Sem alça


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A bolsa guardada
guardava tanta coisa
a carteira nova
da mãe daquela moça
que ainda guardava
dobrada a velha carta
que havia ganhado
do seu ex-namorado
que ainda sofria
com o fim do noivado
com a moça da bolsa
que o havia deixado

 
E a bolsa guardada
guardava tanta coisa
a nota da moça
que havia viajado
sozinha e perdida
com seus pés calejados
de tanto fugir
de um homem transtornado
 
E a bolsa guardada
guardava tanta coisa
o creme vencido
e o enfeite que o amigo
havia doado
àquela bela moça
que por um impulso
perdeu todo o juízo
ao ver que o mundo
não era um paraíso
 
E a bolsa guardada
guardava tanta coisa
o auto-epitáfio
da moça amedrontada
que ainda escondia
a marca da pedrada
sob seus cabelos
com uma fita listrada

E a moça guardada
guardara tanta bolsa
A bolsa azul
que vivia fechada
A bolsa amarela
por dentro decorada
em tons tão escuros
com cor preta espalhada
A bolsa vermelha
deixada ali de lado
Sua bolsa branca
de tecido rasgado
até camuflado
junto a um pano desbotado
 
Tanta coisa numa bolsa
Tanta bolsa pra uma moça
Tanta moça numa bolsa
Uma moça
Uma bolsa
 
 
Lívia da Silva  Inácio
Coordenadora do “Projeto Jornal Escola” do Comércio.

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