Pedro Lemos Tomé da Silva tem 9 anos e cursa o 5º ano na EMEB “Prof. Valéria Teresa S. de Figueiredo Penna”, no Parque Vicente Leporace, em Franca. Desde os 3 anos ele já gostava de pintar, com os lápis de cor do irmão mais velho, a sua família. Na televisão, seu desenho preferido é o Naruto, mas o que ele não imaginava é que um dia poderia aprender na escola como se cria um vídeo de animação. Graças à iniciativa da Algar, com o apoio do Ministério da Cultura através da Lei Rouanet, Pedro e mais 13 colegas começaram na tarde de ontem a oficina Curtas de Animação, que ensina desenho animado para as crianças e adolescentes do País.
Franca é uma das dez cidades, de quatro Estados, selecionadas para receber o projeto que é realizado apenas na EMEB “Prof. Valéria Teresa S. de Figueiredo Penna” para 14 alunos. Segundo a diretora Viviane Sales Santos, os 56 estudantes do 5º ano diurno participaram de um concurso de redação e desenho que teve como tema “A identidade cultural de sua cidade e a relação dos seus habitantes com o meio-ambiente”. “Os critérios avaliados foram: gostar de escrever, de desenhar e fazer alguma atividade musical”, explica. “O projeto é uma ótima iniciativa porque facilita a descoberta de talentos e habilidades ocultas, além de dar oportunidade para os estudantes aprenderem outras atividades”, disse Viviane.
Na oficina de uma semana (de segunda-feira a sábado, quatro horas por dia, no período vespertino), os alunos aprendem a técnica de animação e produzem um desenho animado a partir de um tema que abrange as características da cidade, no caso de Franca, o “Calçado”. Com noções básicas de linguagem cinematográfica e história de animação, eles são responsáveis por todo o processo de criação: pré-produção, produção, trilha sonora e finalização.
“Improvisamos um estúdio na sala de aula e orientamos na elaboração da sinopse, do roteiro e do story-board”, afirma o cineasta de animação Maurício Squarisi, do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas, que ministra a oficina ao lado de Beth Russo. “Um dos objetivos é trazer para estas crianças o domínio de uma ferramenta de animação contemporânea, que é o desenho animado, o audio-visual. Também trazer para a cinematografia brasileira a visão destas crianças de vários pontos do País, como elas vêem o mundo, o Brasil, a cidade delas”, acredita Maurício, ressaltando que alguns vídeos já foram premiados em festivais como o Anima Mundi.
O cineasta só cita vantagens de um projeto como o Curtas de Animação. “As crianças desenvolvem o trabalho em grupo, a auto-estima e são despertadas pelo interesse em fazer desenho animado. Eu só consegui fazer isso aos 20 anos. A animação chegar às escolas é inédito. Os artistas de hoje tiveram que correr atrás de oportunidades”, comenta.
A produção do projeto é de responsabilidade da produtora de eventos culturais de Campinas, Direção Cultura. A produtora executiva Carolina Petrucci dos Santos Rosa enfatiza que qualquer empresa pode investir em projetos como este, por meio da Lei Rouanet. “O dinheiro investido é abatido do imposto de renda e a atividade leva uma linguagem artística diferente para a realidade das crianças proporcionando estímulos diferentes da sala de aula”.
A trilha sonora fica por conta do compositor Anselmo Carvalho. “Procuro extrair a vivência musical de cada aluno. Alguns tocam violão, outros flauta. O que eles mais gostam é de produzir os próprios sons e esta atividade dá uma ótima perspectiva de que tudo está muito próximo, ao alcance deles”, avalia o músico.
Além da oficina, a escola recebe como doação um zootroscópio (aparelho utilizado para animar desenhos desde 1830). Ao contrário do nome, o aparelho de madeira é simples e utilizado manualmente. Basta colocar a tira de papel com a sequência do desenho e girar a manivela. A animação toma forma ao observar os buracos nas laterais enquanto a roda gira. E se depender dos alunos, o zootroscópio será bem aproveitado. “Achei muito interessante. Vai ajudar a desenvolver o meu lado artista”, comenta Lívia de Aguiar Castro, 9, que adora desenhar, mas pretende ser bióloga.
Segundo a assessoria de imprensa, a obra produzida terá, em média, três minutos de duração, mais um vídeo com o making of da produção. No final, todos os filmes serão copiados em DVD, com tiragem de 1.800 unidades, para distribuição em escolas, TVs educativas, festivais de vídeo, etc.
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