Não deu tempo para pedir permissão, mas o faço agora, ainda que tardiamente. Achei tão boa a expressão colocada pela colunista Lúcia Helena, deste Comércio, que me autorizei usá-la hoje. A sua “Eca”, que só não usei como título por respeito à sua criatividade, me transportou para recordações de um passado distante, quando era comum ouvir-se essa exclamação na boca, especialmente, de nossos vizinhos aqui do sul de Minas. Quando se tratasse de algo exprimindo nojo, sujeira, náusea, o grito de rejeição era sempre o “Eca”
A palavra pode ter caído em desuso mas os motivos que temos para exclamá-la tiveram multiplicação exagerada e absolutamente torpe. Quando a bandalheira grassa célere no Brasil e desenvolta entre os mais poderosos da República com aprovação majoritária, fico forçado a crer no adágio: uns gostam de lindos olhos azuis, castanhos ou verdes, outros, da remela. Eca!
Na semana passada falei aqui neste espaço de alguém que sugeriu-se demagogicamente, uma qualidade que não tem: mãe de projetos, mãe dos pobres, mãe do Brasil. Seu passado não revela histórico algum que a qualifique para assumir tão nobre posição. Sem dignidade no maternal família, utiliza testemunhos de um Judas ávido por moedas do povo sofrido, para engordar fortuna pessoal espúria e perpetuação no poder.
Em recente debate da Folha/UOL, por sua insipidez, algumas colocações deveriam ser objeto de análise mais acurada. Marina Silva frisou: “Querem infantilizar os brasileiros com essa história de pai e mãe”. Marina pretendia focar o discurso que Lula havia feito no dia anterior em Pernambuco, ao defender a candidatura de sua imposta cria. “A palavra não é governar”, insistindo na celebre declaração da candidata, de que “A palavra é cuidar. Eu quero ganhar as eleições para cuidar do meu povo como uma mãe cuida do seu filho”.
A justiça é cega, as injustiças podem ser vistas - rolando na internet - soltas por aí em plena liberdade. Bastaria arrolarem-se os processos dos quais se safou Palocci, hoje silente, mas ativo, navegando na horda petista como coordenador de campanha, quem sabe para voltar a ser ministro. Figura ilustre nas rodas sociais do mundo e na política de Lula, Zé Dirceu ostenta vida biliardária titulando-se consultor de alto padrão para justificar sua existência dispendiosa. Deve estar ativo na consultoria do PT para aprimorar seu jeito de fazer política com instrumentação de ‘mensalões’ e cooptação de ‘mensaleiros’.
Ave Lula, ave Dilma aos beijos e abraços com o clã Sarney, com Collor, com Renan, com Dantas, com montanhas de dólares e euros em paraísos fiscais. Ave Lula, ave Dilma com toda a corporação brasileira de ficha suja. Entre Deus e o diabo, fico com Deus, entre aplaudir e apupar, apupo com uma forte exclamação: Eca!
Garcia Netto
Jornalista
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