‘Só Deus pra dizer quando o Horto será resolvido’


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CONVICÇÕES FIRMES - Vanderlei Tristão defendeu a redução da jornada de trabalho, reforma tributária e o financiamento público das campanhas políticas
CONVICÇÕES FIRMES - Vanderlei Tristão defendeu a redução da jornada de trabalho, reforma tributária e o financiamento público das campanhas políticas

A sabatina do candidato a deputado federal Vanderlei Martins Tristão (PTB), o Tico, promovida na última quinta-feira, foi marcada por sua visão religiosa. Com mais de 20 anos de experiência no Legislativo Municipal, Tico esteve à vontade durante a quase uma hora de entrevista . Disse não guardar mágoas de sua briga com o secretário municipal de Finanças, Sebastião Ananias, em 2009. Também falou com propriedade da eterna luta dos mutuários do Parque do Horto e defendeu a lei na questão que envolve a retirada de lojinhas do Parque Vicente Leporace.


Tico também foi direto em relação a assuntos como a reforma trabalhista. O candidato defendeu a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, bem como a maior participação dos empregados nos lucros das empresas.


No que diz respeito aos contatos políticos em Franca, declarou-se amigo do candidato Gilson de Souza (DEM). Confira mais detalhes, a seguir.

 
 
PRIMEIRO BLOCO
 
GCN Comunicação - Por que o senhor quer ser deputado federal?
Vanderlei Martins Tristão
- Quero ser deputado porque acho que posso fazer muito mais em nível federal do que como vereador. Acho que estou preparado para discutir os grandes temas nacionais no Congresso Nacional e articular com as bancadas do meu partido e de outros partidos, buscando sempre o interesse da nossa comunidade.
 
GCN Comunicação - O senhor não acha que a multiplicidade de candidaturas pode dificultar a eleição de um deputado federal?
Vanderlei Tristão -
Não. Acho que esse deputado federal que será eleito pode ser eu. Estou aqui me colocando à disposição da comunidade e acredito piamente na minha candidatura, na minha eleição. Não estou achando que vou dificultar. Talvez eu facilite a opção do eleitor.
 
GCN Comunicação - Qual é a sua opinião sobre movimentos como o “Voto Nosso”, que foi articulado por lideranças empresariais da cidade e defendia o voto em candidatos de Franca e o menor número de postulantes para aumentar as chances de vitória? Como o senhor analisa movimentos como este?
Vanderlei Tristão -
Lamentável, porque naquela oportunidade perdemos a chance de eleger candidatos que realmente tinham condições. Nós tivemos naquelas eleições o Ary (Balieiro), que acabou ficando preso a essa vontade de um grupo de empresários. O Voto Nosso foi um fracasso. Espero que nunca mais ocorra.
 
GCN Comunicação - Apesar dos mais de 20 anos de experiência política, tendo sido inclusive presidente da Câmara, o senhor nunca conseguiu mais do que 3,2 mil votos em uma única eleição. Como espera conseguir a quantidade de votos necessária para se eleger deputado federal?
Vanderlei Tristão -
Uma eleição de deputado é totalmente diferente de uma eleição de vereador. A eleição de vereador são 400 candidatos, cujas famílias votam neles. Você não tem um espaço de atuação muito grande. É aquela eleição de casa em casa, conversa no pé do ouvido. A eleição de deputado é mais aberta, em que você tem uma possibilidade maior de contatos e, ao mesmo tempo, uma possibilidade maior de votos.
 
GCN Comunicação - É um abismo que separa quatro mil votos dos cem mil votos necessários para se vencer uma disputa para deputado federal. Além disso, as estruturas de campanha também tendem a ser muito mais complexas em uma disputa em nível federal. Como o senhor vai resolver isso?
Vanderlei Tristão -
Nós temos uma atuação nas cidades da região e em Franca. Agora, eu pergunto ao jornalista: como se formou essa grande estrutura do GCN, que surpreende a qualquer um que vem aqui? Se formou porque vossa excelência acreditou num sonho. E um sonho se realiza desde que você o busque com honestidade, com vontade e garra. Eu sonho ser deputado federal e peço a ajuda da população de Franca e região.
 
GCN Comunicação - A falta de re cursos financeiros e as limitações impostas pela Justiça Eleitoral não podem atrapalhar esse sonho?
Vanderlei Tristão -
Não acredito. Eu até gostaria que houvesse mais restrições, porque o dia em que nós tivermos o financiamento público de campanha, que defendo, teremos um País melhor, melhores políticos e melhores candidatos.
 
 
SEGUNDO BLOCO
GCN Comunicação - Uma das bandeiras do seu partido é a luta em nome do trabalhador. Dentro desse tema, qual é o seu posicionamento sobre a reforma trabalhista que prevê a modernização das relações entre patrões e empregados?
Vanderlei Tristão -
Nessa reforma trabalhista deveríamos, além de manter todas as vantagens que o trabalhador conquistou de forma histórica, avançar na questão de 40 horas semanais, avançar na questão da participação do trabalhador nos lucros da empresa.
 
GCN Comunicação - O senhor então defende a redução da jornada de trabalho? O senhor votaria a favor das 40 horas semanais?
Vanderlei Tristão -
Defendo as 40 horas semanais. Isso é uma tendência mundial. Os trabalhadores do mundo inteiro, com exceção da China e de alguns outros países asiáticos, já conquistaram esse benefício.
 
GCN Comunicação - No Brasil, um debate sempre em pauta é a legalização dos direitos dos homossexuais, entre eles a possibilidade de união civil de casais gays e adoção de crianças por homossexuais. Como o senhor se posiciona sobre esses temas?
Vanderlei Tristão -
Sou favorável aos direitos dos homossexuais. São seres humanos, são nossos irmãos. Mas sou frontalmente contrário ao casamento de homossexuais até porque acho que isso interfere até na família. E, pela minha formação religiosa, jamais poderia ser favorável a casamento de pessoas do mesmo sexo.
 
GCN Comunicação - Só para evitar que o senhor dê uma resposta equivocada, a pergunta não é sobre o casamento enquanto instituição religiosa. É em relação à união civil.
Vanderlei Tristão -
Para ter direitos universais como divisão de bens, plano de saúde e tudo isso, eu sou favorável. Sou contrário a qualquer outro tipo de manifestação.
 
GCN Comunicação - Adoção de crianças?
Vanderlei Tristão -
Eu sou contrário. Acho que a criança tem que ser criada pelo pai e pela mãe para formar a personalidade dela.
 
GCN Comunicação - Os Estados Unidos liberaram as pesquisas com células-tronco para testes em seres humanos. A igreja católica condena a pesquisa. Caso eleito, votaria a favor da liberação das pesquisas no Brasil?
Vanderlei Tristão -
Discordo da igreja porque acho que, com essas pesquisas, vamos salvar muitas almas que não têm mais condições de um tratamento. Sou favorável que as pesquisas continuem e, no Congresso, votaria favorável a qualquer projeto tratando deste assunto para dar possibilidade de vida, porque a nossa luta e a luta da própria igreja é pela vida.
 
GCN Comunicação - A discussão sobre a legalização do aborto tem ganhado cada vez mais espaço. Qual é o posicionamento do senhor a respeito?
Vanderlei Tristão -
Sou contrário à pena de morte. Eu acho que é uma pena de morte. E, pior ainda, é um crime hediondo. É um ser indefeso que vai ser assassinado. Sou contra . Não só votaria contra no Congresso como seria uma das pessoas a lutar, a fazer campanha contra a legalização de todas as formas. Sou frontalmente contra o aborto.
 
GCN Comunicação - Se for eleito, que postura o senhor terá com relação aos projetos de desoneração fiscal?
Vanderlei Tristão -
Sou amplamente favorável a uma reforma tributária. O que as pessoas pagam de impostos neste País é uma coisa altíssima. E justamente porque ninguém tem coragem de botar a mão na ferida e fazer uma reforma tributária com deve ser feita. Temos que aumentar a produção e, para isso, temos que desonerar para permitir mais emprego, mais salário e menos impostos evidentemente.
 
GCN Comunicação - Qual a sua opinião sobre o projeto de lei que proíbe palmadas, beliscões, castigos físicos em crianças e adolescentes?
Vanderlei Tristão -
Acho um absurdo um projeto como esse. Não é uma palmadinha aqui e outra ali que vai fazer com que essa criança seja revoltada no futuro. Muito pelo contrário. Ou os pais educam bem em casa ou, quando essa criança crescer, vai ser espancada pelos bandidos, pelos traficantes até pela polícia.
 
GCN Comunicação - O senhor já apanhou?
Vanderlei Tristão -
Muito, eu era criança e apanhei muito. E agradeço a minha mãe por tantas palmadas. Formei meu caráter e a minha personalidade.
 
 
TERCEIRO BLOCO
GCN Comunicação - O senhor foi um dos últimos com base eleitoral em Franca a confirmar que disputaria as eleições. Por que a demora?
Vanderlei Tristão -
Faltavam e faltam recursos. É uma campanha para deputado federal, que infelizmente custa muito por causa da forma de se fazer política no Brasil. Os candidatos mais poderosos conseguem as famosas doações e, depois, eles vão se transformar em emissários daqueles que doaram e vão ter o rabo preso a vida inteira com grandes empreiteiras, construtoras e grandes banqueiros.
 
GCN Comunicação - O senhor já declarou publicamente que apoiará o atual deputado Campos Machado, que tem a capital como base eleitoral. O senhor acha válido fazer dobradinha com um político de fora?
Vanderlei Tristão -
Campos Machado não é mais um político de fora. Hoje ele é cidadão francano, recebeu essa glória com 15 votos favoráveis, por unanimidade, pelos grandes serviços que prestou. Das 2.400 unidades habitacionais que eu trouxe para Franca em apenas três anos, mais da metade foi um trabalho exclusivamente dele.
 
GCN Comunicação - Nenhum constrangimento com eventual prejuízo às campanhas de Roberto Engler e Gilson de Souza?
Vanderlei Tristão -
Nenhum. Muito pelo contrário. O Gilson é meu amigo.
 
GCN Comunicação - O senhor foi o autor da proposta que instituiu a lei de cotas para negros e deficientes e egressos de escolas públicas nas faculdades municipais de Franca. O senhor acha que a lei é adequada para resolver a falta de acesso dos mais carentes às instituições de ensino superior?
Vanderlei Tristão -
Essa lei foi modificada com a aprovação de um amplo conjunto de leis que beneficiam os negros. Provavelmente o Congresso derrube essa lei. Com esse novo projeto que o governo federal fez para a comunidade negra, não vai ter mais necessidade de cotas. Mas naquele momento, quando apresentamos o projeto, havia essa necessidade. Tem uma grande diferença entre Brasil e Estados Unidos, mas o presidente dos Estados Unidos foi beneficiado e estudou baseado em uma lei de cotas.
 
 
QUARTO BLOCO
GCN Comunicação - O senhor é favorável à obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas? Por quê?
Vanderlei Tristão -
Sou favorável. Quando estudei e o ensino público era mais eficiente, tínhamos aula de religião e isso ajudava muito. Foi muito importante na minha formação.
 
GCN Comunicação - Que religião devia ser ensinada nas escolas brasileiras? Como ficam as denominações religiosas que não são cristãs, por exemplo?
Vanderlei Tristão -
Na minha época prevalecia a religião católica. Hoje houve uma diversificação de igrejas, de tendências. Eu acho que essas aulas poderiam ser ecumênicas, com a participação de pastores, de padres, freiras, porque, na verdade, todos vão falar de um só Deus, vão falar de uma só crença.
 
GCN Comunicação - A Câmara Municipal de Franca tem se envolvido em muitas polêmicas, como o projeto do aumento de salários dos próprios vereadores, as restrições impostas ao trabalho da imprensa e discussões entre vereadores. O senhor acredita que os episódios negativos possam prejudicar os vereadores que disputam eleições para deputado?
Vanderlei Tristão -
Não, porque a minha posição é correta. Fui contrário ao aumento dos vereadores e, em outras questões polêmicas da casa, votei de acordo com a minha consciência e acabei acertando. Agora com relação à restrição da imprensa, gostaria que vocês aguardassem a nova Câmara ser inaugurada para ver como ela vai funcionar e o que a imprensa vai ter à disposição a partir de então.
 
GCN Comunicação - Em fevereiro de 2009, o secretário de Finanças, Sebastião Manuel Ananias, insinuou que a bancada de vereadores do PTB teria votado contra um projeto de remanejamento de verbas como retaliação ao fato do partido não ter obtido os cargos que pretendia na Prefeitura. O senhor ficou irritado e afirmou que pediria para os 22 petebistas que exerciam cargos de comissão na prefeitura que deixassem o governo. Ninguém saiu. Como o senhor avalia o episódio?
Vanderlei Tristão -
Saíram. Ou saíram da Prefeitura ou saíram do partido. Nós temos hoje apenas dois membros do PTB no governo. Temos o Ananias, que é o secretário de Finanças, e temos o André, que trabalha como chefe da Divisão de Fiscalização.
 
GCN Comunicação - Ficou alguma mágoa do episódio? E como o senhor se relaciona com o prefeito Sidnei Rocha hoje?
Vanderlei Tristão -
O apoio do Sidnei sem dúvida é relevante. O Sidnei hoje é um político que tem uma quantidade de votos invejável. Eu o apoiei quando candidato a vereador nas duas eleições e fui o responsável pela união dele com o Ary Balieiro (vice-prefeito) para que o Sidnei pudesse ganhar em 2004. Agora, se ele nos apoiar, agradeço imensamente. Não tenho nenhum rancor contra ninguém, muito pelo contrário.
 
GCN Comunicação - O senhor defende a moradia como prioridade. Mas como lidar com problemas como inadimplência, invasões, além de declaração falsa de renda nos projetos habitacionais?
Vanderlei Tristão -
É muito difícil você controlar essas coisas e, no fundo, você não tem poder, não tem lei que mude. Até por isso resolvi me candidatar a deputado federal.
 
GCN Comunicação - A situação dos mutuários do Parque do Horto se arrasta há anos sem solução. Como resolver esse problema?
Vanderlei Tristão -
A situação do Parque do Horto, quando nós estávamos na Prohab, nós tentamos, nós fomos à Brasília, nós demos início às conversações para que pudessem aprovar um projeto que vai quitar os imóveis datados de 1990 para trás. Os levantamentos todos que foram feitos mostram que a Cohab já recebeu o que devia e, no entanto, ela continua cobrando, porque não tem lei que impeça ela de fazer isso. A Caixa Econômica Federal, mesmo antes desse projeto, já vem fazendo a quitação há muito tempo. Recentemente, no Jardim Palma, os imóveis de todos que estavam pagando em dia foram quitados com 10 anos de antecedência e é isso que deve ocorrer no Parque do Horto. Agora só Deus e o Congresso Nacional podem dizer quando.
 
GCN Comunicação - Como o se-nhor avalia a decisão do Ministério Público que exige a demolição das lojinhas irregulares instaladas nas garagens dos predinhos do Leporace?
Vanderlei Tristão -
Se você for ana-lisar dentro da lei, você não pode discordar. É a lei e a lei é assim e tem que ser cumprida. Mas a gente tinha que punir aqueles que foram responsáveis por deixar chegar a essa situação.

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