Os consumidores foram surpreendidos nos últimos dias pelo aumento no preço das carnes. Comerciantes consultados pelo Comércio precisaram repassar os custos mais altos para os clientes. Os reajustes médios variam de 6% a 15%. No preço final, o aumento chega a R$ 3 por quilo de carne. A alta atingiu as carnes bovina, suína e de frango. A variação é esperada nesta época do ano por conta da entressafra, pois, sem pastos, os criadores gastam mais para alimentar os animais e falta carne no mercado. Para alguns donos de açougue, neste ano os aumentos estão maiores porque a estiagem está mais intensa. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), uma massa de ar seco estacionada na região central do Brasil impede a aproximação de frentes frias e a ocorrência de chuva em algumas regiões.
No açougue Boi nos Ares, o quilo de contrafilé e alcatra era vendido a R$ 11,95 e, nos últimos dez dias, passou para R$ 14,95. “O problema é a escassez do produto”, disse o dono André Nascimento. O açougueiro Cledison de Oliveira, proprietário da Oliveira Beef Shop, foi outro a alterar a tabela de preços no seu estabelecimento e acredita que novos reajustes acontecerão. “Agosto é um mês complicado. Os produtos faltam porque como o País exporta bastante e precisa cumprir os contratos com outros países, o mercado interno fica desabastecido. Para se ter ideia, a ponta de peito passou de R$ 6 para R$ 9”.
Os clientes acostumados a substituir os alimentos para driblar o preço não têm muitas opções. As carnes de porco e frango também sofreram altas. O pernil chega a custar R$ 2 a mais num dos supermercados consultados e o frango aumentou R$ 1.
Para Paulo Covas, dono da casa de carnes Distak, eventos paralelos contribuíram para o aumento maior neste ano. A Copa do Mundo e geração de empregos com economia aquecida impulsionaram o consumo. “Todo ano é normal subir em agosto, mas neste ano os reajustes foram maiores por causa da Copa. Todos os tipos de carne estão mais caros”.
A dona de casa Adelina Pimentel, 59, percebeu a alteração de preço, mas não abre mão de ter o alimento em casa. “Não fico sem carne. Compro alguma mais barata, as de segunda, e coloco na panela de pressão para ficar melhor”.
O leite também registrou alta no primeiro semestre de 2010. A estiagem e alta demanda foram as principais responsáveis pela alta. No Supermercado Gomes, o leite longa vida de um litro custava R$ 1,39 em janeiro e agora está R$ 1,67.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.