Ao final de todo dia útil em Franca, 21 pessoas, em média, sofreram acidentes de trabalho. Os dados são do Cerest (Centro de Referência de Saúde do Trabalhador), que controla os acidentes ocorridos no município e registrou 3.357 casos entre janeiro e julho de 2010. O número quase equivale ao total de 2009, quando o centro recebeu 3.402 notificações. Os casos incluem ferimentos nas mãos, olhos, cabeça, coluna e fraturas múltiplas sofridas dentro da empresa ou no caminho. As notificações à Prefeitura são feitas por médicos, sindicatos, empregador e a própria empresa.
Julho foi o mês com mais ocorrências. Foram 603 acidentes. Mais da metade acometeram homens (398 no total), entre 20 e 29 anos, que sofreram ferimentos leves, principalmente nas mãos - traumas e cortes. As vítimas ficaram em média de um a cinco dias afastadas do serviço até se recuperarem dos ferimentos. O perfil dos acidentados é o mesmo nos outros meses.
A indústria calçadista é a líder com 945 ocorrências nos sete primeiros meses deste ano, seguida do setor de serviços, com 611, e construção civil, com 449. Os registros do Cerest ainda incluem os setores agropecuário, alimentício, comércio, curtume, saúde, metalúrgico e outros. “A indústria de calçados lidera os acidentes de trabalho porque é predominante na cidade. Temos 27 mil trabalhadores neste setor”, disse o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira.
Nesta semana a Prefeitura divulgou que até julho de 2010 ocorreram 69 acidentes somente com funcionários públicos. O secretário de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto, disse que a maioria dos acidentados foi de servidores das Secretarias de Saúde, Educação e Obras. Panfletos e palestras estão sendo realizadas pelo município para prevenir os ferimentos no ambiente de trabalho.
Para o médico do trabalho Magid Calixto Filho, esse é o caminho. Na opinião dele as empresas devem investir em programas de prevenção de acidentes. “O funcionário precisa ser alertado sobre os riscos e estar sempre atento. As empresas de calçados são obrigadas a ter máquinas com equipamentos de segurança, como os balancins que têm dispositivos acionados sempre com as duas mãos, mas ocorrem falhas que acabam gerando traumas e cortes, especialmente nas mãos”, disse ele.
No dia 18 de agosto, o operador de máquinas Carlos Alberto da Silva, 34, tombou com uma retroescavadeira dentro do Córrego dos Bagres, que passa por obras para aumentar a vazão de água. O trabalhador não se feriu com gravidade.
CRESCENTE
Segundo o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, o serviço de notificação de acidentes de trabalho foi montado em meados de 2005 e, desde então, apresenta aumento nas estatísticas. Mas Alexandre Ferreira não acredita que as ocorrências cresceram e sim que as empresas e serviços de saúde estão mais conscientes quanto à notificação dos casos para contribuir com a elaboração de campanhas preventivas. “A comunicação dos acidentes está crescendo em função das campanhas que a gente tem feito nas indústrias, comércio, empresas de construção civil e outros setores. Ainda estamos num processo de fortalecimento dessas notificações, mas os dados já norteiam os trabalhos preventivos”.
Colaborou Carlos Zacarelli
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