Mirando no bem-estar


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Quase 35 milhões de brasileiros não contavam com serviço de rede coletora de esgoto em 2008, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): esse número corresponde a 18% da população. O dado, divulgado nesta sexta-feira, 20, faz parte da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realizada no segundo semestre de 2008, em parceria com o Ministério das Cidades. O estudo pretende avaliar os serviços de abastecimento de água, esgoto sanitário, manejo de águas pluviais e manejo de resíduos sólidos nos municípios brasileiros, através das atuações dos órgãos públicos e empresas privadas. O estudo demonstrou ainda que quase todos os municípios brasileiros (99,4%) contam com rede de abastecimento, mas pelo menos uma em cada cinco casas não tem água encanada. Moradores de 827 municípios brasileiros ainda têm que recorrer a carros-pipa, poços, chafarizes, minas e bicas. O IBGE ouviu, em 2008, todas as prefeituras e empresas de saneamento básico do País.


Ou seja, embora venha avançando em uma série de índices, inclusive superando a recuperação das potências mundiais depois da crise global de 2008, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer. Para garantir que a população desfrute de saúde, educação, moradia e alimentação, princípios básicos da dignidade humana, é necessário que o Poder Público (do governo federal às prefeituras municipais) trabalhe no sentido de propiciar qualidade de vida aos seus cidadãos. Não será apenas com os programas de distribuição de renda, como o ‘Bolsa Família’, que a meta será atingida. É preciso, antes de tudo, que os administradores públicos vejam o saneamento básico como primordial para o bem estar da população. O dinheiro gasto em saneamento vai impedir que, mais tarde, sejam dispendidas somas muito maiores para o atendimento médico das populações menos assistidas.


Já passou da hora de as autoridades públicas entenderem que o maior tesouro de cada Nação é o seu povo. O seu conforto é essencial para o crescimento e progresso de cada país. Os governantes brasileiros, que gastam bilhões de reais com programas de distribuição de renda e obras dispensáveis, precisam voltar seus olhos para a população como um todo. Poucas cidades do País contam com um sistema de coleta de esgotos e distribuição de água tratada que contempla quase 100% da população, como nosso município e a maioria da região. Antes mesmo de obras dispensáveis como a ferrovia Norte-Sul (só para citar um caso), onde os benefícios à população serão mínimos em todo o seu trajeto (vai servir ao transporte de minério de ferro mas não ao de passageiros, num primeiro momento), é preciso pensar nas chamadas obras ‘enterradas’, as que não são normalmente vistas mas são indispensáveis para melhorar a qualidade de vida da população. Elas não aparecem e por isso não ensejam ao político subir ao palanque para discursar em benefício próprio. Para o Brasil se tornar realmente de primeiro mundo, necessita dar à totalidade de sua população condição de vida muito melhor, com saúde, educação, trabalho, moradia, alimentação e muitos outros benefícios que atualmente ainda são ignorados por vastos segmentos.

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