(In)crédulo


| Tempo de leitura: 3 min

O escritor Paulo Coelho está lançando o seu mais recente livro, com o título Aleph. Como se sabe, ‘aleph’ é o nome da primeira letra do alfabeto hebraico e tem, para os cabalistas, significado místico. É a mesma letra ‘alfa’ do alfabeto grego. No livro, a autor faz viagem imaginária a seu passado em outras encarnações, entra em contato com diversos personagens e realça experiências espirituais vivenciadas por ele.


A propósito do novo livro, Manuel da Costa Pinto – no Folha Ilustrada da Folha de São Paulo de 31.07.10 –, faz uma crítica na qual considera o argentino Jorge Luiz Borges como trigo e Paulo Coelho como o joio. E, o que é pior, por tabela, considera os espíritas como tolos crédulos.
Diz ele: ‘...ao menos para os crédulos leitores espíritas...’. Pela opinião do crítico vê-se que não conhece o Espiritismo ou está movido por outros referenciais.


A Doutrina Espírita não aceita a credulidade tola, sem base, desprovida de fundamentos lógicos. Tanto é assim que na página de rosto de O Evangelho Segundo o Espiritismo, está anotado: ‘Fé inabalável só o é a que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade’. Ora, é ensinado aos Espíritas que a fé que devemos professar é a racional, que não teme a razão e que fuja do crer por crer. Pede-se ao crente que nunca abdique da sua capacidade de raciocinar, não aceitar o miraculoso, não adotar o mágico nos seus entendimentos. Veja-se o que está contido na Revista Espírita de 1861, de autoria do espírito Erasto: ‘Em Espiritismo é melhor rejeitar dez verdades a aceitar uma só mentira’. Onde a credulidade?


Os fenômenos da mediunidade que são aceitos pelo Espiritismo só valem depois de criteriosa análise. Vários cientistas de renome mundial se dedicaram a essa análise, concluindo pela validade de muitos fenômenos.


É o caso de Willian Crookes, criador do estudo referente ao estado radiante da matéria e Prêmio Nobel de Física. Ele se propôs, em nome da Academia Inglesa, a analisar os fenômenos que a médium Florence Cooke produzia dando origem às materializações do espírito que se denominava Kate King. Concluiu pela realidade do fenômeno. Onde a credulidade? E o que dizer de Ernesto Bozzano? E Charles Richet? E Brian Weiss e Ian Stevenson, nos Estados Unidos? E Arthur Connan Doyle, criador do Sherlock Holmes, na Inglaterra? E o Dr. Hernani G. Andrade, no Brasil, todos cientistas famosos que coonestaram os fenômenos espíritas.


Pelo que foi dito, vê-se que o Espiritismo busca a verdade, propugna pelo racional e não teme a pesquisa científica. Até porque, em A Gênese, Allan Kardec diz: ‘O Espiritismo caminhará de par com a ciência. Se ela mostrar que o Espiritismo está em erro num ponto, o Espiritismo se modificará neste ponto’. Quem não tem medo de reconhecer que está errado em algum ponto, não pode ser chamado de simples crédulo. Não nos esqueçamos de que contra fatos não há argumentos. Negar por negar é que é credulice ou ingênua credulidade. Ou desinformação. Ou má fé.

 

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários