Conheça a bela Lisielle Ponce, musa das corridas hípicas


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Lisi conduz Xantus em prova de agilidade no Fernando Costa
Lisi conduz Xantus em prova de agilidade no Fernando Costa

Uma bela entre as feras. É assim que Lisielle Costa Ponce, 19, amazona do Clube Hípico Ibiraci, se destaca em meio a mais de 120 homens que integram as sete equipes que participam do Campeonato Regional de Corridas Hípicas. E ela não chama a atenção apenas por ser mulher em um esporte caracterizado como masculino. Segundo os treinadores dos times adversários, seu potencial não fica abaixo de nenhum cavaleiro titular. Quando entra na pista, Lisi (como é conhecida) mostra o que sabe e porque faz muito peão experiente perder a concentração e tremer. “Os homens tem até medo de sair (no páreo) comigo. Não é fácil para eles perderem para uma mulher”, diz.


Dona de longas madeixas loiras, Lisi tem 55 quilos distribuídos em 1,63 de altura. Montada em seu próprio cavalo, o Xanthus, ela executa as provas de obstáculo, agilidade, bandeira e lenço. Dentro da pista, Lisi não esconde a vaidade e a sua devoção. Piercing no nariz, brincos discretos, boné para se proteger do sol, na lapela do uniforme e no pescoço a imagem de “sua santinha” -Nossa Senhora Aparecida - são seus acessórios indispensáveis. Lisi diz seguir uma rotina disciplinada com a alimentação aliada a exercícios físicos duas vezes na semana. Outros três dias são reservados para treino específico com Xanthus. “A corrida (hípica) não requer força. É mais domínio. Por isso as meninas poderiam participar mais. Só que tem que gostar de cavalo e adrenalina”, orienta.


Sua iniciação no esporte ocorreu há três anos por influência do pai, o motorista Januário Ponce - juiz de prova de Ibiraci - e do irmão Giovanno Ponce, 28, que correu por dez anos pelo clube mineiro. “Assim que o irmão parou de correr, ela quis substituí-lo”, lembra Januário que viu a ousadia da filha com muito temor. “No começo eu não queria que ela corresse, porque até medo de cavalo ela tinha. Mas, com os treinos esse receio acabou. A confiança foi aumentando e aí, só restou, apoiar. Mas, o friozinho na barriga de vê-la correr continua até hoje”, confessa o pai.


Marcelo Pradella, diretor da Liga das Corridas Hípicas, lembra que até dois meses atrás, Lisi não era a única mulher nas pistas. A amazona Taís, que também representava Ibiraci, correu por quase oito anos.


O Clube Hípico Ibiraci existe desde 1982. O presidente do time, Eurípedes José da Silva, o Cebola, destaca que as portas do clube estão abertas para quem tem amor a esse esporte, independente da idade ou sexo. “Lisi não deixa o time na mão. Sempre comparece aos compromissos. É uma atleta exemplar”, comenta Cebola. Lisi confirma as palavras do seu presidente.


“Já surgiram propostas, até envolvendo dinheiro, mas eu dispensei. Não vou trocar meu time. Prefiro ficar aqui (no Ibiraci). Aqui foi o lugar onde eu fui acolhida. Onde acreditaram em mim”.

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