O Dicionário Barsa da Língua Portuguesa, 2º volume, página 574, define a inveja como sendo ‘desejo de possuir algum bem que outrem possui, misto de desgosto e ódio pela prosperidade ou alegria de outra pessoa, cobiçar, desejar ardentemente o que é de outrem’.
Percebe-se, claramente, que a inveja é, sem dúvida, um sentimento deplorável e condenável sob todos os aspectos, pois, na maioria das vezes, ela se revelará altamente destrutiva. O mesmo citado dicionário, na página 23, do 1º volume, já define a admiração como sendo: ‘estima, consideração, simpatia, afeição’ e, a expressão admirar, como sendo: ‘render homenagem aos dotes de outrem’.
Assim, resta claro e evidente para mim que admirar alguém é ter pela pessoa admirada uma pontinha de inveja, porém, controlada, positiva e construtiva. Reconheço, publicamente, a minha admiração por muitas criaturas que, ao longo de suas vidas, se destacaram ou ainda se destacam pelos seus mais variados feitos, pela competência, pelas suas qualidades morais ou pelos dons que receberam generosamente do Criador e que souberam vivenciá-los no decorrer de suas existências.
Assim, peço permissão aos leitores para elencar algumas, não sem antes esclarecer que muitas outras pessoas poderiam ser citadas, isso se não fosse, obviamente, a exiguidade de espaço. Gostaria de ter podido compor músicas como fez Raul Seixas e como ainda faz Chico Buarque. Escrever poesias como Carlos Drummond de Andrade. Poder cantar como fizeram Jessé e Elis Regina. Na pintura, como não destacar Cariolato, italiano, porém, felizmente para nós francanos, radicado por longos anos em nossa cidade.
No plano esportivo, quero reconhecer a competência e a determinação de Ronaldo Fenômeno. Atleta de alto rendimento que por várias vezes foi desafiado por contusões gravíssimas, mas, teimosamente, acaba realizando mais do que todos esperam dele. Como não sentir uma pontinha de inveja com a didática e a profundidade de uma aula de direito ministrada pelo professor Marcato. Como não se emocionar com uma precisa narração do inigualável Cid Moreira. Na advocacia, não se precisa ir longe. Reconheço, publicamente, a admiração e o respeito que tenho pelo meu colega e amigo Dr. Daniel Arruda, um exemplo de competência, integridade e lealdade no exercício da profissão. Como não ficar avivado e renovado espiritualmente, com uma palestra de Divaldo Pereira Franco, ou mesmo do evangélico Silas Malafaia. Como não se emocionar com os Sermões de Padre Vieira, recentemente revivido no cinema pelo extraordinário Lima Duarte.
No plano da solidariedade, da fraternidade e do absoluto desprendimento material, temos que nos curvar às figuras de Chico Xavier e de Irmã Dulce, pessoas que fizeram de suas vidas uma prática permanente da recomendação enfática do nosso Mestre Maior: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo’. Admiro e invejo essas criaturas! Em verdade, não são pessoas, são entidades colocadas cirurgicamente pelo Criador em nosso meio para serem paradigmas para todos nós. Contribuíram e contribuem para tornar a nossa caminhada neste planeta mais proveitosa, amena e agradável.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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