O alto consumo de água ocasionou ontem a primeira interrupção de abastecimento em Franca, conforme previsto pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) nesta semana. Pelo menos 14 bairros da zona Leste foram afetados pela falta d’água na tarde de ontem por estarem localizados na parte alta da cidade. Se não houver controle do uso, o problema pode se repetir hoje porque aos sábados o consumo tende a ser maior que nos outros dias. A previsão da Sabesp era regularizar a situação ainda na noite de ontem.
As torneiras ficaram secas por volta das 14 horas desta sexta-feira e atingiram principalmente a Vila Aparecida, Jardim Paulista, Boa Esperança, Brasilândia, Ângela Rosa, Vila Santa Cruz, Jardim Noêmia e parte do Bairro São José, Vila França e Parque Progresso.
No começo da semana, o gerente distrital da Sabesp Rui Engrácia disse que a falta d’água era previsível em razão do alto consumo no período prolongado de estiagem. O volume de fornecimento diário passou de 69 mil metros cúbicos, em maio, para 78 mil metros cúbicos, um aumento de 13%. “Estamos dentro do limite de produção, então precisamos de conscientização das pessoas. Se não chover, pode diminuir a vazão do Pouso Alegre e reduzir ainda mais nossa capacidade de produção”, disse o gerente.
A Sabesp descarta a realização de rodízio de abastecimento nos próximos dias, mas já monitora o sistema para controlar o nível de água nos reservatórios e fará racionamento entre os bairros. “Estamos fazendo mapeamento hoje (ontem). Quem ficou sem água hoje será preservado amanhã porque vamos equilibrar os reservatórios para não faltar. As regiões onde o fornecimento será reduzido serão definidas neste sábado conforme o consumo, por isso pedimos que as pessoas economizem água”.
Rui Engrácia disse que o rodízio poderá ser adotado se a situação ficar mais crítica em Franca. “Neste caso, estabeleceremos datas e horários em que os bairros ficarão sem abastecimento”.
Moradora do Jardim Ângela Rosa, Rita Parra está sem água desde a tarde de ontem. Com quatro filhos, ela está tensa com a situação. “Nem sei o que vou fazer, são quatro filhos. Vai ser terrível, ainda mais nessa seca onde tem muita poeira, a casa fica suja, a roupa e a louça também. Até para tomar banho fica difícil”. A dona de casa relembra ainda a grande falta de água que atingiu Franca há três anos. “Nunca mais quero passar por isso. A gente acordava de madrugada para procurar algum vizinho que tivesse poço para pegar pelo menos um balde de água. A nossa vida ficou um caos”.
A estiagem em Franca já dura quase 90 dias e não há previsão de chuvas até metade do mês de setembro. “Faz tempo que a gente não vive uma situação tão crítica”, disse Rui Engrácia (leia mais nesta página).
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.