Favas contadas


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A pouco mais de um mês para as eleições, as pesquisas de opinião apresentam um retrato bastante positivo para a candidatura da petista Dilma Rousseff à Presidência da República: a reboque da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, distancia-se do seu concorrente mais direto, o tucano José Serra. Se a tendência se mantiver, ela pode ser eleita já no primeiro turno. À vantagem de contar com o apoio ostensivo de Lula, cujos índices de popularidade batem os 80% em todo o País, soma-se ainda a inépcia do comando da campanha do ex-governador paulista, que a cada semana troca os pés pelas mãos e afunda ainda mais a candidatura oposicionista.


A primeira leitura que se fez da reação do eleitorado a Dilma Rousseff foi um dos principais erros da campanha tucana. Afinal, a ex-ministra da Casa Civil submeteu-se à estratégia traçada pelo comando petista e nada tem se mostrado capaz de abalar o crescimento que ela vem registrando nas pesquisas. Além disso, conta ainda com o apoio de uma ampla coligação cujos partidos cumprem a função de agregar minutos na propaganda eleitoral gratuita sem interferir nos rumos do que se definiu.


Enquanto isso, José Serra vê as intenções de voto despencando (perde até em São Paulo) e, nesta altura do campeonato, não há muita coisa a fazer para modificar o quadro. Só mesmo uma lambança fenomenal de Dilma Rousseff seria capaz de mudar os rumos da campanha num pleito que já se mostra praticamente definido. Os dirigentes tucanos cometeram alguns erros fundamentais que desembocaram na situação de agora. Uma delas foi permitir que Serra protelasse o anúncio de sua candidatura (quando todo mundo sabia que o candidato seria ele) e transmitisse uma imagem de indecisão. Depois disso, sem conseguir enquadrar Aécio Neves para que aceitasse ser vice, tentou colocar o paranaense Álvaro Dias (PSDB) no posto, fazendo com que o partido aliado de primeira hora, o DEM, empurrasse o desconhecido deputado carioca Índio da Costa goela abaixo do candidato. Mais uma bola fora da coligação que pode ter afundado de vez a pretensão do tucano de ocupar o Palácio do Planalto.


Que Serra é competente, todo mundo sabe. Não tem histórico de escândalos ou desvios. Porém, os marqueteiros que o cercam conseguiram transformá-lo numa figura apagada, contraditória e que vem desfiando promessas que já não atraem mais o eleitor - este prefere a segurança da estabilidade propagada por Lula e Dilma a apostar na capacidade de Serra para manter o crescimento do País. Até hoje o PSDB não conseguiu convencer os eleitores de que se Lula não tivesse sido precedido por Fernando Henrique Cardoso não teria conseguido fazer um governo tão bom. Deve-se reconhecer que a tranquilidade econômica que vivemos agora começou ainda antes de FHC ser eleito, quando ele era ministro de Itamar Franco. Com tantos equívocos, o PSDB dá tiros no pé e pode amargar uma derrota acachapante ainda no primeiro turno.

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