Para muitos, cheira a oportunismo. Outros consideram nada mais do que tentativa de voltar a brilhar sob os holofotes da fama. O fato é que as eleições deste ano trazem uma série de artistas e ex-esportistas candidatos a deputado federal e estadual. Em São Paulo temos ainda Netinho de Paula (PC do B) e Moacir Franco (PSL) pleiteando uma cadeira no Senado. Ao que se saiba, a grande maioria dos interessados nunca apareceu verdadeiramente defendendo uma causa ou mesmo a classe artística. Só no Estado, a propaganda eleitoral gratuita vem destacando candidatos como o humorista Tiririca, do PR (‘pior que tá não fica’ é seu slogan), a cantora Simony (PP), o humorista Batoré (PP), o figurinista Ronaldo Ésper (PTC, aquele mesmo dos vasos de flores levados do cemitério), os irmãos Kiko e Leandro, do KLB (DEM), Juca Chaves (PR) e a Mulher Pera (PTN), além do ex-jogador Marcelinho Carioca (PSB) e do ex-boxeador Maguila (PTN). Há ainda a cantora Lecy Brandão (PC do B) e Agnaldo Timóteo (PR), mais conhecido pelo ‘alô mamãe’ em seu primeiro discurso, quando foi eleito deputado federal em 1982 - hoje é vereador em São Paulo e tenta retornar à Câmara dos Deputados. Não se pode esquecer de Frank Aguiar (PTB), que tenta retomar seu posto como deputado federal, o qual tinha abandonado para concorrer a vice-prefeito de São Bernardo do Campo (cargo que ocupa agora).
A estes nomes juntam-se o ex-jogador Romário (PSB), a funkeira Tati Quebra-Barraco (PTC) e até a Mulher Melão, no Rio de Janeiro, entre diversos outros em todo o País. Ou seja, buscam usar a evidência que têm (ou já tiveram um dia) para conseguir sensibilizar o eleitor e conseguir uma ‘boquinha’ política. Cabe ao eleitor, este sim o verdadeiro interessado na ação de seus representantes, separar o joio do trigo. Seria uma leviandade eleger algum candidato que não conheça o que faz um deputado. De propostas concretas, o de sempre: ‘lutar pela saúde, pela educação e pelo trabalho’, um discurso repetido à exaustão por quem não tem o mínimo preparo para apresentar propostas que se tornem leis, contribuindo para o fortalecimento da democracia e do bem-estar comum dos contribuintes.
O que se depreende disso tudo é que a maioria quer mesmo é ‘se arrumar’, como um notório personagem humorístico de Chico Anysio na TV, o mesmo que diz: ‘quero que o povo se exploda’. O que não podemos é permitir que esta verdadeira farra se perpetue e os pseudos políticos continuem se elegendo e sendo utilizados como ‘vaquinhas de presépio’ pelos ‘caciques’ de seus partidos. Passa da hora dos eleitores brasileiros exigirem seriedade com a coisa pública e com o seu dinheiro, uma vez que os detentores de cargos eletivos são pagos (e muito bem pagos) com o que os brasileiros recolhem em forma de impostos, criando uma das maiores cargas tributárias do mundo. Respeito é bom e todo mundo gosta. Por isso, antes de digitar seu voto, o eleitor precisa mais uma vez analisar com bastante cuidado as propostas e as ações daquele que pretende ser seu representante, para que o País não venha a sofrer depois.
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