Mal-educado tem que pagar


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Um dos grandes males do trânsito brasileiro, ao lado da imprudência, é a falta de educação dos motoristas, que não respeitam faixas de pedestres e vagas demarcadas para idosos ou para deficientes. O francano não foge à regra. Não raro, veem-se pelas ruas da cidade carros de motoristas saudáveis ocupando vagas dos chamados indivíduos com mobilidade reduzida. Por isso, é louvável a atitude do promotor de Defesa das Pessoas com Necessidade Especiais, Fernando de Andrade Martins, que decidiu cobrar reparação de quem for flagrado ocupando indevidamente as vagas reservadas e destinar os recursos para o Fundo Municipal de Defesa das Pessoas com Deficiência. Estes recursos deverão ser usados pelo poder público para promover benfeitorias direcionadas aos deficientes na cidade. Entre janeiro e julho deste ano, 352 motoristas foram surpreendidos estacionados nestes locais (nas avenidas Presidente Vargas e Integração e nas ruas Monsenhor Rosa e Campos Sales). Além de arcar com a multa e perder pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação), vão ter que pagar indenização no valor do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). Eles serão notificados a partir da próxima semana. Os proprietários de veículos que se recusarem a pagar serão cobrados na Justiça.


A expectativa do promotor é inibir esse tipo de infração a partir dessa medida. “Toda vez que alguém para na vaga reservada, prejudica o deficiente. Não dá para a gente medir porque é impossível ficar filmando a vaga para saber se na hora que parou tinha algum deficiente prejudicado, portanto é uma presunção legal, que não depende de prova. Vamos fazer as audiências para tentar acordos”, afirma o promotor, com inquestionável razão. Tivéssemos motoristas preocupados com o bem-estar do próximo, dificilmente seríamos surpreendidos com atitudes como estas, de puro egoísmo e sem nenhum espírito comunitário. Ou seja: a educação e o bom senso precisam ser impostos na marra. E nada mais eficaz para quem não respeita as vagas que fazê-los sentir no bolso a sua desobediência à lei. O que não se pode é aceitar que a cidadania seja aviltada da forma como vem ocorrendo. Quem não aceita as regras preestabelecidas precisa ser punido para que não incorra no mesmo erro outra vez. Não respeitar os direitos conquistados pelos deficientes físicos é a mais alta demonstração de falta de consideração pelo que está determinado em lei, além de traduzir péssima educação. Aos infratores nada mais resta que serem cobrados por seu desrespeito e por sua insensibilidade diante das dificuldades do semelhante. Que paguem (e muito) por isso. Assim, passam a aprender da forma que mais lhes dói e ainda contribuirão para obras que facilitarão a vida dos deficientes físicos. Estes, com certeza, agradecerão e as suas vagas vão continuar reservadas, por conta da ação do promotor Fernando de Andrade Martins, que merece ser destacada e replicada por todos os municípios do País.

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