“Tenho que votar só em um...”


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Assistindo à estreia do programa fiquei com pena de ter que votar em apenas um candidato dentre os presidenciaveis. Afinal, são todos tão inteligentes, aparecem tão bem intencionados na TV que dá dó ter que desprezar qualquer um. Cada qual mostra ter nascido de famílias humildes e que batalharam muito para conquistar estudo e posição. E o que dizer da militância deles? Meu Deus! São currículos de fazer inveja a São Francisco de Assis tamanha a dedicação aos pobres e desvalidos da sociedade, e à melhoria da condição de vida dos brasileiros. Dá mesmo para se ter a nítida impressão de que todos, sem exceção, nasceram predestinados a ser presidente (ou presidenta) da nossa amada e idolatrada república. Não há um deles que não apareça beijando criancinhas pobres, abraçando velhos moribundos ou comendo um pastelzinho no mercadão popular. A gente fica mesmo emocionado de ver como o futuro do nosso País está assegurado com tanta gente boa assim, querendo governá-lo. E os discursos? Memoráveis! “Vamos melhorar a saúde, investir na educação dos nossos jovens, reajustar o salário mínimo acima da inflação, acabar com os pedágios, reduzir os impostos, melhorar a segurança pública etc...etc...etc”. Dos três candidatos rotulados pela mídia como “principais”, dois tiveram seus partidos por oito anos à frente da presidência, sendo que ambos foram ministros em seus respectivos governos. Ou seja, tiveram participação ativa. Dessa experiência toda nasceu a cansativa cantilena do “nós fizemos isso, eles deixaram de fazer aquilo”. Nos telejornais da TV aberta tenho acompanhado matérias que esboçam um interessante raio-x do Brasil, como é típico nessas épocas eleitorais. Vou ressaltar aqui o que me restou na memória da enxurrada de informações que as emissoras despejaram em minha mente: 53% é a carga de tributos que está embutida no preço da gasolina; 44% dos municípios de Goiás não têm sequer uma unidade de pronto atendimento de saúde; o governo brasileiro arrecadou em julho/2010 R$ 67,973 bilhões; o mesmo governo aplica em saúde menos de 2% do PIB. Resta agora algum dos(as) nobres candidatos(as) colocar de vez as cartas na mesa sobre seus planos para erradicar definitivamente um mal que envergonha o Brasil perante o mundo inteiro: a carga tributária que rouba o cidadão de bem e deposita nas mãos de milhares de administradores desonestos ou incompetentes seu suado dinheiro. Teremos que descobrir, entre esses sorrisinhos e essas juras de boas intenções, qual deles está mesmo disposto a realizar as mudanças estruturais que nosso país necessita para alcançar desenvolvimento com um mínimo de justiça social.

Ronaldo Pereira da Silva
Franca - SP

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