O candidato a deputado federal Roberto Carolino de Freitas (PSOL), o Carola, chegou à sede do GCN Comunicação de táxi, acompanhado apenas por sua filha Ranielle, às 9h45 desta quinta-feira. Foi direto para a sala de maquiagem. Depois seguiu para o Auditório “Jornalista Corrêa Neves”, onde foi sabatinado pelos jornalistas do GCN Comunicação por cerca de uma hora e se encontrou com sua assessora Marília Martins. Foi a primeira entrevista ao vivo da vida de Carola.
Com fala simples e autêntica, o pedreiro que nasceu e construiu a vida na Zona Sul de Franca demonstrou coragem ao enfrentar os jornalistas, mas não conseguiu deixar claras suas posições sobre temas de relevância nacional, como a pesquisa com células-tronco ou a legalização da união de homossexuais. Seu discurso, na maior parte da entrevista, se mostrou contraditório. Afirmou ter convicções pessoais bem distintas das bandeiras defendidas por seu partido.
Carola abriu sua participação contando ter acompanhado as dificuldades dos trabalhadores e da comunidade que mora na periferia da cidade. “Conheço de perto os problemas enfrentados por causa da atual política. A saúde pública nos bairros está péssima. Vamos exigir que o Estado assuma o seu compromisso. Também vou brigar pela construção de mais UBSs e mais escolas”, disse, assumindo uma atribuição de competência do Poder Executivo.
Mesmo tendo sido derrotado nas três últimas eleições para vereador com baixa votação, Carola disse confiar em sua vitória no dia 3 de outubro. “A eleição para vereador é muito fechada. No meu bairro, foram mais de 30 candidatos. Fiz minha campanha trabalhando só na região sul. Agora estou querendo fazer toda a cidade e a região. Minha campanha é diferenciada. Estou trabalhando com a comunidade de bairro e com os trabalhadores e vamos vencer”.
Ao abordar questões nacionais, evitou responder diretamente a quase nenhuma questão. Preferiu citar o posicionamento de seu partido, deixando de colocar em evidência suas convicções pessoais. “Nós do PSOL entendemos que a pesquisa e a Ciência devem ser um assunto relevante. Entendemos que deve haver uma discussão mais aprofundada na sociedade sobre esse tema. Se for possível, até vamos ver a possibilidade de fazer um plebiscito”.
Também foi bastante hermético ao manifestar sua opinião sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo. “A posição do meu partido é a de que as pessoas são livres para fazerem o que bem entendem sobre o sexo”, respondeu, dando a entender que seria favorável à aprovação de projeto neste sentido. Mas, logo em seguida, ao ser questionado sobre a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, se mostrou contrário à ideia. “Neste ponto, sou contra por causa do que possa acontecer com a educação da criança”.
Pai de sete filhos, Carola disse que já deu algumas palmadas para corrigi-los, mas afirmou ser favorável ao projeto que proíbe o uso deste meio de correção na educação de crianças. “Sou a favor do projeto. A criança deve ser educada, não espancada. A pessoa deve educar seu filho dialogando”.
Ele é contra a pena de morte. E, apesar de não acreditar que o autor de um crime hediondo possa se recuperar, não tem nenhuma ideia do que pode ser feito com os criminosos de alta periculosidade.
Carola também disse que é contra a legalização da maconha e a liberação do aborto. “Minha fé é cristã, mas o meu partido entende que as pessoas que chegam a este ponto (o de abortar) não podem ser criminalizadas”. Somente quando questionado pelos jornalistas, revelou sua posição sobre o assunto. “Pessoalmente sou contra o aborto”.
O candidato disse apoiar a invasão de terras para a reforma agrária e até a expropriação de imóveis urbanos desocupados. “Se tem uma casa lá que está desocupada, sem uso, a família que não tem onde morar deve invadir. O pai de família tem que dar um teto para seus filhos”.
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