em um país como o nosso, onde as pessoas são divididas e valem pelo que têm, acho pouco provável que leis duras consigam alcançar determinadas fatias da população. Tenho medo de que a lei seja usada apenas para os pequenos.
 
GCN - Mas não é um contra-senso? Desejamos que as coisas estejam bem, mas não queremos punir. Nos Estados Unidos, por exemplo, se disser para alguém que um menor de 16 ou 17 anos não pode ser punido vão rir do senhor. É o que acontece no Brasil. O sujeito que mata 10 pessoas e tem 17 anos, aos 18 sairá da cadeia. Não é um contra-senso?
Capitão Lídio -
Contra-senso é colocar um jovem dentro de uma cadeia sem saber o perfil psicológico dele. Estou dizendo porque passei por essa experiência. Quando era integrante da Rota, eu passei pela antiga Febem e verifiquei o estado em que os jovens eram colocados. Menores colocados com maiores sofriam violência sexual. Eles disseram isso. Eram explorados por funcionários, sofriam violência, não tinham chuveiro...
 
GCN - Mas então nós vamos ter que votar ao pecado original de Adão e Eva, porque tudo tem uma justificativa.
Capitão Lídio -
Não existe justificativa para a violência, não pode haver justificativa para a violência. Agora eu posso dizer para você, eu já fui um adepto de que bandido bom era bandido morto, hoje não sou mais, porque nós temos que recuperar.
 
GCN - Mas o senhor acha que alguém que pega uma mulher junto com o seu filho, mata na pancada, desossa, dá para um cachorro comer é recuperável?
Capitão Lídio -
Eu acho que em determinados casos não. Às vezes a pessoa é portadora de uma psicopatia. Mas o senhor está falando de um caso, de uma situação. Se for identificado no indivíduo que ele é um psicopata, até a aplicação da pena para ele será diferente do que a de um cidadão comum.
 
GCN - No dia 2 de outubro de 1992, a rebelião dos presidiários do pavilhão 9, da Casa de Detenção do Carandiru, foi reprimida pela invasão de tropas da Polícia Militar, resultando na morte de 111 pessoas. O senhor fez parte da equipe policial que esteve no local. Como o senhor avalia a atitude policial na ocasião?
Capitão Lídio -
É difícil ser engenheiro de obra pronta. O momento exigia uma ação rápida e enérgica da Polícia Militar e ela se colocou mais uma vez defendendo a população de São Paulo. O que aconteceu é que houve uma rebelião logo nas primeiras horas do dia e, quando a tropa de choque da Polícia Militar foi acionada, já haviam sido mortos vários detentos. Inclusive, o sangue de alguns detentos infectados com vírus HIV já havia sido usado para a confecção de sarabatanas. Foi cortado o sistema de energia do complexo, foram tampados os esgotos e abertos os registros de todos os tipos de água. Esse foi o cenário que a Polícia Militar enfrentou lá. É difícil fazermos uma avaliação se a ação foi correta ou não. O que eu sei é que, talvez graças a episódios como esse, a Polícia Militar saiu com novos conceitos, que o complexo do Carandiru foi desativado e, se o preço que nós temos que pagar é o preço da imagem, estamos dispostos a pagar. Aconteceu e respondemos por isso.
 
GCN - Se o senhor fosse o governador do Estado, o senhor teria dado a ordem para invadir?
Capitão Lídio -
Se eu fosse incompetente sim. Hoje, com o conhecimento que eu tenho, não mandaria invadir. Mas não posso julgar algo que já está feito, já entrou para história.
 
 
 
QUARTO BLOCO
GCN - A segurança pública de São Paulo é um dos alvos mais atacados pela oposição na atual campanha eleitoral. Delegados reclamam que têm o pior salário do país. O senhor concorda que a segurança em São Paulo é mesmo um grande problema?
Capitão Lídio -
A segurança do Estado pode ser um problema, não só para a população, mas para a própria polícia. Mas o problema da segurança não está só nos baixos salários. Temos baixos salários, mas se um policial disser que não está atendendo porque o salário está baixo, a coisa mais honesta a se fazer é ele pedir baixa e ir embora imediatamente, porque nós tratamos com vidas, é um sacerdócio, é proteger, servir. Se você alega que seus baixos salários não conseguem dar a satisfação necessária para prestar um bom serviço, você tem que ir embora.
 
GCN - Como o senhor avalia o salário de um delegado em São Paulo?
Capitão Lídio -
Não só o de delegado é ruim, como de todos os policiais é ruim, mas existem outras categorias. Seria muito fácil eu vir aqui e pedir aumento para os policiais e me esquecer de outras áreas que também sofrem, padecem com a questão de salários.
 
GCN - O senhor acha que não é um problema central então? Não é uma questão prioritária fazer um reajuste dos salários para os policiais militares e para os delegados de polícia?
Capitão Lídio -
Historicamente, os policiais militares, policiais civis e a própria polícia técnica sempre receberam baixos salários e sempre prestaram serviço de qualidade. Eu defendo que as polícias atuem conjuntamente. Precisamos lamber as feridas, é muito difícil. Penso que uma forma de resolvermos ou amenizarmos o sofrimento do policial seria se outros salários indiretos pudessem ser colocados à disposição do policial. Por exemplo, o policial poder comprar um carro com imposto subsidiado, como um taxista, ou seu filho ter algum desconto ao cursar uma universidade.
 
GCN - O senhor é especialista em segurança pública. Na sua opinião, qual seria a solução para diminuir os índices de criminalidade no estado de São Paulo?
Capitão Lídio -
Uma melhor distribuição de renda. A gente passa por conjuntos habitacionais e vê verdadeiros guetos. Acho que no subconsciente das pessoas está escrito que pobre gosta de lugar pequeno, que ele gosta de morar em lugar apertado. Por que nós não podemos fazer casas ou condomínios e conjuntos habitacionais em terrenos maiores? Por que não pode colocar uma piscina para o pobre no conjunto habitacional? Não adianta cercar os condomínios da cidade e deixar determinadas áreas. Se você não vai em determinados bairro da cidade, você transformou esse bairro em um gueto. Mas eu quero que você vá lá, enquanto você não for lá e andar tranquilo lá, não existe segurança pública, não existe paz pública, não existe tranqüilidade.
 
GCN - O senhor acha que a construção de mais presídios ajuda em alguma medida?
Capitão Lídio -
Sou a favor de que os presos cumpram as suas penas. Se o cumprimento das penas não tem sido adequado é por falha de homens públicos, inclusive de políticos. O cumprimento da pena é fundamental, agora para isso o preso não pode ser castigado, ele tem que trabalhar, tem que ressarcir o erário público, tem que ressarcir o dano, ele tem que pagar pela comida, mas não vai ser chicoteando preso, senão só vamos fazer legalmente o que ele faz com as outras pessoas.
 
GCN - Mas como ele vai ressarcir o Estado se as leis brasileiras não obrigam o preso a trabalhar? Ele trabalha se quiser. Essa permissividade excessiva nossa, esse bom mocismo exacerbado não complica as coisas?
Capitão Lídio -
A constituição federal brasileira proíbe trabalhos forçados. Em outros países, e eu cito os Estados Unidos porque é a realidade que eu tenho mais conhecimento, lá o preso é obrigado a trabalhar e a prestar serviço à comunidade acorrentado. Essa é uma alternativa muito melhor do que a nossa, mas nós não temos maturidade política, a nossa sociedade não está preparada para uma efetiva punição de presos. Por isso sou contra a pena de morte, por exemplo.
 
GCN - Há 20 dias a equipe do plano de governo do candidato Geraldo Alckmin veio a Franca ouvir as reivindicações da população. O SindiFranca pediu que o ICMS para o setor calçadista seja reduzido gradativamente de 12% para 7%. O senhor acredita que seja possível?
Capitão Lídio -
É possível se for feito um estudo sério e criterioso. Nós não podemos imaginar que apenas beneficiando a nossa comunidade sem prejudicar outras não tenha outros efeitos. Eu defendo a desoneração de uma maneira geral, mas sou contra a guerra de impostos, baixar de maneira irresponsável. Agora, eu sei que é uma reclamação geral do empresário de que os impostos inviabilizam a criação de postos de trabalho, eu sei de empresários que negociam a folha de pagamento com bancos e pagam juros altíssimos, mas esse é o país em que vivemos. Temos que fazer correções pontuais pouco a pouco. Temos que avançar.
 
GCN - Muito se discute sobre criminalização e descriminalização de drogas. Há quem defenda que a venda e o consumo de algumas drogas como a maconha sejam liberados. Qual a sua opinião a respeito?
Capitão Lídio -
Um absurdo. Somos totalmente contra, absolutamente contra, radicalmente contra. Vou lutar minha vida toda, ainda que se libere o uso de algumas drogas para fins terapêuticos, que é uma grande balela. Os danos causados pela liberação das drogas, especificamente da maconha, são muito maiores do que os pseudo-benefícios que ela pode causar. Quem defende a liberação das drogas não tem na sua família um ente querido que mergulhou e não voltou. A maconha, que para alguns é uma aventura, é a razão de sofrimento e de morte de muitas famílias.
 
GCN - Como tratar um bandido viciado que recusa ajuda, já que ninguém pode ser obrigado a passar por tratamento?
Capitão Lídio -
O estado tem que interferir, o estado tem que recuperar. A nossa maior proposta talvez seja a criação de um centro de referência em Franca para receber os jovens de Franca e de toda a região. Nós temos que tratar, se a sociedade é permissiva a ponto de achar que maconha, cerveja, cachaça ou qualquer outro tipo de droga legal ou ilegal é boa, então que a sociedade arque com os custos, o governo tem que pagar, o tratamento tem que ser de graça.

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