Mãe do lado, Pai ausente
União desigual, sorriso inocente
Olhar de anjo, tiro fulminante
Fere o coração, paixão alucinante
A mãe do lado e pai sentado
A mão que toca o corpo sente
O pulso vibra o coração consente
O gosto doce na boca, no útero a semente
Era domingo de dia claro,
Num céu de primavera, perfumada
Em momento de Revolução, declarada
Dezembro de 64, sinais de vida, na terra sagrada
Quando seu ventre pulsava forte
Entre instantes cronometrados
Das dores, de dores, gritos sincronizados, nascia na mão
De duas vezes mãe, um poeta encantado
Era um casebre pobre de aura luminosa
Fogão fumegante, calor fraterno
Sopa quente para uma alma carente
Primeiro porre de um leite ardente
Era dia ou noite, inverno ou verão
Não havia nada que parasse ou acalmasse
Nem reza ou poção, o choro incessante
Que bebê chorão!
Na cidade vizinha, uma benzedeira
Passa o “capim sagrado”, o que acalma o rebento
Em seu colo observa atento
Brinca com o crucifixo bento
Naquela noite felicidade geral
Dorme silente, criança feliz
Cumpre a profecia, que ali crescia
Feliz seria quem em seu caminho, cruzaria
Caem as folhas, brotam outras reluzentes
Simbolizando com suas renovadas cores,
Passado e presente, pulsando em suas veias
Aquilo que seria a parceria, que mudaria suas dores
Assim num belo dia de sábado, passa o ônibus lotado
Todos embarcam sorridentes, avante esperança,
Amor à primeira vista, semblante feliz, descer do ônibus
Nascer para a vida, terra que já era querida, que bom te ter
Assim como disse a cigana, não sendo assim meio de vida
Apenas poesia, sou aquele menino que sofrendo, cresceu sorrindo
E fez dessa cidade seu canteiro florido, que a todos encantam
A cidade dos sonhos, Franca dos meus contos e versos.
Paulo Maestri
Professor das redes pública e particular de ensino
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