Com felicidade a população brasileira deixa notar evolução em sua cultura para não prender-se com facilidade a cânticos enganosos.
Quando os interesses pessoais ficam acima de qualquer coisa, o grito da mentira pode assustar os fiéis. Mutações à luz dos ímpetos, revelam imaturidade gerando não raro, enganos ou propositais engodos.
Seja quem for a pretender assumir a maternidade, carece antes parecer, identificar-se com a nobreza da sagrada missão.
O livro sagrado foi o primeiro a pontualizar o amor de mãe, sua doçura, proteção, carinho e repouso em seu santo regaço. Depois vieram os poetas cantando louvores em seus versos a enaltecer a dignidade vocacional da mulher afortunada pela graça maternal.
Estou vivendo órfão de mãe por vários anos sem jamais ter olvidado seu carinho, sua dedicação, sua comidinha gostosa posta à mesa as horas certas da casa humilde.
Assim viveram e vivem muitas famílias brasileiras, numerosas, é verdade, no entanto, dignas e entregues a labuta que visa construir homens éticos e honrados para o futuro.
Destas mulheres pretendo me ocupar, ressaltando os encantos, o esforço, noites mal dormidas, risos e lágrimas vertidas com amor em busca de aquecer a filharada.
Eu quero falar da mãe dos brasileiros, guerrilheira sim, que nunca frequentou aulas de tiros, que nunca sequestrou ou praticou assalto, que nunca trocou de nome. Falo da mãe dos brasileiros que simboliza o amor, usando somente as armas da paz para construir: trabalho e amor são seus permanentes escudos na proteção e constituição da família.
Sua atuação costurando calçados para a indústria, sua operosidade humilde nas ruas como gari, o ideal obrigatório de levar para casa o soldo proveniente da faxina doméstica do dia.
Seu labor transpirado na lida de cozinheira, sua docilidade ao passar saberes na sala de aula a geração futura, sua responsabilidade no lar em tempo integral, fazem dela a expressão maior de dignidade para ser respeitada e amada.
Ai está à característica da mãe que tive. Não pretendo trocar as qualidades recebidas em meu passado por algo novo sugerido adredemente por interesse sazonal. As transformações incomodam quando repentinas e radicais.
Meu lado conservador não entenderia uma relação com a mãe boneca de bochecha rosada, estufada em liso brilho pelo artificial recurso do silicone.
O remodelamento do corpo, o corte dos cabelos, sua cor mutável à cada dia. Muito menos aceitaria o esquadrão de conselheiros à sua volta ditando as novas regras em busca da imagem fabricada pelo marketing que estabelece o falso e a mentira.
Não obrigado. Não quero tal mãe para o Brasil. Conservarei a simplicidade da humilde mãe brasileira.
Garcia Netto
Jornalista
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