Acidente que matou família continua sem laudo


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CHOQUE FRONTAL  - Imagem de arquivo mostra que sobrou do Fiat Uno da família de Guará após acidente ocorrido em junho. Carro bateu de frente com camionete dirigida por político
CHOQUE FRONTAL - Imagem de arquivo mostra que sobrou do Fiat Uno da família de Guará após acidente ocorrido em junho. Carro bateu de frente com camionete dirigida por político

 

Passados 60 dias do acidente que matou três pessoas da mesma família na Rodovia “Prefeito Fábio Talarico”, em São Joaquim da Barra, a Polícia ainda não concluiu o laudo técnico nem ouviu o político e candidato a deputado federal pelo PSDB, Tirso Meirelles, envolvido na ocorrência. A colisão aconteceu na tarde do dia 19 de junho, quando, por motivos ainda a serem esclarecidos, Meirelles chocou a camionete Ford Edge V6 que dirigia frontalmente com um Fiat Uno, conduzido pelo supervisor de uma empresa de equipamentos agrícolas Jandemir Missias da Silva, 47. 
 
O Uno também tinha como passageiras sua mulher e a filha mais nova do casal, de 12 anos. A família de Guará, que estava indo para Guaíra visitar uma parente, morreu na hora. O político, que fazia o caminho contrário rumo a Franca e havia acabado de sair de um aniversário em Guaíra, sofreu apenas ferimentos leves.
 
Apesar da abertura do inquérito civil, a apuração continua sem novidades. Primeiramente, Tirso Meirelles prestaria depoimento em Franca, por meio de uma carta precatória enviada para a Seccional da cidade. Como está residindo em São Paulo para tratamento médico, a precatória foi transferida para a capital e ainda não há previsão de quando será executada. “Já fizemos o pedido para ele ser ouvido em São Paulo e agora é guardar. Não temos como prever uma data de retorno”, disse o delegado do caso, José Bernardino Alecrim, titular do 1º Distrito Policial de São Joaquim da Barra.
 
Ainda em junho, dias após o acidente, o delegado declarou acreditar que o político francano teria ocasionado a colisão, em razão dos danos provocados nos veículos. O delegado chegou também a pedir um exame de dosagem alcoólica, mas a coleta de sangue foi negada por Meirelles, dificultando ainda mais a investigação para saber se ele teria ingerido bebida alcoólica antes do acidente. No Boletim de Ocorrência registrado pela Polícia Rodoviária de Orlândia, na data do desastre, consta que Tirso Meirelles invadiu a pista contrária.
 
Considerado como peça fundamental para resolução do caso, o laudo da perícia ainda não foi finalizado pelo Instituto de Criminalística de Ituverava. Para o delegado, a demora era previsível por se tratar de um levantamento complexo. “Não é simples concluir este laudo. Depende de vários exames e do confronto de dados”, disse Bernardino.
 
No IC, a informação é que o laudo, conduzido pelo perito João Carlos Rosa, está prestes a ser fechado. A previsão é que ele esteja nas mãos do delegado no prazo de 15 dias. O perito, que poderia dar mais detalhes do levantamento, estava de folga ontem.
 
Sem a única irmã e órfã de pais, Karen Daniele, 22, que não viajou com a família naquele sábado, está indignada com a lentidão na apuração do caso. Ela, que agora mora com a família do namorado, não recebeu nenhuma assistência ou visita do político. Só após a publicação da matéria “Só quero justiça” em 25 de julho, que familiares de Meirelles procuraram a jovem para oferecer ajuda, mas ela negou. “Eu queria que eles agissem um pouco mais rápido e pegassem no pé. É preciso esclarecer esta história para ver quem é quem de verdade”, disse na época. Ontem, o namorado da moça disse que ela aguarda a conclusão do laudo para decidir se entrará na Justiça.
 
Desde o acidente, Tirso Meirelles está incomunicável e ontem não atendeu as três ligações feitas para seu celular nem retornou aos recados deixados com sua assessoria.

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