A única pessoa que você se relacionou nos últimos anos - ou que sejam meses - foi o José Fulano de Tal ou a Maria Beltrana e, mesmo reclamando que odeia comédias românticas, ele assistiu com você a P.S. Eu te amo. Ela, por sua vez, o convenceu a ir, pela primeira vez, àquele restaurante japonês que ele acabou virando fã. Juntos, todo domingo, impreterivelmente o casal tomava sorvete no bar da pracinha. Então, o que fazer agora que estão separados? Como se acostumar à nova rotina de solteiro e perceber que existe vida fora do namoro? Como reaprender a paquerar e sair com outras pessoas e, o principal, como ser feliz, mesmo assim?
Em busca dessas respostas, o Se Liga entrevistou pessoas que sobreviveram à separação e também a autora do livro Separado e Daí?, Renata Rode. A jornalista de 34 anos fez o próprio sofrimento de aprendizado e resolveu dividir o que passou com o resto do mundo. Fique atento às dicas, afinal, nunca se sabe quanto tempo um amor “eterno” pode durar.
A advogada francana Vanessa Martins Ferreira, 25, sempre namorou. Nunca curtiu solteirice por muito tempo e sair apenas com os amigos. Seu último relacionamento, porém, ensinou mais do que ela esperava. De mudança para Ribeirão Preto, ela viu coincidir o fim da paixão com a nova cidade e, sem conhecer muita gente na localidade, se viu completamente sozinha. Não tinha aonde ir e muito menos com quem sair... As coisas só mudaram quando uma amiga também terminou seu namoro. Daí para frente, a balada passou a ser sua segunda casa. Aos poucos, a advogada foi descobrindo os pequenos prazeres de estar solteira: ir ao cinema sozinha, se arrumar para ela mesma, ter tempo para fazer o que quiser e conhecer gente nova todo dia. “Fui fazendo amigos na balada mesmo e hoje temos uma turma que sai no mínimo três vezes por semana. Assim não tem deprê que resista”, conta, se divertindo.
A estudante Ana Carolina Tomaz Ferreira, 21, namorou 1,8 ano e está novamente no “mercado afetivo” há sete meses. Desde então, vem se readaptando à nova vida. Ela conta que depois de sofrer por algum tempo se acostumou com a solidão, ou melhor, com a “solteirice”, porque sozinha mesmo, ela nunca está. “Tenho muitos amigos e não fico em casa por nada. No início, era estranho paquerar e ser paquerada, mas hoje já lido numa boa com isso também e até me divirto”, garante. O segredo dela para passar pela fase crítica do pós-namoro é acreditar que tudo na vida é passageiro e aprender a lição até com o sofrimento. “Sou bem mais madura hoje do que era quando namorava”, conta.
Fases do recém-separado
Para a escritora Renata Rode, que também passou pela situação, o recém-separado tem, basicamente, três fases. A primeira é a da curtição, a segunda é a da seleção e a terceira - e última -, a que descobre que não precisa de ninguém para ser feliz de verdade.
Com o término de uma longa relação, depois do choque de se descobrir sozinho (e até quem queria o fim do namoro passa por isso), vem a fase da badalação. É quando, segundo a escritora, a pessoa sai quase que diariamente e quer conhecer quantas pessoas conseguir, se divertindo a todo custo e massageando seu ego. O recém-separado se vê prestes a “explodir’ e, completamente livre, está a fim de ver e principalmente, ser visto. Essa fase, segundo Renata Rode, dura, geralmente, até quatro meses.
Com o passar dos meses, a pessoa acaba se cansando de inflar a autoestima porque percebe que, mesmo tendo quem quiser ao seu lado, depois de algumas horas, não tem mais ninguém. É nessa fase que o solteiro começa a selecionar pessoas, amigos, ambientes e ficantes.
Essa é a fase mais difícil da separação, de acordo com Renata, pois o novo solteiro se sente só e sai mais por obrigação do que por desejo e acaba voltando para casa, muitas vezes, sozinho e aos prantos. A boa notícia é que essa fase também termina...
Na terceira e última etapa da separação, o que se destaca é a calmaria, tranquilidade. Sim, depois que você chutou o balde, a barraca e a canoa, chegou a hora de se descobrir feliz.
Da autoestima aguçada nos dois primeiros períodos, o solteiro passa para a autoanálise - assim, rapidinho - e enxerga que não depende mais da aprovação dos outros e sua alegria não é mais medida pelo quanto é notado ou cobiçado.
Veja o quadro abaixo:
