Hoje a Igreja celebra uma das mais antigas festas de Nossa Senhora. Ela que é um sinal bem concreto da discípula fiel que caminha com Jesus até o fim.
Maria aparece pela última vez nos escritos do Novo Testamento no primeiro capítulo dos Atos dos Apóstolos: ela está no meio dos apóstolos, em oração no cenáculo, aguardando a descida do Espírito Santo. A solene festa da Assunção de Nossa Senhora, conhecida também como “Dormitio” (passagem para a outra vida), é um dogma.
A definição dogmática, proclamada por Pio XII em 1950, declarando que Maria não precisou aguardar o fim dos tempos como as outras criaturas, para obter também a ressurreição corpórea, quis pôr em evidência o caráter único da sua santificação pessoal. O pecado nunca ofuscou nem por um instante, o brilho de sua alma.
A união definitiva, espiritual e corporal do homem com Cristo glorioso, é a fase final e eterna da redenção. Assim os santos, que já têm a visão beatífica, estão de certo modo aguardando a plenitude final da redenção, que em Maria já se dera com a singular graça da preservação do pecado.
As leituras para esta celebração são: Apocalípse, capítulo 11; Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 15 e o Evangelho segundo São Lucas, capítulo 1. A primeira leitura é tirada do livro do Apocalipse. O “céu se abre” para manifestar a força vitoriosa do Senhor que ilumina o horizonte, a fé e a esperança das comunidades cristãs, sofridas e desanimadas. Soa uma voz forte no céu para proclamar: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo”. Vencendo o pecado e a morte através da ressurreição, Cristo torna-se sinal de esperança para o povo que estava sofrendo, sobretudo pela opressão do império romano.
Como protótipo da comunidade de fé, a mulher do Apocalipse pode ser associada também a Maria, a Mãe do Messias Salvador, figura da Igreja. Assunta ao céu, Maria representa todo o povo que caminha iluminado pela presença de Deus, aguardando a manifestação plena de sua glória.
A segunda leitura pertence à primeira carta de Paulo aos Coríntios. O capítulo 15 desta carta é uma exposição fundamental sobre a ressurreição. Mostra a ressurreição de Cristo, objeto da profissão de fé das testemunhas, a dos cristãos relacionada à de Cristo e também seu modo.
Este mistério só pode ser entendido pela fé. Os cristãos de Corinto tinham dificuldade em crer e aceitar a ressurreição, mas Paulo mostra que a negação da ressurreição dos mortos supõe a negação da de Cristo. O grande apóstolo de Jesus Cristo afirma com toda a convicção: “Se é só para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, somos, dentre todos os homens, os mais dignos de compaixão”.
No evangelho Maria é proclamada “bem aventurada” porque acreditou no cumprimento das palavras do Senhor. Quantas promessas Deus fez pela boca dos profetas! Quando, porém, demoraram para realizar-se, os homens duvidaram da fidelidade do Senhor. Preferiram confiar em si mesmos, nos seus raciocínios, nos seus projetos e acabaram por ir ao encontro de insucessos sistemáticos. Maria, ao invés, é “bem-aventurada” porque confiou em Deus, cultivou a certeza de que, não obstante todas as aparências contrárias, a palavra do Senhor se cumpriria.
É preciso muita oração para crer que se realizarão as promessas de Deus feitas aos construtores da paz. Maria nos ensina que vale a pena confiar nas palavras do Senhor sempre. O trecho evangélico conclui-se com o canto de alegria de Maria: “minha alma glorifica o Senhor”.
VIVAS À VIDA RELIGOSA!
Hoje, vivendo o mês vocacional, a Igreja lembra as religiosas e religiosos. A vida religiosa é dom de Deus: é vocação. Os votos da castidade, da pobreza e da obediência consagrados a Deus se baseiam nas palavras e nos exemplos de Jesus. Todos os que se consagram a Deus entregam sua vida a Ele, o amado, e passam a servi-lo no amor dedicado ao próximo. Nossas orações pelos que se consagraram a Deus e que aumentem as vocações religiosas. Amém!
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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