Surpreendo-me a cada dia. Um bando de coloridíssimos jovens vem tomando de assalto a praça central e o Franca Shopping. Calças vermelhas, blusas verdes, calçado rosa, cabelos descoloridos arrepiados ou puxados para o lado, óculos com todas as cores do arco-íris
Atravessando a praça com minha mulher no sábado anterior ao Dia dos Pais e envolvido por essa onda furta-cor, não resisti após ver uma garota com não mais de 12, 13 anos, puxando com ela enquanto andava, pedaço de espuma presa a uma cordinha, feito a um cachorrinho.
Curiosidade jornalística não é fácil. Quis saber sobre o que conversam. Paramos, Dona Lourdinha e eu, perto de um grupo e eu estiquei o ouvido (feio isso, mas confesso de novo: não resisti!). Por quase cinco minutos tentei entender alguma coisa. Para mim, formulavam hieróglifos. Antes que eu pirasse, zarpamos.
Preferimos continuar conversando sobre essa “nova onda”. Perto da fonte, sol quente do meio-dia, dois se beijavam, cabelos longos, roupas quase iguais, corpos ainda em formação. Aliás, não se beijavam. Comiam-se - sexualidade adolescente explodindo em espetáculo público.
Não me julguem puritano. Acompanho as “conquistas” que a juventude diz que são direitos dela. Não julgo e nem poderia. Há pais que admitem tudo. Há alguns que, inclusive, dão dinheiro para que os “problemas” sejam resolvidos.
Os tempos “evoluiram” e a maioria dos jovens de hoje “fica”, não é assim? Conheço alguns pais que estão criando os filhos que seus filhos tiveram, ao “ficarem”. Dia destes, publicamos aqui, neste Comércio, a gravidez de uma menina moderna, 12 anos, que não sabe dizer quem é o “pai” de seu filho. Aliás, mesmo se soubesse, adiantaria?
A onda do momento é a cor. Na cabeça, nada. Os ídolos, os coloridos transformados em ícones pelo horário nobre das malhações televisivas. O relacionamento tornou-se rápido e circunstancial, esquecido no dia seguinte ou poucas horas depois.
Tenho informações que dois destes garotos, ainda menores, foram pegos nas instalações sanitárias de um loja do centro, fazendo sexo, no meio da tarde. Foram pegos mas não sei dizer se algo mais aconteceu. Pode até ser que papais e mamães deles ainda não saibam de nada. E olhem que fazer sexo é o de menos, hoje; menininhas transformadas em meros depósitos de esperma sem se incomodarem e menininhos se gabando de que “ficaram” com muitas, muitas, muitas, ontem, em poucas horas...
Preocupa profundamente saber que estes jovens, para os quais não existem barreiras, vão cuidar do País, das instituições, da economia, da educação, da saúde, da justiça, da segurança pública em mais 20 ou 30 anos...
ONDA LEGAL
Num domingo de feira-livre na Major Nicácio conheci o casal Paulo Henrique e Meire, ele bancário e ela pedagoga. Primeiro os observei e às bicicletas com cadeirinhas para crianças pequenas que conduziam. Depois - ainda a curiosidade jornalística - aproximei-me para perguntar se o fato de estarem na feira com bicicletas e suas crianças, era coisa de passeio de domingo. Disseram-me que não. Fazem sempre isso. Pedalam, mantêm a forma, respiram ar puro e sonham. Sonham com a possibilidade de deixarem o carro em casa e levarem as crianças à escola, de irem ao trabalho, de bicicleta Perguntei: “por que não?”. E eles, experiências negativas acumuladas: “não dá. Imagine concorrer com filas duplas de automóveis, com o desrespeito dos motoristas, com a falta de consciência das pessoas”. Não vai adiantar, mas não custa contar. Paulo e Meire são desbravadores. Tomara que, pelo menos, suas vozes ecoem.
ONDA VERDE
Uma onda verde tomará conta da cidade, amanhã. Desde as primeiras horas do dia dezenas de ações mercadológicas vão apresentar à comunidade local e regional o portal GCN.net que reputo como um dos mais importantes projetos da indústria de informação nacional, focado no futuro de curto prazo. Há uma tendência de desaparecimento ou redução de veículos de comunicação impressos. Tudo indica que o conhecimento humano se concentrará na internet e é para esse ambiente que este grupo de comunicação decide-se por migrar desde já. No portal estará toda a produção jornalística do GCN Comunicação, a partir dos próximos dias. Vídeo, áudio, texto, gráficos, documentos, tudo ao alcance de um simples click. A onda verde e inteligente do mundo novo que estamos preparando para nossos leitores e internautas, bate à porta. Não se esqueça de olhar em volta de você, a partir de amanhã.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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