Depois de um verão muito chuvoso, que causou problemas à maioria das cidades, o Estado de São Paulo, incluindo o Interior, a Capital e o Litoral, vive agora dias extremamente secos, com umidade do ar de 20% ou menos, índice inadequado para a saúde humana. Os jornais da Rede APJ têm destacado o assunto sob diferentes ângulos, todos eles com a dramaticidade que o momento climático sugere.
São José do Rio Preto chegou a 11% na segunda-feira à tarde, nível comparável ao deserto do Saara, segundo enfatizou em primeira página o Diário da Região. As queimadas de áreas agrícolas e matas pipocam numa velocidade espantosa em todas as regiões. A incidência é duas ou três vezes maior em relação ao constatado no mesmo período do ano passado. Em todo o País há mais de 12 mil focos de incêndio detectados por satélite. Em Franca, como informa o Comércio, já se admitem medidas para racionamento da água. A população sofre com problemas respiratórios, como falta de ar e agravamento de casos de bronquite e asma, e os umidificadores domésticos são mais procurados nas lojas. A estiagem severa prejudica as safras de laranja e cana-de-açúcar, segundo informa a Tribuna Impressa, de Araraquara.
Tudo o que se pede aos céus é que venham as chuvas. Mas quando isso acontecer para valer, muitas de nossas cidades poderão repetir o drama de enchentes e desmoronamentos. Pensando justamente em amenizar o impacto das chuvas de verão, órgãos da Defesa Civil do ABC já começaram a se preparar para o período. Entre as medidas adotadas, estão a compra de equipamentos e palestras e reuniões com os agentes. Segundo informa o Diário do Grande ABC, representantes dos sete municípios começaram a discutir o plano regional de enfrentamento dos efeitos das chuvas. O resto do Estado deveria fazer o mesmo já, aproveitando a “tranquilidade” do clima seco. Agir sob pressão, diante de fatos consumados, poderá ser trágico à população mais uma vez, com perdas materiais e de vidas humanas, desgaste político e dispêndio de recursos públicos. A prevenção é o melhor caminho.
Em novembro último, a Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília, avisou municípios e Estados sobre o nível elevado da vazão dos rios. Com as chuvas que caíam sem parar, os solos impermeáveis e represas ao ponto de transbordar, estava criado o cenário para inundações em várias regiões. O órgão alertou que o País entrava “em estado de alerta”. Em São Paulo, pouca atenção foi dada à advertência. Até que acontecessem a tragédia de São Luis do Paraitinga e inundações de grandes proporções no ABC, Rio Preto e outras cidades. Com base na experiência do passado, as prefeituras e o governo do Estado têm uma oportunidade agora de mostrar algum esforço de planejamento coordenado. Uma das prioridades é criar condições para a saída definitiva ou temporária de moradores de áreas de risco, evitando o drama social dos desabrigados pelas chuvas.
DENGUE
O Cruzeiro do Sul informa que em Sorocaba as transmissões de dengue dentro do município (casos autóctones) cresceram 275 vezes ou 27,4 mil% de janeiro até agosto, comparadas com o mesmo período do ano passado. A situação inseriu a cidade num mapa digital mantido pelo governo norte-americano para alertar sobre os lugares com maior risco de contaminação no mundo. A proliferação do mosquito no Interior está associada ao desmatamento e outros fatores de agravamento das condições climáticas geradas pelo aquecimento local e global. Os mutirões de limpeza são indispensáveis para evitar um caos ainda maior. Mas é preciso ter a conscientização sobre as causas desses e de outros problemas de saúde pública enfrentados na atualidade. Somente pela educação será possível mudar a tendência em anos e décadas próximas. Em relação à dengue, autoridades atuam hoje como “bombeiros” ao apagar incêndios, ou seja, agem tardiamente.
LEUCEMIA
Uma outra notícia que merece reflexão. Entidade de Birigui que atende 500 crianças por mês do Noroeste do Estado e do Mato Grosso do Sul, informa que a incidência de leucemia infantil cresceu nos últimos anos, especialmente na faixa etária com menos de 14 anos de idade. “A doença está surgindo em crianças cada vez mais cedo e não se sabe a causa”, diz o diretor científico da entidade. Ao mesmo tempo, estudo publicado em revista científica internacional, aponta que a incidência da doença aumentou 9,6 vezes em 20 anos em Bauru. As informações são da Folha da Região, da Araçatuba.
Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.