Paulo Bufalo inaugura série de sabatinas com ‘governáveis’


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FIRME - Por mais de uma hora, Paulo Bufalo foi sabatinado pelo GCN Comunicação na manhã de ontem. Tranquilo e seguro, defendeu os movimentos sociais e o fim da progressão continuada
FIRME - Por mais de uma hora, Paulo Bufalo foi sabatinado pelo GCN Comunicação na manhã de ontem. Tranquilo e seguro, defendeu os movimentos sociais e o fim da progressão continuada

 

O candidato a governador pelo PSOL, Paulo Bufalo, abriu ontem a série de sabatinas que o GCN Comunicação fará com os postulantes ao governo do Estado. Chegou à sede do grupo às 9h50 acompanhados de assessores. Foi direto para a sala de maquiagem e depois para o Auditório “Jornalista Corrêa Neves”. Simpático, cumprimentou a todos os presentes.
 
Tranquilo, durante uma hora e meia, ele abordou temas específicos e questões de relevância estadual e nacional que serão feitas a todos os participantes. Bufalo defendeu com clareza suas propostas, apresentou-se como a única opção de renovação e fez críticas às coligações entre tucanos e petistas em nível nacional. “O PT e o PSDB estão no mesmo balaio de gato”.
 
Professor da rede pública, o candidato centralizou seu discurso na Educação e disse que a alternativa é a melhoria do modelo pedagógico e a formação continuada do professor. Ele defendeu a união civil entre homossexuais, inclusive a adoção de crianças, além da ocupação de terras e imóveis abandonados. Afirmando-se um libertário e, por consequência, um humanista, é contra a pena de morte e palmadas para educar crianças. “Não é preciso provar do veneno para saber que ele mata”, afirmou Búfalo, que, apesar de ter apanhado na infância defende a “cultura da tolerância”. 
 
Ao final da sabatina, ainda ressaltou que não vê nenhum mérito na gestão tucana do Estado de São Paulo, tendo como maior crítica a administração voltada para o mercado e não para os cidadãos. “O mérito deles será quando eles apagarem as luzes”. 
 
Sobre sua participação, Bufalo fez uma avaliação positiva. “Saio daqui hoje satisfeito. Achei excelente o modelo criado pelo GCN Comunicação, considero-o muito mais proveitoso do que os tradicionais debates. Acho que consegui expor minhas propostas para os eleitores de Franca e região, ainda que, por falta de tempo, alguns temas ficaram de fora. Mas estou feliz e agradecido pela oportunidade”.
 
 Após a entrevista, o candidato visitou o Pronto-socorro “Doutor Janjão” e o Sindicato dos Sapateiros. 
 
PROGRESSÃO CONTINUADA
Paulo Bufalo defendeu o fim da aprovação automática nas escolas estaduais e sugeriu uma reforma pedagógica que privilegie a avaliação constante do aluno e a construção do conhecimento, com base na realidade dos estudantes. “Evidente que, se chegar ao final desse processo, esse aluno não tiver condição de ir para a série seguinte, não irá e a escola precisa estar preparada com um método pedagógico para acolher esse aluno que ficará retido”, explicou.
 
BÔNUS PARA PROFESSORES
Paulo Bufalo disse ser contrário à política de bonificação de profissionais vigente hoje na Secretaria Estadual da Educação. Para o candidato, a bonificação não é o meio mais adequado para motivar os professores. “A bonificação é um crime contra a educação. Lamentável que ela exista. Para motivar o profissional, deve haver investimentos em formação, em melhores salários e mais estrutura.”

PEDÁGIOS
Para o candidato do PSOL, nem o modelo paulista, com concessões privadas, nem o sistema adotado pela União para administrar estradas federais, serve para as rodovias de São Paulo. Bufalo defende a revisão de contratos das concessionárias e que o Estado assuma, progressivamente, a gestão das rodovias. O candidato ainda citou que os pedágios encarecem a produção e precisam ser revistos. “O custo do pedágio encarece a vida daqueles que tem carro e daqueles que não tem”.

REFORMA URBANA
O postulante ao Palácio dos Bandeirantes confirmou acenar em favor da desapropriação de imóveis tidos como abandonados, com o objetivo de resolver parte do problema do déficit habitacional no Estado. Bufalo disse que, para isso, vai aplicar os dispositivos do Estatuto das Cidades, “garantindo a função social da propriedade”. Ainda disse que imóveis alugados não fazem parte da sugerida reforma urbana.

INVASÃO DE TERRAS
Favorável à reforma agrária e ao diálogo em vez da repressão, disse que a ocupação de terras por parte de grupos como o MST não deve ser tratada como caso de polícia. “O governador é um estadista por excelência e a invasão de terras é uma questão social. O Estado precisa negociar”, afirmou.

PALMADAS E BELISCÕES
O candidato a governador concorda com o projeto de lei que proíbe palmadas e beliscões como forma de repreensão ao comportamento das crianças. Apesar de afirmar ter apanhado quando era pequeno, disse acreditar na “cultura da tolerância” como forma de educar os filhos. “Eu apanhei, mas não quero esse modelo de educação para o meu filho. Defendo a educação pelo diálogo”.
 
LEI ANTIFUMO
Paulo Bufalo se mostrou favorável à lei que proíbe as pessoas de fumarem em bares e ambientes públicos, mas defende mais fiscalização e a criação de espaços apropriados que os fumantes possam frequentar. “Defendo o direito de quem não é fumante de não conviver com a fumaça. Mas também não acho que apenas a política de exclusão do fumante resolve. Acho que ele também precisa de acolhimento”, argumentou.
 
CEFAMS
Crítico ao fechamento dos CEFAMs (Centros Específicos de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério), Bufalo defende o retorno da formação inicial e continuada de professores, cogitando a utilização da estrutura dos antigos centros de formação e de grandes universidades paulistas como USP, Unesp e Unicamp. “O problema é que não se colocou nada no lugar. Precisamos fazer com que haja formação continuada”, disse.
 
DEFENSORIA PÚBLICA
Criticando a superlotação dos presídios paulistas e a lentidão do julgamento de pelo menos a metade dos presos no Estado, Paulo Bufalo defendeu a implementação da Defensoria Pública em todo o Estado para garantir à população direitos civis como moradia, educação e transporte digno. “São Paulo não implementou a Defensoria Pública em todo o Estado. Levou 12 anos para criar as primeiras e não ampliou mais. Vamos reverter isso”, afirmou.
 
SALÁRIOS NA POLÍCIA
Bufalo disse que os salários dos policiais de São Paulo estão entre os piores do País e a baixa remuneração faz com que esses profissionais busquem “outras alternativas” para conseguirem sustentar suas famílias. Para ele, a falta de uma remuneração justa é a responsável muitas vezes pelo desânimo de alguns profissionais. Para resolver a situação, Bufalo defende o estabelecimento de um piso para a categoria. “Precisamos assumir esse compromisso”, afirmou.

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