'Família Acolhedora' precisa ampliar número de voluntários


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DIA DE REFLEXÕES - Auditório do Uni-Facef lotado na manhã de ontem: autoridades e família discutiram modos de atender crianças e jovens vitimizados
DIA DE REFLEXÕES - Auditório do Uni-Facef lotado na manhã de ontem: autoridades e família discutiram modos de atender crianças e jovens vitimizados

Mãe de um menino de 9 anos e de uma menina de 5, a dona de casa Flávia Regina dos Santos Cintra, 29, faz parte do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora e já cuidou de três crianças por tempo indeterminado. O programa, instalado há dois anos em Franca, é uma medida protetiva voltada para crianças e adolescentes vítimas de ameaças ou violação de direitos. De janeiro a julho deste ano já atendeu 74 crianças e adolescentes e tem 41 famílias cadastradas. Para divulgar, discutir e refletir sobre as alternativas desse trabalho e conseguir a adesão de mais famílias, foi realizado ontem, no Centro Universitário Uni-Facef, o V Ciclo de Reflexões sobre Criança e Adolescente.

 
Representantes de 21 cidades da região participaram do encontro que teve como tema “Convivência Familiar e Comunitária: Os Desafios e as Alternativas no Trabalho com Famílias” e reuniu cerca de 300 pessoas. “Nosso intuito é discutir e refletir sobre as alternativas desse trabalho com as famílias de origem. Nosso desafio é entender essas famílias, compreender o contexto e como a nossa abordagem técnica pode ter um efeito para que a criança ou adolescente possa ser integrada ao lar”, resume a responsável pelo programa, a assistente social Carla dos Reis Galvão Prazeres.
 
Segundo o secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, o encontro também é uma forma de mostrar para a comunidade o que é feito com o recurso público. “Só para manter o abrigo, a prefeitura investe R$ 1,4 mi por ano e cerca de R$ 11 por dia para cada assistido pelas famílias”, ressalta.
 
Nívia Maria Polezer, assessora técnica da Secretaria Nacional de Assistência Social, conta que por meio do Departamento de Proteção Social Especial do Ministério, a Secretaria tem priorizado o Suas (Sistema Único de Assistência Social) no sentido de reordenar todos os serviços de acompanhamento às famílias.
 
No encontro, todo o programa foi detalhado e várias famílias contaram suas experiência. À tarde, os convidados participaram de oficinas e mini cursos ministrados.

O PROGRAMA
O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, mantido pela Secretaria de Ação Social, tem quatro frentes de ações: a família de apoio - que acolhe por um tempo indeterminado até que se resolva a situação da criança ou adolescente; a família eventual - que recolhe a criança no Recanto Samaritano em períodos determinados; a família de origem - acompanhamento sistematizado no período em que houve a retirada da criança; e a criança e o adolescente - apoio para fortalecer o desenvolvimento e a autonomia.
 
De acordo com a assistente social Carla dos Reis Galvão Prazeres, o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora tem hoje 41 famílias cadastradas. Em dois anos de atuação já registra bons resultados. De janeiro a julho deste ano já atendeu 74 crianças e adolescentes vítimas de negligências, maus tratos, abandono, drogas e violências diversas, encaminhadas pelo Poder Judiciário e Conselho Tutelar. Deste número, 20 foram assistidas pelas famílias de apoio, sendo que dez ainda continuam assistidas, três foram adotadas e sete foram reintegradas às famílias de origem.
 
“É importante para a criança não ficar em abrigo coletivo, principalmente depois desta ruptura. O espaço ideal é uma família, o convívio afetivo que promove a socialização e a autonomia”, afirma Carla. “É muito gratificante. Em troca a gente recebe afeto, carinho. Acho que é um dom”, acredita Flávia Regina.
 
As famílias que tiverem interesse em aderir ao programa, podem obter mais informações no telefone (16) 3711-9313. “Elas passarão por um critério de avaliação e seleção. Não adianta só ter boa vontade, esse trabalho exige muita responsabilidade”, reforça a assistente social.

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