Eleições: contagem regressiva


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Na terça-feira, teve início a veiculação da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, que vai até o dia 30 de setembro, três dias antes do primeiro turno. A apatia foi constatada pela imprensa em várias cidades. A população mostra-se desestimulada em relação ao acompanhamento dos candidatos. É natural que isso aconteça, devido ao repertório artificial, repetitivo e superficial da maioria.

 

Mas para a democracia, não é recomendável o afastamento dos cidadãos em relação à vida política. É assim que ocorrem as falcatruas, a indiferença e a prepotência por parte de mandatários. Por falta de fiscalização, inclusive fora do período eleitoral. A responsabilidade do cidadão não se esgota no ato de eleger. Não é uma transferência de bastão. E para esse indispensável olhar crítico e participativo, a imprensa tem um papel relevante, como mostram os exemplos a seguir, extraídos do noticiário dos últimos dias dos jornais que compõem a Rede APJ no Estado de São Paulo. A vigilância da imprensa é implacável, antes, durante e depois das eleições. Reflete o espírito da cidadania, cada vez menos tolerante com a manipulação dos políticos.

 

Fura-filas
Em Limeira, é comum vereadores pedirem atendimento preferencial para seus eleitores em detrimento da população em geral atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Jornal de Limeira criticou em editorial: “O que se verifica é uma imoralidade explícita, em que políticos usam de seu cargo, função ou prestígio para agradar uma minoria em detrimento de toda uma coletividade. Esquecem-se de sua função fiscalizadora e legislativa para se perpetuar no poder”.


De olho
A lei proíbe o uso de bens públicos para fins eleitorais, sob pena de multa e cassação do registro do candidato. Em S. José do Rio Preto, a votação de um requerimento de congratulação com os funcionários do Poupatempo, na sessão da Câmara, foi transformada em propaganda política para campanhas de candidatos do PMDB e PSDB, segundo o Diário da Região. E candidatos do DEM foram denunciados por pedir votos em churrascada com distribuição gratuita de carne e refrigerante, o que pode caracterizar compra de voto. Denunciar é preciso.


Com a boca na botija
Ainda em Rio Preto, um dia após o Diário da Região revelar gastos supérfluos em viagem oficial de comitiva de autarquia da administração municipal ao exterior, o superintendente do órgão anunciou que faria o reembolso aos cofres públicos. Segundo o jornal, foram apresentadas notas fiscais com gastos com vinho, queijos finos e cerveja, além de luva e tesoura de jardinagem.


‘Assim resolve!’
Empresário de Araçatuba cansou de esperar para ver o trecho de rua em frente a sua casa asfaltado e resolveu tomar providências. Pagou R$ 1 mil para cimentar o local, segundo mostra a Folha da Região com foto de primeira página. Em Americana, O Liberal registrou a ação de moradores que, sem a atenção da Prefeitura, estão fazendo a manutenção de uma rua de bairro. As notícias são altamente positivas. Claro que o cidadão paga impostos e deve exigir os seus direitos. Mas atitudes como essas, ainda mais tornadas públicas, servem de vazão para a indignação do contribuinte mal atendido pelo poder público.
 

Transparência
Com o objetivo de fiscalizar o uso do dinheiro público e conscientizar o cidadão de seus direitos e deveres na participação política, a ONG Bauru Transparente (Batra) promoverá campanha pelo maior envolvimento da população na disputa eleitoral, segundo informa o Jornal da Cidade. Em parceria com a ONG Voto Consciente que ofereceu conteúdo para elaboração de panfletos - a Batra planeja fazer palestras em escolas, associações e empresas sobre a importância do voto.


Promessas (1)
Das 51 obras do Programa de Aceleração Econômica (PAC) em 25 cidades da região de Presidente Prudente, 39 estão no estágio de “ação preparatória”, ou seja, na gaveta. Após três anos e meio, três delas foram, de fato, concretizadas. A informação é de O Imparcial.


Promessas (2)
O governo estadual tucano, por sua vez, capricha na projeção de realizações futuras, em busca de votos. Para a região de Presidente Prudente, foi dito que nenhuma cidade mais ficará sem delegado de polícia. E Alckmin prometeu 12 piscinões no ABC para conter as enchentes e revisão das tarifas de pedágio em Araraquara. Tudo isso, claro, para 2011, após as eleições. É preciso registrar, para cobrar depois.

 

Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br

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