“A vida virou um inferno”


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Escrevo porque sei que vocês, do Comércio, são os únicos que têm coragem de “peitar” (sic) qualquer situação, se estiver dentro da lógica. Já procuramos por muitos mas ninguém toma providência alguma. (...) Somos moradores da Rua Ewerton de Paula Merlino, na Santa Cruz, e estamos revoltados, com medo e indignados. Na mesma época em que aterraram o “piscinão”, pessoas invadiram uma casa nesta rua – ou alugaram, ninguém sabe ao certo – e, de lá para cá, nossa nossa vida virou um inferno. Tenho muita dó de quem entra no “crack”, mas, infelizmente, sabemos que a maioria não quer ajuda. Nesta casa, não tem energia elétrica e nem água mas é um entra e sai danado. Há brigas e muita baixaria no meio da noite. É homem que bate em mulher, é moça grávida se drogando, há entulho na porta e um cheiro horroroso de fezes. Estão agora apertando campainhas e pedindo dinheiro ou mesmo, um banho. Nas noites, raspam latas para consumirem drogas, batem em metais, gritam. É um inferno. Ninguém sabe quem é o dono daquela casa. Quando saímos ao trabalho, pela manhã, tenho que explicar a meus filhos o que fazem aqueles que fumam em público. Sei que a Santa Cruz está longe de ser um bairro calmo, “santo” mas está piorando! Algumas vezes, pela manhã, a gente se depara com mulher toda machucada, ensangüentada, gritando por socorro dizendo que apanhou de alguém lá na casa.. Acredito que só este jornal pode fazer alguma coisa por nós, já que não tem medo de mostrar o que a cidade vai se tornando. Quem sabe vocês façam o dono da casa colocar todo mundo para fora e fechar aquilo. Pelo amor de Deus, nos ajudem!

V.
Franca - SP

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