A Abril Coleções lançou ontem a Coleção Chico Buarque, que apresenta 20 discos originais gravados pelo artista em diversos períodos da sua carreira. Cada álbum tem um livreto com 46 páginas que recontam a vida e obra de um dos maiores compositores da MPB. O primeiro volume, Chico Buarque 1978, chega às bancas e livrarias por R$ 7,90. O Comércio falou na tarde de ontem com o jornalista e escritor José Ruy Gandra, responsável pela pesquisa, entrevistas e desenvolvimento dos livretos. Para ele, a coleção vai muito além da obra do compositor: conta a história da ditadura militar no Brasil.
“O Chico (Buarque) sempre foi uma pessoa que, mesmo nos momentos mais difíceis, batalhou pela liberdade. Então, ele é emblemático de um Brasil que foi nascendo dentro de outro Brasil”, ressalta Gandra. “Esse Brasil democrático que a gente vive hoje, e que a obra do Chico mostra, foi conquistado a duras penas. Foi uma batalha enorme para se chegar à democracia”, completa.
Nos livros-CDs (de capa dura), que vêm com a reprodução fiel das capas originais dos LPs, os fãs vão encontrar histórias por trás de cada faixa, fotos, letras das canções, entender o contexto histórico em que o disco foi composto e conhecer detalhes da vida de Chico Buarque. Além disso, intérpretes, músicos e parceiros, como Caetano, Toquinho, Francis Hime e Miúcha relatam, com exclusividade, episódios de sua convivência com o compositor.
Segundo o jornalista, o trabalho de pesquisa foi concluído em três meses. “O Chico Buarque selecionou os discos e tem se mostrado uma figura cooperativa embora esteja em Paris. Ele tem um apartamento lá e está traduzindo o seu último romance Leite Derramado (2009). Quando está trabalhando, fica enfurnado lá”, comenta Gandra.
O CD inaugural, escolhido pelo próprio compositor, retrata o trabalho do artista em várias frentes e fases, e traz composições e melodias impecáveis, como Apesar de Você, Cálice e Pedaço de Mim.
Para Gandra, apesar de todas as tristezas, a ditadura foi um dos períodos mais ricos da história do Brasil, que a nova geração não conhece. “Os livretos procuram contar essa história. Acho legal tanto para a gente como para essa molecada, meus filhos, por exemplo. Acho bárbaro que eles possam conhecer essa história”, ressalta.
Dentre os 20 discos, “cada um proporciona uma experiência diferente”, afirma o jornalista, que aponta o seu preferido. “Construção (1971), o segundo volume, é fantástico. Porque ali está o Chico em carne viva. Você olha e fala: ‘o cara está encarando a ditadura praticamente sozinho’. As músicas são de um requinte poético sensacional”, exclama enfático Gandra.
O primeiro volume chega às bancas e livrarias apenas dos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Na próxima semana, a coleção lança o disco Construção, já com o preço fixo de R$ 14,90. Há ainda a opção de adquirir um box - que pode ser comprado nas bancas - para guardar a coleção. No site www.colecaochico.com.br, os assinantes ganham um desconto de 15% e a coleção sai por R$ 291, divididos em cinco parcelas.
CONCURSO CULTURAL
Os fãs de Chico Buarque podem ainda participar de um concurso cultural para tentar ganhar a coleção completa. Basta produzir um vídeo com o tema “Qual música do Chico Buarque marcou a sua vida e por quê?” e enviar para o site www.colecaochico.com.br. Serão premiados os dois vídeos mais criativos.
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