Eles tinham menos de 25 anos, haviam saído da adolescência há pouco tempo e não sabiam o que era ser chamado de “pai”. Os entrevistados do Se Liga de hoje tiveram suas vidas transformadas pelo nascimento dos filhos, aprenderam na marra a trocar fraldas, dar mamadeira e a ter sob sua responsabilidade uma pessoa dependente para tudo - pelo menos por enquanto. O que nossos entrevistados têm em comum é a forma positiva como lidaram com isso e o que aprenderam: amar incondicionalmente e serem mais responsáveis.
Felipe Urias Pimenta, representante comercial, hoje com 25 anos, namorava há três quando descobriu que a Manuela estava a caminho. Depois do susto, veio a alegria de ver crescendo na barriga da namorada alguém que o chamaria de pai. “Eu já trabalhava, o que não deixou a gente passar aperto financeiro, e estudava química. O que mudou foi que agora eu tenho um motivo a mais para viver: a Manu. Ao contrário do que muitos pensam, a vida não acaba, ela começa”.
Ele e a mãe de Manuela não estão mais juntos, mas Felipe tem a permissão para ver a menina sempre que quiser. Aos finais de semana, ele pode sair com a criança. “Ela adora passear. Vamos ao shopping, vemos filme, conto história e vamos ao parquinho. Minha maior realização é ouvi-la me chamando de papai”.
Felipe achou que a transformação na sua vida iria ser drástica, mas ele soube se adaptar. Agora, além da responsabilidade, ele tem mais alegrias. Sobre ter sido pai antes dos 25 anos, Felipe não vê isso como problema, acredita que um pai jovem tem mais tempo para curtir a nova realidade.
O DJ e produtor Patrick Alves de Carvalho, 26, também viu sua vida mudar há dois anos com o nascimento de Gabriel Batarra de Carvalho. Ele, que sempre sonhou ser pai, viu a chegada da criança como um presente. “Eu era inconsequente e não pensava muito antes de fazer as coisas. Hoje lembro do meu filho a cada momento e isso é como se fosse um freio, uma responsabilidade a mais. É muito bom ser pai”.
O DJ nunca tinha trocado uma fralda ou feito um bebê dormir até o seu nascer. Aprendeu na prática e hoje até tira onda. “Sou craque nisso”. Assim como Felipe, Patrick também não está mais com a mãe do seu filho, mas tem com ela um bom relacionamento. “Não demos certo como namorados, mas seremos para sempre os pais do Gabriel. Temos que ter um convívio saudável para o nosso filho saber que tem família”.
Segundo a psicóloga Cléria Bittar Bueno, professora na Unifran (Universidade de Franca), o crescimento pelo qual os jovens passam após o nascimento de seus filhos, envolve uma readaptação em todos os setores da vida. “A questão financeira, contar para a família, amigos, e planejar o futuro daquele que sempre vai depender de você não são fáceis. Mas passado o susto inicial, as coisas vão se encaixando”. Para ela, a capacidade de amor e entrega não é atrelada à faixa etária, mas ao que foi aprendido ao longo da vida. “Aprendemos a ser pais sendo filhos, a princípio”.

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