O governo de São Paulo vai dar vale-presente de R$ 50 a estudantes que frequentarem aulas de reforço de matemática. O programa prevê que alunos dos 2º e 3º anos do Ensino Médio com bom desempenho na matéria recebam bolsa auxílio para serem tutores de alunos dos 6º e 7º anos do Ensino Fundamental. Aos tutores será oferecida uma bolsa mensal de R$ 115 nos três meses de duração do programa. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Educação, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), professores da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O investimento total no programa será de US$ 663 mil, sendo US$ 130 mil da secretaria, US$ 200 mil do BID e US$ 333 mil de parceiros. A secretaria informou que 441 escolas da rede em 70 municípios do interior e da Grande São Paulo participarão do programa. A estimativa do governo é atingir a meta de 35 estudantes inscritos por escola do Ensino Fundamental e 15 tutores por escola do Ensino Médio.
Porém, São Paulo não é uma referência quando se trata de educação. A famigerada progressão continuada ainda é uma preocupação para pais e educadores, pois atirou o ensino público de São Paulo numa viagem (ainda) sem volta, com a preguiça tomando conta de todos os que constituem a rede da Educação no Estado: da secretaria aos estudantes, passando por professores, coordenadores e funcionários de escolas e coordenadorias. Hoje, ainda há quem conclua o ensino médio sem as mínimas condições exigidas para ser aprovado no ensino fundamental de poucas décadas atrás. Provas e exames periódicos mostram uma queda brutal na qualidade do ensino, já que analfabetos funcionais - que não conseguem compreender qualquer frase que consigam ler - ainda chegam ao fim do ensino médio sem qualquer condição para que encarem um exame vestibular.
Da mesma forma maléfica, o bônus prometido pela Secretaria de Educação está criando uma relação comercial entre estudantes e escola. O dinheiro, que poderá ser investido apenas em material didático (livros, cadernos, lápis e canetas), cria um vínculo negativo entre as duas partes e, há de se convir, somente com ensino de qualidade e o interesse dos professores em diversificar o conteúdo e a forma de ensinar é que se conseguirá despertar o interesse do estudante no que lhe é apresentado na sala de aula. Não será desta forma que a Secretaria de Educação conseguirá melhorar as notas em matemática nas escolas estaduais. Seria preciso muito mais além dos R$ 50 para conseguir interesse e fixar a matéria na cabeça do estudante. A situação exige outras medidas, que passam pela valorização do professor - que clama por reciclagens periódicas e por um salário mais condizente, que lhe permita se dedicar de corpo e alma ao ensino.
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