A obscura distância


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Tua ausência
eu a guardo em mim,
voo de colibri engaiolado.
 


És muito menos do que eu te guardo,
quando o meu olho afunda no teu.
 

És mais se te ausentas:
quase minha a doença,
tão plena tua presença,
longe de mim és um deus.
 

Já meu coração distancia
quando teus olhos nos meus,
vazias as palavras,
ariscos os gestos,
catedral do nada, sem ninguém.
 

Mas se ausentas
te ouço e te rezo,
silencio e mais vejo,
sinto e materializo,
assimilo:
você me é,
eu te sou.
 

Noite mais escura:
para onde nossa alma voou?
 
 
Maria Luiza Salomão
Psicanalista e Psicóloga

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