A praça quieta e vazia
Do alto a Santa velava
A ausência que aos poucos se formara
De vidas que por ali se moviam
As ruas desertas às horas mortas
Os bancos gelados que escondiam
Na penumbra da luz fraca dos postes
Os nomes dos cidadãos que já não existiam
A noite se arrastava lenta
As folhas nas árvores mal se mexiam
Numa madrugada perdida de um inverno qualquer
Que sem testemunha prosseguia
Um fruto cai da árvore
Despedaçando repentinamente o silêncio
Assustando a coruja insone
Quebrando a efêmera harmonia
Depois do eco o silêncio
Depois do silêncio os pássaros
Depois dos pássaros o dia
Depois do dia as pessoas
E os carros, o comércio, barulhos...
Fim da poesia.
Silvana Bombicino Damian
É empresária e escritora
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