Três cidades da região de Franca - Pedregulho, Ibiraci (MG) e Delfinópolis (MG) - estão preocupadas com a estiagem e o sol forte dos últimos 60 dias. O motivo é a redução do volume de água das cachoeiras que fazem parte do roteiro turístico destes municípios. Caso a seca se estenda para o mês de setembro, há o risco delas secarem e “sumirem” do mapa.
Em Pedregulho, onde existem 70 cachoeiras catalogadas pela Prefeitura, a cachoeira do “Zé Branquinho” no Distrito de Igaçaba está apenas com um filete d’água. Muito utilizada para a prática de rapel, a cachoeira perdeu a queda d’água de 80 metros por conta da falta de chuva. “Em época de cheia, a água cai direto. Com a seca, ela bate na pedra e depois escorre. A cada ano, percebemos que a vazão está menor”, disse o morador e vereador do vilarejo, Carlos Peracini.
No Parque Estadual das Furnas do Bom Jesus, localizado no município, as sete cachoeiras existentes em seu interior também estão castigadas. Gestora do parque, Norma Rahal Pinzan acredita que a atual seca é a pior dos últimos dez anos. “Está muito acentuada. As cachoeiras estão apenas com um filete, além disso, estamos monitorando o parque com binóculos, motos e camionete preocupados com possíveis focos de incêndio”.
Em Delfinópolis (MG), conhecida por concentrar mais de cem cachoeiras no entorno da Serra da Canastra, não há um levantamento de quantas estão secas, mas o cenário encontrado nas cachoeiras do Claro, umas das mais visitadas, demonstra que o tempo seco reduziu em mais de 60% a vazão das quedas d’água.
Apesar de não ter um turismo fortalecido, Ibiraci (MG) também mostra apreensão quanto ao futuro de 20 cachoeiras do município. Gestor da ONG Probrig (Protetores da Bacia do Rio Grande), José Limonti Júnior, diz que os trabalhos de educação ambiental que desenvolve são essenciais para garantir a existência de água nestes locais nos próximos anos. “Quanto menos sombra, maior é a evaporação e as chances da cachoeira secar dentro de alguns anos”.
Limonti disse que o reflorestamento da mata ciliar e o trabalho de isolamentos das nascentes dentro do Projeto “Minas Nossas”, com mais de 200 crianças, ajudam a evitar maiores prejuízos as cachoeiras neste período do ano. “A preservação se faz necessária, pois tudo é consequência”.
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