Seca já prejudica safra de café 2011


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EFEITO DA ESTIAGEM -  Produtor rural em Restinga, Élbio Rodrigues Alves Filho, caminha entre os pés de café afetados pelas altas temperaturas e a baixa umidade do ar. Previsão é que a colheita do próximo ano tenha queda de mais de 50% em relação a 2010
EFEITO DA ESTIAGEM - Produtor rural em Restinga, Élbio Rodrigues Alves Filho, caminha entre os pés de café afetados pelas altas temperaturas e a baixa umidade do ar. Previsão é que a colheita do próximo ano tenha queda de mais de 50% em relação a 2010

O calor e a baixa umidade do ar aliados a estiagem que já dura quase 90 dias, além de começar secar as cachoeiras da região de Franca também têm afetado as culturas agrícolas, em especial o café. A previsão é de que a safra do grão em 2011, que já sofre queda em razão da bianuidade, seja ainda menor por conta da seca. Nas propriedades, o aspecto dos cafezais é semelhante a de arbustos queimados. Ontem, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) registrou a menor umidade relativa do ar no ano em Franca. O índice atingiu 14% o que caracteriza estado de alerta, segundo classificação da Organização Mundial da Saúde.

 
A umidade também é semelhante ao clima do deserto do Saara (entre 10% e 15%). 
Engenheiro agrônomo da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas) de Franca, Roberto Maegawa disse que as chuvas cessaram dois meses antes do previsto e tem demorado mais tempo para retornar. “As lavouras de café mais novas são as que mais sofrem com a falta d’água. Já temos registrado um déficit hídrico de cem milímetros na região”. Segundo o especialista, sem água o pé de café perde a folha e não tem onde buscar nutrientes para alimentar a florada do grão que será colhido no próximo ano.
 
Produtor rural em Restinga, o também agrônomo Élbio Rodrigues Alves Filho disse que a previsão de colheita de 2,5 mil sacas de café para o próximo ano já está defasada por conta da associação temperatura alta e umidade baixa. Na safra deste ano, Élbio colheu 5 mil sacas de café. “Com certeza a safra que seria menor, sofrerá ainda mais queda. Em outros anos, nesta época o clima já estava mais ameno. Para nós, quanto mais tempo demorar para chover, maior será o prejuízo”, disse. Em sua propriedade, onde há 125 hectares de café, alguns cafezais estão completamente secos pelo sol. “A folha seca como se estivesse sofrido uma geada e o produtor fica sem ter muito o que fazer”, disse o presidente do Sindicato Rural de Pedregulho, Ely Martin.
 
Engenheiro agrônomo da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), Márcio de Figueiredo Andrade disse que todas as agriculturas estão afetadas pela estiagem, mas evitou calcular prejuízos. Outro agravante para as plantações são as queimadas que, desde o começo do mês, atingem canaviais e matas próximas de rodovias. Nesta semana, focos de incêndio atingiram o Parque Estadual Furnas do Bom Jesus, em Pedregulho, e também destruíram uma cerca viva ao lado da Rodovia Cândido Portinari, na serra para Rifaina. “Ainda é cedo para avaliarmos prejuízos, mas sabemos que a situação é preocupante e todos os agricultores estão preocupados”. No caso do gado de corte, a seca acabou com as pastagens e provocou um aumento do preço da carne. “Como alternativa para alimentar a criação, os produtores tem recorrido a silos e a cana picada”, disse Andrade. Já os grãos, segundo ele, podem ter o plantio atrasado, pois com a seca fica inviável preparar o solo. “Ainda há muito o que fazer. O produtor precisa apenas é rezar para chover”.

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