Mais da metade do eleitorado francano tem, no máximo, o primeiro grau completo. Segundo estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral, 52,13% dos eleitores da cidade - cerca de 114 mil pessoas - fizeram até a oitava série. Neste balanço, incluem-se também analfabetos, os que dizem saber ler e escrever e primeiro grau incompleto.
A dona de casa Regina Maria Silva, 52, do Jardim Guanabara, é uma das que se enquadram nessa estatística. Casada e com quatro filhos, a francana tem apenas o ensino fundamental.
Apesar de demonstrar pouca confiança na iniciativa política, ela coloca como prioridade a questão da segurança, principalmente porque mora ao lado da cadeia. Também sugere escolas de tempo integral para atender a população pobre, bem como atendimento de saúde qualificado em hospitais públicos da cidade como o Janjão.
Na concepção dela, político bom tem que ter caráter, mas acha que a maioria costuma mentir. “É difícil julgar quem é bom. Muitos candidatos entram por oportunidade. Não entendo o que eles falam, é muito candidato”, diz, sem ter ainda decidido em quem vai votar. Seu principal meio de conhecer os candidatos é a TV e o rádio.
Na análise do professor de Ciência Política, Dalmo Henrique Branquinho, que leciona na Unifran e no INPG de Araraquara, a baixa escolaridade, associada à falta de leitura e de interesse, é um fator que pode gerar impactos negativos no senso crítico e no discernimento das pessoas na hora de escolher os melhores representantes. “O maior ou menor grau de escolaridade implica no maior ou menor grau de discernimento, que é fundamental para o voto.
O grande problema é que esse grau de escolaridade é muito influenciável, então existe muita compra de voto, a pessoa não entende a necessidade de voto”, afirma, colocando que o eleitor com até primeiro grau tem pouco hábito de leitura e costuma se informar exclusivamente pela TV.
O discurso político, na opinião do professor, acaba se moldando em função do eleitorado menos instruído. “O discurso tem que ser inteligível, tem que tocar e não pode ser intelectualizado”, conclui.
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