Uma crise que ainda ronda


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Nos últimos dias, a economia mundial está sendo assombrada pela possibilidade de uma nova crise global igual (ou até maior) a de 2008, por conta dos números desanimadores da recuperação dos EUA. Na última quinta-feira, os números sobre o desemprego americano e a performance da gigante da tecnologia Cisco aumentaram os temores sobre o fim da recuperação americana. A fraca recuperação industrial na Europa e o aumento da inflação na China, que pode obrigar o gigante asiático a pisar no freio, contribuem para todos estes temores. Some-se a isso a incerteza da recuperação de países da Zona do Euro e podem-se esperar mais incertezas vindo por aí. As preocupações dos investidores são que a economia global mergulhe novamente na recessão, o chamado ‘double dip’, e a falta de instrumentos para tirá-la mais uma vez desse cenário. Os juros nos países desenvolvidos estão no menor nível histórico (nos EUA, a taxa está entre zero e 0,25%), e os governos estão endividados com as medidas tomadas especialmente em 2008 e 2009. E os dados recentes não são animadores. A economia norte-americana se desacelerou no segundo trimestre. De abril a junho, o PIB avançou 2,4% (na taxa anualizada), ante 3,7% nos primeiros três meses deste ano.


Com o desemprego em quase 10% e sem mostrar sinais de melhora, o Congresso dos EUA, a três meses das eleições legislativas, tampouco deve aprovar novos pacotes de estímulo significativos. Ou seja: não há movimentação no sentido de reverter este quadro pessimista. Por aqui, o Brasil ainda registra números positivos na economia, mas economistas estão céticos quanto a sequência dos bons tempos registrados nos primeiros seis meses do ano. Os números do emprego são significativos, mas as turbulências mundiais estão influindo bastante no desempenho da Bovespa e no câmbio. Por conta disso, já se prevê uma desaceleração do crescimento até o final do ano, contrariando as perspectivas animadoras do ministro Guido Mantega (Fazenda), que acredita num crescimento de até 7% da economia brasileira em 2010. Especialistas garantem que este número não deve passar de 5%, a se manter a toada atual.


Qualquer outro movimento inesperado pode causar estragos significativos na economia global e, caso o governo não tome medidas que comprometam o seu próprio desenvolvimento, o Brasil poderá ser atingido por algo muito maior do que uma ‘marolinha’. Todo o cuidado é pouco, já que qualquer mudança nos rumos da economia mundial poderá ser bastante danosa para os bolsos dos brasileiros. Os francanos também estão sujeitos ao humor do mercado global: uma recessão trará reflexos negativos, podendo afetar o emprego, os salários e até a capacidade de consumo dos trabalhadores. Por isso, nestes próximos meses a vigilância será necessária para que não sejamos surpreendidos mais uma vez por uma recessão global que só não atingiu o Brasil em cheio, em 2008, porque o governo soube agir com bastante presteza. Mesmo assim a prontidão não impediu que os índices econômicos brasileiros registrassem níveis baixos no período.

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