O candidato Roberto Carolino de Freitas, o Carola, (PSOL) mostrou coragem durante a sua sabatina, realizada na última quinta-feira. Carola, que é pedreiro, reafirmou seu compromisso com o trabalhador e com as comunidades dos bairros periféricos francanos.
Carola foi contundente ao defender a reforma agrária, a redução da jornada de trabalho e a criação de escolas profissionalizantes nos bairros francanos. O candidato discursou a favor da implementação do socialismo no Brasil, regime que ele e seu partido defendem, e da chamada reforma urbana, que prega a invasão de imóveis desocupados. Foi a primeira entrevista ao vivo concedida por Carola em toda sua vida.
GCN Comunicação - Por que o senhor quer ser deputado federal?
Carola - Nós vamos lutar, por exemplo, pela saúde pública de qualidade. Nos bairros hoje a saúde está péssima. Nós vimos que as pessoas ficam meses na fila esperando por uma cirurgia eletiva, ficam anos esperando por uma consulta ou exame. Nós vamos lutar por estes benefícios e lutar para que o Estado assuma seu compromisso que é saúde para todos os brasileiros. Em segundo lugar, vamos lutar por educação de qualidade. Hoje em dia a maioria dos jovens não tem educação de qualidade.
GCN - O senhor participou de três eleições municipais para vereador, nunca conseguiu ultrapassar os 590 votos. Em 2006, o único candidato a deputado federal eleito em São Paulo pelo seu partido foi Ivan Valente, com 83.719 votos. Como o senhor espera alcançar os votos necessários para se eleger?
Carola - Primeiramente, uma eleição para vereador é muito fechada. No meu bairro mesmo teve mais de 30 candidatos. Então, o pessoal divide os seus votos. Agora, como deputado, a gente pode alcançar outras regiões. Nas eleições para vereador, fiz a campanha trabalhando quase que somente na região Sul e obtive essa votação. Hoje estou querendo alcançar toda Franca e região.
GCN - Nas eleições de 2008, o senhor disse que a sua vitória para a Câmara Municipal foi atrapalhada pelo grande número de candidatos. Nestas eleições, temos oito candidatos a federal disputando 218 mil votos do colégio eleitoral de Franca. O senhor não pode repetir agora a mesma situação de 2008, já que com menos de 100 mil votos dificilmente será eleito?
Carola - Eu acho que a minha campanha é diferenciada, porque estou fazendo uma campanha trabalhando com as comunidades de bairro e com o trabalhador. E nesse ponto, eu acho que tem muito mais trabalhador e comunidades de bairro do que o eleitorado dos outros candidatos.
GCN - A sua campanha vem sendo feita com pouquíssimo dinheiro. Até para panfletagem, o senhor usa transporte público, mototáxi. Sem recursos financeiros e com as restrições legais às campanhas eleitorais, como o senhor espera convencer os eleitores e vencer as eleições?
Carola - Quando comecei a campanha, estava praticamente sozinho. Hoje vários comerciantes, várias pessoas da região Sul estão aderindo à minha campanha. Tenho quase certeza de que esse pessoal que está se juntando à minha campanha vai dar uma força e vou conseguir alcançar os votos de que preciso.
GCN - O seu registro eleitoral continua constando como impugnado no Tribunal Superior Eleitoral. Qual o motivo? O senhor acredita que a sua candidatura possa correr riscos?
Carola - Não, nós não estamos correndo riscos porque nós temos os advogados que estão cuidando dessa parte e com certeza eles vão dar a volta. Não existe risco porque não tem ficha suja. O que aconteceu é que algum documento foi extraviado, se perdeu, mas nós já encaminhamos e os advogados vão resolver.
Carola - Nós, do PSOL entendemos que a pesquisa e a ciência devem ser assuntos relevantes. Nós do PSOL entendemos que deve haver ainda uma discussão mais aprofundada na sociedade. A maioria da sociedade ainda não sabe o que significam essas pesquisas. Então, se for possível, nós vamos tentar viabilizar um plebiscito para discutir esse assunto.
Carola - A minha posição e a posição do meu partido é de que cada pessoa é livre para fazer o que bem entende sobre o sexo. Cada um é livre.
Carola - Nesse caso, eu sou contra porque eu penso em como será quando essa criança chegar à adolescência e à escola.
Carola - Eu não acho errado.
Carola - Eu sou contra por causa do aspecto da criança na escola, por motivo da educação da criança.
Carola - Sou a favor da educação da criança. Pessoalmente, acho que a criança deve ser educada, não espancada. Onde houver uma palmada, pode haver agressão. Então, sou a favor do projeto.
Carola - Eu falo várias vezes, mas se for preciso, eu dou uns tapinhas.
Carola - Porque existem pessoas que não sabem educar seus filhos. A partir de uma palmada, partem para o espancamento. Às vezes podem levar a criança até mesmo a óbito.
Carola - A minha posição não é contraditória porque tem pais que vão dar uma palmada e, a partir dela, eles acabam espancando seus filhos. Para a pessoa educar, não precisa nem da palmada.
Carola - Apanhei muito.
Carola - Todas as palmadas foram merecidas. Eu era bem levado
Carola - Sou contra porque o Brasil ainda não está preparado para a pena de morte. Se tiver pena de morte, só vai morrer aqueles coitados que moram nas favelas e os que realmente precisam ser punidos não serão. Sou contra a pena de morte no Brasil.
Carola - Eu entendo que não, porque a recuperação é para pessoas que cometeram pequenos delitos. Acredito que quem já cometeu crime hediondo não tem recuperação.
Carola - Acredito que o candidato Plínio não quis dizer que ele é a favor da liberação das drogas. Ele é contra a criminalização da pessoa que, às vezes, está fumando um baseado e é criminalizada por esse motivo. Esse é o caso em que a pessoa tem recuperação e não precisa ser criminalizada por essa razão.
Carola - Acho que ela deve continuar proibida. Qualquer tipo de droga deve ser proibido. Moro em um bairro da periferia e lá as pessoas sofrem muito por causa da droga. As pessoas começam pela maconha e depois passam para outros tipos de droga. Eu sou totalmente contra as drogas.
Carola - Sou casado, pai de sete filhos, tenho uma fé cristã, portanto sou contra, mas o meu partido acredita que as pessoas que chegaram ao ponto de fazer isso não devem criminalizadas pelo ato que cometeram. Elas precisam do socorro de uma ambulância e não da polícia.
Carola - Eu acho que não. Vou levar a voz do trabalhador e da comunidade à Câmara Federal. Tenho experiência suficiente para isso e existem pessoas do meu partido que vão me ajudar a elaborar os projetos. Porque o meu partido é um partido socialista, que faz um trabalho para o operário e a comunidade. E é por isso que estou nesse partido.
Carola - Para mim, que venho disputando desafios e lutando pela comunidade, tanto faz ser vereador, deputado estadual ou deputado federal. Tendo uma assessoria que vai pegar firme, qualquer um dos três é a mesma coisa. Então, não vejo dificuldade, como deputado federal, em fazer os projetos que a nossa comunidade está precisando. Para se ter uma ideia, nenhum dos deputados da região que aí estão fez um projeto de interesse da comunidade. É por isso que quero ser federal, para levar à Brasília aquilo que a nossa comunidade, nossa cidade e o nosso povo precisam.
Carola - Quando comecei a trabalhar, com nove anos, as atividades que eu exercia eram bem mais perigosas, porque comecei na roça. Então, acho que a Guarda Mirim deveria fazer uma atividade educativa e deixar os adolescentes trabalharem e ajudarem suas famílias.
Carola - Em determinado ponto, acho as limitações adequadas, porque as empresas usavam o trabalho infantil pagando pouco para os menores e, ao mesmo tempo, faltava trabalho para os pais de família que precisavam trabalhar.
Carola - Na Guarda, eu acho que os meninos abaixo de 16 anos deveriam trabalhar em um lugar onde não há perigo. Os lugares perigosos devem ser dos adultos.
Carola - Primeiro, vou conseguir buscar verbas junto à União. Nós sabemos que verba tem, dinheiro tem. Eles que não aplicam direito. No ano passado, por exemplo, eles gastaram R$ 380 milhões na dívida pública. Então, dinheiro tem. Falta ir buscar, trazer os benefícios para o próprio bairro.
Carola - É num outro ponto que eu queria chegar. Existem várias escolas profissionalizantes na cidade, só que os pais das crianças da periferia têm que desembolsar no mínimo R$ 200 para aquele adolescente ir fazer a escola profissionalizante no centro da cidade. O meu projeto é levar a escola profissionalizante para o bairro, para que as crianças do bairro possam estudar, aprender uma profissão e não entrar no mundo do crime.
Carola - Eu me inspiro no Plínio de Arruda Sampaio. Ele é um dos relatores da constituição, lei que não está sendo cumprida. Ele também luta pela reforma agrária, que ele vem há anos batendo e ninguém está fazendo nada.
Carola - Sou a favor da reforma agrária no Brasil. Ultimamente há milhares de hectares de terra ociosos, criando carrapato. Sou favorável à reforma agrária, à distribuição de terra para que o trabalhador rural, que vive sem emprego, possa trabalhar. Vou dar o exemplo da Fazenda Boa Sorte. Era uma fazenda que vivia criando carrapato. Eu mesmo estive lá há pouco tempo. A fazenda está produzindo, o pessoal está criando galinha, porco, vaca, fazendo plantio de hortaliças e distribuindo para creches e entidades de caridade.
Carola - Eu acredito que deve ter algum equívoco nos dados do ministro. Há pouco tempo, o partido do ex-ministro defendia a reforma agrária. Hoje ele está com estes dados contra a reforma agrária. Como que há pouco tempo atrás existiam muitas terras ociosas e hoje já não tem mais?
Carola - Eu entendo que não e cito o exemplo da Fazenda Boa Sorte novamente. A maioria do pessoal que está na Boa Sorte produzindo alimento, vacas, porcos e galinha era da cidade. E hoje eles estão distribuindo alimentos para creche e entidades de caridade.
Carola - A constituição diz que o Estado tem obrigação de dar saúde, alimentação, escola, lazer, cultura e moradia. O Estado tem que cumprir com sua obrigação e estas casas que estão ociosas, que estão lá servindo para pessoas ficarem dentro da casa usando drogas ou outros tipos de coisas, devem ser ajeitadas pelo Estado para as pessoas morar.
Carola - Eu defendo que as pessoas que têm as suas casas e estão sendo ocupadas e servindo para a função social de moradia continuem sendo proprietárias do imóvel.
Carola - Eu votaria a favor da redução de 44 para 40 horas semanais. Assim, sobrará mais tempo para a pessoa ficar com sua família, praticar um esporte, passear. Eu entendo que hoje o trabalho no país está muito exaustivo. No corte de cana, por exemplo, nós vimos casos de trabalhadores morrendo de tanto trabalhar.
Carola - Sou contra o banco de horas porque os empresários se aproveitam do banco de horas. Tem várias pessoas desempregadas precisando tratar de suas famílias. Como sou a favor da redução da jornada de trabalho, não poderia ser a favor do banco de horas, porque, se fosse a favor, estaria me contradizendo.
Carola - Está havendo um estudo que estipula que as grandes propriedades sejam dividas em 1000 hectares.
Carola - O meu empenho é com o trabalhador e com a comunidade de bairro. As pessoas que acumularam grandes propriedades com certeza tiraram do trabalho exaustivo de outras pessoas.
Carola - Nós somos a favor da redução de impostos para aquelas pessoas que ganham menos, que gastam seu dinheiro comprando arroz, feijão, açúcar, leite. Que o imposto seja reduzido ou até isento nestas situações. O projeto da Luciana Genro é para quem tem mais de R$ 2 milhões e sou a favor.
Carola - Se os outros pagarem o imposto maior, por que ele não deveria pagar também? Tem que pagar.
Carola - Eu já estou no PSOL justamente por isso. É para defender o trabalhador, a comunidade de bairro, defender o socialismo.
Carola - Claro que no Brasil vai ser mais difícil porque o país é muito maior, tem muito mais capitalistas. Isto vai ser um trabalho que será estudado quando meu partido chegar ao poder.
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